Portugal é grande quando abre horizontes

27
Jan 10

 

Ando metido numas negociações difíceis. Que exigem muita diplomacia. É como se ambos os lados estivessem perante uma garrafa de água e a parte mais forte dissesse que se trata, na verdade, de aguardente. Sim , de aguardente. Perante isso, que deve fazer um diplomata experimentado? Dizer que não, não senhor, é água, água, água? Bater com o pé e dar murros na mesa? Seria o fim da discussão. Cada um iria à sua vida e ficava tudo por resolver.

 

Prefiro dizer que é mesmo capaz de ser aguardente, mas, ao mesmo tempo, propor que se tente utilizar essa "aguardente" para regar as rosas que estão a brotar. Porque, na realidade, o importante é conseguir que as flores não murchem.

 

Numa negociação, o fundamental é não perder de vista os objectivos que se pretende atingir. E manter uma postura realista, perceber bem o que é possível, as razões da outra parte, e saber manter o silêncio, quando as palavras podem enfraquecer o jogo.

 

É tão difícil estar em silêncio perante os outros. Mas é muito eficaz.

 

No caso concreto, a parte oposta consegue manter uma cara de pau. Nem uma linha do rosto se move. Não há body language. Mas um aperto de mão, no momento da interrupção das negociações, pode quebrar muito gelo. É que os caras de pau sabem o valor do respeito, apreciam as boas maneiras, mesmo quando o desentendimento é muito sério.

 

Os povos do Sahel, gente habituada às paisagens ressequidas, são combatentes natos. Gostam da guerra. Por isso, não é muito produtivo entrar num conflito em que as únicas pedras em jogo são apenas o sim e o não. É que a vida tem muitos matizes.

 

 

publicado por victorangelo às 21:32

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