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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Com respeito, em homenagem

 

Tentar aterrar por três vezes, e voltar para uma quarta tentativa, quando as condições em terra eram completamente adversas, mostra a pressão que foi exercida, de uma maneira ou de outra, pela comitiva do Presidente Lech Kaczynski, sobre o comandante do avião. As altas personalidades do Estado polaco queriam, a todo o custo, estar presentes para a cerimónia dos 70 anos do massacre de Katyn.

 

Vivi, duas ou três vezes, situações semelhantes, em que o programa exigia que se voasse ou aterrasse, mesmo quando as condições atmosféricas não eram as melhores. Tratava-se, sempre, de decisões difíceis. Mas a experiência ensinou-me que em matéria de aviões não há nenhuma personalidade mais importante do que o comandante de bordo. Ele que decida, sem qualquer tipo de pressões. Várias vezes tive que alterar o programa previsto ou dormir em sítios que não lembrariam ao mais santo dos diabos. Segurança, primeiro.

 

Conhecia bem o General Franciszek Gagor, o CEMGFA da Polónia, que hoje pereceu no desastre aéreo. Era um oficial de grande capacidade estratégica, muito requintado de maneiras e vivo de espírito. A primeira vez que me reuni com ele, bem como com o Ministro da Defesa polaco e vários outros generais e oficiais superiores, foi para preparar a participação da Polónia na missão de manutenção de paz no Chade. Varsóvia não tinha experiência de trabalho com a ONU. Tinha ainda menos, no que respeitava a missões militares em África. Foi uma reunião muito demorada, difícil, pois o outro lado da mesa não entendia o papel das autoridades políticas do Chade. Pensavam que, uma vez que a missão tivesse sido aprovada pelo Conselho de Segurança, eu tinha toda a autoridade do mundo para decidir o que fazer com as forças expedicionárias. Depois de muitas explicações, foi o Gen. Gagor quem entendeu primeiro e explicou a matéria aos seus compatriotas.

 

Mais tarde, as tropas da Polónia foram de um grande profissionalismo. O último contingente a deixar o teatro das operações, na zona desértica do Norte do Chade, teve que esperar mais tempo que o previsto. Os homens e as mulheres que integravam essa força, que visitei várias vezes, foram pacientes e souberam comportar-se, numa situação de incerteza quanto às datas. Mas tinham uma preocupação de peso: queriam poder sair antes do Natal (2009). A religião é um factor maior na vida polaca, incluindo nas forças armadas.

 

Hoje, as preces serão para os que perderam a vida esta manhã. A Polónia está de luto, profundamente.

 

Sudão em crise

 

As eleições que começam no Domingo no Sudão não podem deixar os responsáveis da comunidade internacional indiferentes. O Sudão é o maior país de África, faz fronteira com vários Estados importantes, incluindo a Etiópia, a Eritreia, o Uganda, o Congo de Kinshasa, e o Chade, é atravessado pela linha de fractura entre a África muçulmana e a banto, e tem um Presidente, Omar al-Bashir, que é procurado pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra e contra a humanidade.

 

As principais características destas eleições são as seguintes:

 

1. Uma farsa; todo o processo eleitoral tem sido conduzido sem que qualquer atenção tenha sido dada às regras básicas que devem presidir à preparação de eleições minimamente correctas.

 

2. Uma tragédia; a população sudanesa vai sair destas eleições mais dividida e com os conflitos cívicos agravados.

 

3. Um factor de instabilidade; as eleições vão criar mais focos de guerra na região, quer internamente quer na vizinhança.

 

4. Uma ironia; estas eleições foram impostas ao Sudão pela comunidade internacional, quando o acordo de paz entre o Norte e o Sul Sudão foi assinado, em 2005; ninguém, no Sudão, via a necessidade de organizar eleições em 2010, quando vai haver, em Janeiro de 2011, um referendo sobre a divisão do país em dois Estados distintos; mas, o Ocidente não quis ouvir e exigiu eleições presidenciais, gerais, etc, em 2010, antes do referendo; só que estas eleições vão tornar o referendo ainda mais difícil de concretizar.

 

5. Uma UE sem prestígio nem influência; Bruxelas não tem qualquer tipo de peso no processo sudanês, embora tenha um Representante Especial para o Sudão, que anda a navegar à deriva, por falta de directrizes claras dos senhores da União.

 

Penso que é importante que se fale nestas coisas.

Andar grego, de crise em crise

 

Há quem não queira ver. A crise fiscal grega está a entrar numa fase de aceleração. E o seu impacto na zona do Euro, que já é muito sério e tem provocado a perda do valor da moeda única em relação ao dólar dos Estados Unidos, ainda está por determinar. Que pode ser potencialmente devastador, não tenhamos dúvidas. Sem contar que estar a expor, de uma maneira evidente, a falta de união e de solidariedade que agora definem a Europa.

 

Ainda hoje, o senhor que está à cabeça do Banco Central Europeu veio negar o que é evidente. Diss, entre outras coisas, que não há risco de cessação de pagamentos, por parte da Grécia.

 

O meu texto da Visão, publicado esta manhã na edição impressa, sustenta o contrário.

 

O leitor tem a oportunidade de ler a minha tese no sítio on-line da revista:

 

http://aeiou.visao.pt/estamos-gregos=f554496

 

Que pensa?

Globalmente pensando

 

Ontem, o jornal i escreveu aquele artigo sobre os portugueses que têm algum peso na cena internacional. Quer na política quer ainda na economia. A verdade é que os media do nosso país não sabem como funciona a governação internacional. Como se estabelecem as relações de poder, que instituições contam e de que maneira operam. Mais grave ainda, as nossas universidades não possuem este tipo de conhecimentos. São meramente livrescas no que ensinam, sem mais. Falam de cor e salteado. Assim continuará a ser muito difícil preparar líderes com capacidade de voar no espaço do universo. O próprio MNE nunca deu qualquer tipo de atenção ao acompanhamento das carreiras dos portugueses que trabalham em organismos da ONU, ou noutros quadros institucionais globais.

 

Cogitava em tudo isto enquanto me ocupava de coisas tão lusas como transferir o meu registo de eleitor do estrangeiro para Portugal, bem como da obtenção de um atestado de residência, que me é exigido pelo patrão que me empregou durante várias décadas. Mas ultrapassei rapidamente esta fase, que se situa ao nível da junta de freguesia, ao ter um encontro com o Conselho da Europa sobre as relações Norte-Sul, seguido de uma discussão com o instituto norueguês que se ocupa das relações internacionais - NUPI, uma instituição que preparou, ao longo dos anos, vários dirigentes noruegueses para uma vida de prestígio público além fronteiras. NUPI está a tentar influenciar a reforma das operações de manutenção de paz. Ou seja, pensa global. A partir de uma capital longínqua, que se chama Oslo...

 

Acabei o dia a discutir refugiados, eleições no Sudão, foi por meio de uma conferência telefónica com Genebra.

 

Digo tudo isto, sem ir ao pormenor, para que se entenda um pouco melhor o que é estar conectado com o mundo. O que não nos impede de estarmos igualmente ligados às coisas que nos estão próximas.

 

 

Às voltas

 

Os grandes títulos da imprensa internacional de hoje continuam a ser sobre a Igreja Católica, a fotografia do Papa aparece nas primeiras páginas de vários jornais de referência, sobre a crise económica internacional, incluindo a paridade do renminbi, a moeda chinesa, com o dólar americano, mais a falta de vigor da economia Europeia, quando comparada com a dos EUA, da China ou da Índia - este assunto merece um editorial de primeira página no Le Monde, com o título bem sugestivo de "Europe, reveille-toi". A estes temas juntam-se os conflitos no Afeganistão e no Iraque, a insegurança no Paquistão, o assassinato da relíquia do apartheid que foi Terre'Blanche, mas acima de tudo o lançamento de uma nova maquineta computorizada, capaz de fazer tudo e mais alguma coisa, o iPad.

 

Ou seja, não há grandes novidades. O que permite tempo para viagens tranquilas e para reflectir. Dois luxos juntos, que no meu caso, são como um milagre. Dever ser da época festiva.

A igreja grande

 

Copyright V.Ângelo

 

Neste Domingo de Páscoa convido o leitor a visitar a Igreja Matriz de Birao, capital da região de Vakaga, na República Centro-Africana, bem perto da fronteira com o Sudão.

 

Com o tempo, a igreja, que como deve ser, está situada na zona central de Birao, perdeu os fiéis. Hoje é um edifício sem vida, numa terra que é cada vez mais islâmica. O Islão conseguiu penetrar ao nível popular, ganhar raízes locais, sobreviver às crises políticas e aos conflitos armados. A região está, hoje mais do que nunca, virada para o Sudão muçulmano. Bangui, a capital da RCA, fica longe, o cristianismo é uma religião de brancos e de gentes das cidades, um mundo distante, estranho, nestas terras bem estranhas.

 

 

Saber esperar

Sábado de Páscoa é um dia de transição, na cultura que nos rodeia. De um lado, uma Sexta-feira em que a esperança é crucificada. Do outro, um Domingo que nos desperta uma nova luz, nos abre horizontes, nos faz acreditar na vida.

 

É preciso saber esperar. Ter coragem. Ultrapassar os momentos difíceis. Acreditar no futuro.

Santos e pecadores

 

Este blog não se mete em questões do foro religioso. Nem mesmo numa Sexta-feira santa, em tempos de Páscoa. A religião é vista como uma decisão pessoal. O que conta é a liberdade religiosa, que inclui o direito e o respeito pelos que não têm fé, e a igualdade das religiões perante a lei. O velho princípio de dar a César o que é de César lembra-nos que é fundamental separar a religião da política. Cada coisa na sua esfera.

 

É verdade que o Vaticano também funciona como um Estado. E como Estado independente, não deve intervir na política interna dos outros Estados. Mesmo se o Vaticano é representado por um dos melhores serviços diplomáticos que conheço, sempre bem informado e com uma grande capacidade analítica. Durante os meus anos de diplomata, tive a oportunidade de ter um número incalculável de discussões com vários Núncios Apostólicos. Fiquei, aliás, amigo pessoal de um deles, que, como eu, tinha uma grande paixão por barcos e pelo mar, além de ser um excelente velejador e um tenista de competição. 

 

Mas não é essa faceta da Igreja que sobressai, para o comum dos mortais que nós somos. Para cada crente, é a parte religiosa que é valorizada, que toma a primazia.

 

Sem violar a minha regra, penso que a Igreja Católica está, neste momento, a enfrentar um problema muito sério, à volta das questões da pedofilia. A hierarquia deve debruçar-se sobre o assunto e tomar uma posição inequívoca. É preciso definir uma posição oficial e assumir as responsabilidades. Esta não é uma matéria de fé. É uma questão legal e social da maior importância.

Refúgios

 

Passei o dia a andar de um lado para o outro, em Bruxelas. A cidade está cada vez mais internacional, diriam os que vivem à volta das instituições europeias. Mais pubs, mais europeus do Norte, mais inglês a ser falado nas ruas, nos restaurantes, nos escritórios, até mesmo nas consultas hospitalares. Mais recursos financeiros, poder de compra. Mas quem vive nos bairros mais afastados da zona UE vê as coisas de outra maneira. Pensa em termos de véu integral, de bairros imigrantes, do Islão que se torna cada dia mais visível, dos africanos que fazem barulho nas ruas, das gentes que não têm um ar local. Descurtina pobreza, violência e insegurança. O cidadão sente que a cidade se transformou numa torre de Babel, numa selva estranha. A cidade passa a ser uma aglomeração de ghetos, em que cada identidade procura refúgio no seu bairro  e aí encontra força para recusar os outros. É uma caracteristica nova, que se está a tornar frequente em certas urbes desta parte da Europa.

 

 

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