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Crescemos quando abrimos horizontes

20
Dez 09

 

O Natal já chegou a estas terras. Nesta altura do ano, os bandidos andam mais activos. É preciso comprar roupas para as crianças, panos para as mulheres e ter algum para mandar às famílias. Sem contar o preço das cervejas, que o fim do ano não é para brincadeiras. Tem que ser bem regado.

 

Assim, logo de manhã, uma das nossas colunas civis foi atacada por dois homens armados. Como nestas coisas, a fazer é que se aprende, havia mais dois adolescentes, de AK 47 na mão. Rapazes novos, mas cheios de de fogo.

 

A viatura da polícia, a força chadiana com quem trabalhamos e que estamos a formar, ia à cabeça da coluna. Como de costume, a todo o gás, apesar de toda a formação que lhes vamos dando para que moderem a velocidade. Parecem aqueles carros oficiais portugueses em excesso de velocidade, pela Avenida da Liberdade acima.

 

Os três veículos civis foram parados pelos bandidos. O último dos três conseguiu dar meia volta e ir à base, quinze quilómetros a Norte, procurar socorro. Os dois outros foram assaltados a preceito. Entretanto, a viatura da polícia, ao aperceber-se que o resto não estava a seguir,  voltou para trás. Foi um tiroteio de espantar a passarada toda. Os assaltantes acabaram por perceber que era melhor fugir. Lá desapareceram no mato. O carro da polícia e os dois outros ficaram um bocado esburacados, pois as balas das kalashnikov atravessam a chapa como se fosse manteiga. É a tecnologia soviética, e pós-comunista, contra a indústria automóvel japonesa.

 

Um dos polícias levou um tiro numa perna.

 

Mais tarde, chegaram os nossos militares, mais uns polícias. Os quatro assaltantes não deixaram rasto. Mas levaram algumas prendas.

 

Entretanto, as compras de Natal vão continuando. Até foi curioso ver a televisão portuguesa, no noticiário da tarde, a dizer que havia muita gente às compras. As imagens mostravam, em pano de fundo, dois ou três indivíduos, com o ar de quem anda à deriva. Ou melhor, com o ar de quem anda a ver se compra qualquer coisa. Nada mais. Um vazio, que a RTP via cheio.

 

Ainda bem que há televisão. Enquanto houver televisão oficiosa não haverá crise.

publicado por victorangelo às 19:44

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