Portugal é grande quando abre horizontes

09
Jan 10

 

Passei o dia a percorrer, de avião, carro e helicóptero, a região do Dar Sila, a Sudeste do Chade, junto à fronteira com o Darfur. Apanhei muito Sol, fiquei encharcado de poeira, sobretudo quando parámos para inspeccionar o local onde ocorreu a emboscada de 20 de Dezembro contra uma coluna das Nações Unidas, uma zona onde a areia mais parece farinha de fina qualidade, pronunciei quatro discursos, visitei uma série de locais que não lembram nem ao Diabo que Deus tem, e acabei o dia furioso. Na verdade, enquanto estava no Dar Sila, houve uma revolta mais a Norte, os refugiados do campo de Gaga resolveram atacar o nosso posto de polícia adjacente, queriam linchar um casal de presos que havia cometido, na noite passada, diziam eles, um homicídio voluntário no campo. A polícia teve que disparar contra os refugiados, um deles deixou de perceber o que é a vida, tive que enviar tropas como reforço, a pista não dava para o helicóptero aterrar, havia muito pó, lá tiveram os militares que ir por estrada, a uma média de 17 quilómetros por hora, mais não é possível, aqui não há excessos de velocidade, nestes caminhos de pedras soltas e rios secos, podíamos ter enviado mais helicópteros, para mostrar a nossa força, ninguém pensou nisso, fiquei fora de mim. 

 

Isto de manter a paz é uma verdadeira guerra de iniciativas de dissuasão.

publicado por victorangelo às 22:45

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