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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Fantasmas e factos reais

 

Portugal está coberto por um nevoeiro espesso. Como não dá para enxergar muito, a maioria dos políticos, dos jornalistas, dos juízes, dos funcionários das causas rotineiras, e outros, andam com as vistas curtas. É como na Escócia, onde o frio húmido e fechado faz aparecer fantasmas. No nosso caso, os fantasmas entram mesmo nas salas apagadas das comissões parlamentares. Instalam-se  nas nossas casas, pelas televisões que nos tornam ainda mais rasteiros. Geram todo o tipo de medos e uma variedade de lendas.

 

Como tudo é muito irreal, a palavra mais frequente, nas bocas desses seres que a névoa cerrada torna cinzentos, é: Mentira! Sim, mentira! Passam o tempo a chamar-se mentirosos uns aos outros, por considerarem que só a sua versão da miragem é que deveria fazer fé.

 

Mas a verdade, para além das brumas fabricadas nas várias centrais conspirativas, é que há corrupção no ar. Abusos de poder. Arrogância. Falta de moral cívica. Ausência de sentido nacional. Desprezo pelos mais fracos, os anónimos da vida. E muita incompetência. A governação e a sociedade estão em crise. Estes são factos reais. Não são meras construções mentais, nem almas de um outro mundo. São problemas bem portugueses.

 

 

Um SNS caricato

 

Diz um leitor, num comentário de hoje, que a saúde não se interessa pelos pobres. Que os pobres são humilhados todos os dias nos centros públicos de saúde.

 

Não posso estar mais de acordo. O SNS é uma caricatura.Os utentes são tratados com desprezo. Um velho senhor da política, que sempre aponta o estabelecimento do SNS como uma grande iniciativa do seu partido, um momento histórico na governação que esse partido liderou, nunca deve ter utilizado o sistema. Vive, como em muitas outras áreas, numa ilusão política.

 

Quem é pobre confronta uma realidade bem mais diferente. Veja-se, a título de exemplo, o que o meu leitor conta.

 

Este é um dos aspectos da política portuguesa que terá que mudar.

A pensar em ditaduras

 

Fala-se agora muito em liberdade de imprensa em Portugal. De controlo da opinião pública pelo poder político, de asfixia democrática, de manipulação. São temas importantes, particularmente sensíveis num país como o nosso, onde houve de facto uma ditadura, por várias décadas.

 

O meu texto da VISÃO on-line de hoje também é sobre as ditaduras. A relação entre a comunidade internacional e certos regimes é o tema central. É um texto baseado em experiências que vivi. Procura partilhar essas vivências com os leitores que se interessam pelo assunto.

 

O texto está disponível em:

 

http://aeiou.visao.pt/uma-digressao-pelas-ditaduras=f548496

 

É um texto mais genérico que o habitual. Mas abre espaço para uma visão mais ampla das relações internacionais. 

 

Uma fábula sem moral

 

 
 
 
O Sapo e o Elefante
 
Com o tempo, o Sapo convenceu-se que era o rei da poça de água. Outros animais passavam, diariamente, pelo local, para matar a sede. Pouco tempo ficavam, que, na selva, os sítios onde existe o precioso líquido são sempre muito perigosos. Todo o tipo de emboscadas acontecem junto aos pontos de água. Apenas o Sapo vivia na falsa tranquilidade de um sítio que, a qualquer estranho menos experiente, pareceria tão ameno.
 
Um Elefante começou a frequentar o charco com regularidade. Banhava-se demoradamente, deliciava-se na lama, sentia-se bem na frescura da paisagem. Era um Elefante muito ruidoso, de grandes espalhafatos. Muitos dos frequentadores do atoleiro desistiram da frequentação. O bulício provocado pelo gigante tornava o local ainda mais arriscado, pois deixava de ser possível ouvir os ruídos mais subtis dos que vivem da perdição dos outros.
 
O Sapo passou a ver o Elefante como o seu inimigo principal. Não gostava da concorrência. Caiu-lhe mal que o seu pequeno paraíso tivesse sido abandonado pelos outros animais. Ele que era o chefe do pântano! Estava a perder os súbditos.
 
Cada vez que se via reflectido na água vinha-lhe á cabeça comparar-se com o Elefante. Á força de se mirar, começou a convencer-se que era, pelo menos de peito, tão corpulento como o mastodonte. Mas como era de natureza medrosa, não se atrevia a medir-se com a besta.
 
Nas redondezas vivia uma boa de formato grande. Tinha o hábito de caçar antílopes. Mas estes eram cada mais raros, nas margens do charco. O Sapo pensou, e bem, que a jibóia poderia ser um aliado de peso, na cruzada para correr com o Elefante. Uma serpente com razões de queixa é uma ameaça de grande efeito.
 
E o Elefante acabou por ir à procura de outras paragens. O Sapo viveu uns momentos de grandeza, senhor que era de novo deste éden de lama e águas turvas. A boa esperou que as impalas voltassem. Mas esperar é exercício de paciência e a paciência nem sempre mata a fome. Nem o Sapo a matou. Que engolir um Sapo é obra pequena, quando se vive ao lado de uma jibóia de corpo inteiro.
 
 
Copyright V. Ângelo

 

A minha política

 

Vários amigos me têm falado de uma possível entrada na política, em Portugal, agora que saio de trinta e picos anos de trabalho com as Nações Unidas. Ainda hoje, um dos comentários ao meu blog, feito por uma pessoa que muito aprecio, conclui que a política portuguesa teria a ganhar, se eu resolvesse entrar. É uma opinião que respeito.

 

A verdade é que a minha escrita, quando me libertar das cargas que ainda mantenho, se tornará cada vez mais intervencionista. Mas sem enveredar por ataques pessoais, nem procurar fulanizar a vida pública de Portugal. Nessa frente, o que está a acontecer já chega. Temos que ir direito às questões, não às pessoas. Há muita questão por resolver. Muito contributo por mobilizar.

 

Com toda a objectividade, para que se possa ultrapassar os clubismos doentios actuais. Participar é unir, não é excluir.

A praça pública

 

Quando os tribunais deixam de funcionar, em sociedades como a portuguesa, abre-se a porta para os julgamentos na praça pública. Os jornalistas, os comentadores, a opinião, todos nos transformamos em juízes. Os autos da fé, nas manchetes dos jornais ou nas imagens das televisões, passam a fazer parte da justiça popular. Os jornalistas passam a ser os novos heróis.

 

É uma situação de caos. De grande fraqueza institucional. Que acaba por ter grandes repercussões na economia, no investimento, no emprego. Gente séria não pode funcionar num clima em que a justiça está subvertida.

 

Em sociedades onde a opinião pública não pesa, como é o caso em muitos sítios de África, a porta que se abre é a do refúgio nas identidades, na segurança que a etnia parece fornecer, nas milícias armadas, na violência privatizada. Fractura-se o Estado. Desmembra-se a nação.

 

Em ambos os casos, não convém esquecer que a justiça é um dos princípios básicos da vida, um dos pilares da civilização e do progresso. Um poder político que não põe a justiça a funcionar é um fracasso.

Os nossos problemas

 

Continuo a viver um período de reflexão. Mas sem estar totalmente afastado da diplomacia activa. Ainda hoje passei um tempo sem fim ao telefone, para preparar a estratégia a seguir nas próximas semanas. Falei com Nova Iorque e com o terreno, como se diz entre nós. As iniciativas que vão requerer o envolvimento do Conselho de Segurança exigiram uma atenção muito especial.

 

Enquanto preparava as intervenções que se seguem, pensei, várias vezes, na maneira tão diferente com que se estão a fazer as coisas em Portugal. No caso do nosso país, é a cacofonia que prima. Fica-se com a impressão que tudo é orquestrado tendo o protagonismo da comunicação social como primeira preocupação. Os media parecem ser os principais destinatários das medidas. Tudo se faz com a esperança de aparecer um microfone à frente da boca e uma câmara de televisão ao lado da cara, do bom lado do perfil, claro. Na ONU e na política internacional a sério, as coisas fazem-se para se obterem resultados. Não se utilizam os jornais para fazer eco, nem as televisões para mandar recados.

 

Em Portugal, pensa-se e vive-se um clima de espectáculo. Os políticos, os jornalistas, os juízes, os oportunistas, andam todos ao molho. Ninguém faz coisa séria. O protagonismo confunde-se com a importância. As palhaçadas tomam o lugar das medidas necessárias. A imagem confunde-se com a resolução dos problemas. E estes continuam por resolver.

 

 

Barris de pólvora e uma UE sem política externa

 

 

 

Darfur é o "barril de pólvora" africano

Chefe da missão da ONU preocupado com a possibilidade de as autoridades chadianas assumirem o controlo da segurança no país
 

A região do Darfur é "explosiva" e há um "grande risco" para refugiados e pessoal internacional se as Nações Unidas não renovarem o seu mandato no Chade no próximo mês, alerta o chefe da missão da ONU no país, o português Vítor Ângelo.

Vítor Ângelo, que termina o seu mandato e também a sua longa carreira nas Nações Unidas a 15 de Março, está preocupado com a possibilidade de as autoridades chadianas assumirem o controlo da segurança no país, agravando o que considera ser o futuro "grande problema de África". Para o chefe da missão das Nações Unidas no Chade (MINURCAT) e representante do secretário geral da ONU no país, "esta região é muito explosiva, está em crise, que se vai agravar com a evolução da situação no Sudão e sobretudo com a possibilidade de o Sudão se cindir em dois países", disse, o diplomata português à Lusa, numa entrevista concedida antes de ser conhecido o pedido do Governo do Chade para serem retiradas as forças da ONU.

A zona de fronteira do Sudão e o Chade e a República Centro Africana "são os barris de pólvora de amanhã", alerta Vítor Ângelo.

A situação vai ficar muito complexa" com eleições previstas no Sudão em abril e o referendo sobre o futuro do sul do país, no próximo ano, sendo "fundamental" que o Chade garanta a segurança na fronteira ao longo do Darfur e dentro do seu próprio país.

Segundo Vítor Ângelo, a MINURCAT está "a ser vítima do seu próprio sucesso" e os ganhos dos últimos meses em matéria de segurança "não são sustentáveis" se transitarem para o Governo de Djamena.

"As autoridades do Chade mobilizaram um grande número de soldados, entre 25 mil e 30 mil, para a fronteira entre o Chade e o Sudão", disse Vítor Ângelo, alertando para a situação no interior do país, onde "só as Nações Unidas" podem garantir a protecção das populações, do pessoal da organização e ONG.

O país "precisa de muito apoio da comunidade internacional, muitos recursos, de uma grande presença militar e de polícia, e só as Nações Unidas podem oferecer estas condições", disse o chefe da MINURCAT.

Se as Nações Unidas partirem a 15 de Março, "há um risco muito grande de voltarmos a ter ataques contra os humanitários, funcionários da ONU e sérias violações nos campos de refugiados".

 

 

Lusa

 

O meu comentário  a este despacho da LUSA:

 

O barril é o Sudão, no seu conjunto. Por causa das eleições que se aproximam, do referendo sobre a independência do Sul, das dissenções internas, no círculo dirigente, em Cartum. Dos conflitos entre etnias e dos jogos de interesses associados a essas querelas. Um barril que poderá fazer explodir outros, na região africana onde o Sudão se insere.

 

A política da UE em relação ao Sudão e à região não tem fôlego, nem direcção. Trata-se, aliás, de mais um exemplo de como a política externa da Europa é uma mera construção ilusória. Não existe, não se manifesta, não conta, e os principais Estados europeus não querem investir numa posição comum. Querem, isso sim, manter o seu peso individual.

 

O papel da Senhora Ashton é o de apanhar papéis. 

 

 

 

 

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