Portugal é grande quando abre horizontes

10
Abr 10

 

Tentar aterrar por três vezes, e voltar para uma quarta tentativa, quando as condições em terra eram completamente adversas, mostra a pressão que foi exercida, de uma maneira ou de outra, pela comitiva do Presidente Lech Kaczynski, sobre o comandante do avião. As altas personalidades do Estado polaco queriam, a todo o custo, estar presentes para a cerimónia dos 70 anos do massacre de Katyn.

 

Vivi, duas ou três vezes, situações semelhantes, em que o programa exigia que se voasse ou aterrasse, mesmo quando as condições atmosféricas não eram as melhores. Tratava-se, sempre, de decisões difíceis. Mas a experiência ensinou-me que em matéria de aviões não há nenhuma personalidade mais importante do que o comandante de bordo. Ele que decida, sem qualquer tipo de pressões. Várias vezes tive que alterar o programa previsto ou dormir em sítios que não lembrariam ao mais santo dos diabos. Segurança, primeiro.

 

Conhecia bem o General Franciszek Gagor, o CEMGFA da Polónia, que hoje pereceu no desastre aéreo. Era um oficial de grande capacidade estratégica, muito requintado de maneiras e vivo de espírito. A primeira vez que me reuni com ele, bem como com o Ministro da Defesa polaco e vários outros generais e oficiais superiores, foi para preparar a participação da Polónia na missão de manutenção de paz no Chade. Varsóvia não tinha experiência de trabalho com a ONU. Tinha ainda menos, no que respeitava a missões militares em África. Foi uma reunião muito demorada, difícil, pois o outro lado da mesa não entendia o papel das autoridades políticas do Chade. Pensavam que, uma vez que a missão tivesse sido aprovada pelo Conselho de Segurança, eu tinha toda a autoridade do mundo para decidir o que fazer com as forças expedicionárias. Depois de muitas explicações, foi o Gen. Gagor quem entendeu primeiro e explicou a matéria aos seus compatriotas.

 

Mais tarde, as tropas da Polónia foram de um grande profissionalismo. O último contingente a deixar o teatro das operações, na zona desértica do Norte do Chade, teve que esperar mais tempo que o previsto. Os homens e as mulheres que integravam essa força, que visitei várias vezes, foram pacientes e souberam comportar-se, numa situação de incerteza quanto às datas. Mas tinham uma preocupação de peso: queriam poder sair antes do Natal (2009). A religião é um factor maior na vida polaca, incluindo nas forças armadas.

 

Hoje, as preces serão para os que perderam a vida esta manhã. A Polónia está de luto, profundamente.

 

publicado por victorangelo às 21:44

twitter
Abril 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9



30


subscrever feeds
<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO