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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Interrogações

Dez minutos de televisão, às 20:00 horas, valem uma fortuna. Em todos os sentidos. É horário nobre. A televisão oficial portuguesa, a RTP1, passou os primeiros 10 minutos do telejornal da noite, a falar do novo treinador de um clube de futebol de Madrid.

 

No mesmo dia em que os soldados de Israel tomaram de assalto um barco de ajuda humanitária, em águas internacionais. Uma acção militar contra civis que causou a morte de pelo menos 9 pessoas. Um incidente que motivou uma reunião de urgência do Conselho de Segurança, em Nova Iorque, num dia em que a ONU estava encerrada por motivo de feriado americano. Que fez reagir as principais chancelarias da UE, sem mencionar os países fora da União.

 

O acontecimento foi notícia de abertura em todos os telejornais da Europa que consegui monitorizar.

 

Que pensar sobre tudo isto?

 

 

Um apoio formal

A decisão da Comissão Nacional do Partido Socialista de apoiar a candidatura de Manuel Alegre deu a impressão de ter sido uma mera formalidade. Não houve entusiasmo que se visse. Nem o colorido e o ruído animado que uma ocasião dessas faria esperar. Foi apenas o despachar de um assunto que estava pendente há algum tempo e que precisava de ser evacuado.

 

Estranho.

 

No alto mar

Há alturas em que convém fechar para balanço. Parar, fazer as contas ao negócio e à vida, pensar no futuro, ver como mudar de rumo.

 

Só que um país, sobretudo se for membro da UE, não tem portas nem barreiras. O balanço faz-se em movimento. Para utilizar a imagem de Van Rompuy, estamos a construir uma barcaça salva-vidas em pleno mar, quando o navio-mãe está com rombos muito sérios a estibordo. É preciso, numa situação dessas, manter o sangue-frio. Não é fácil.

De padres e de políticos

O Cardeal-Patriarca, envergando a sua mitra de líder religioso, falou hoje sobre uma decisão política recente do Presidente da República. O homem da Igreja criticou o Chefe do Estado, através da Rádio Renascença, uma emissora católica portuguesa, por este ter homologado a lei que autoriza os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. As suas palavras tiveram um impacto político de alguma relevância. Podem, amanhã, ser exploradas ainda mais a fundo.

 

Nestas coisas de fé e de política, a melhor solução é a separação. Quando os políticos se metem na religião e os padres se perdem na política, estão ambos a contribuir para aumentar a confusão, que no nosso País, neste momento, já é bem grande.

Exemplos

O Presidente Barack Obama teve, hoje, uma conferência de imprensa difícil. O grupo de jornalistas que segue a Casa Branca, gente de grande valor profissional, não o poupou. As questões centraram-se no desastre ecológico que tem estado a acontecer no Golfo do México, no seguimento da rotura que ocorreu numa das plataformas de exploração da BP. O encontro procurou esclarecer se o Presidente e a sua equipa haviam, ou não, estado à altura, respondido com a atenção e os meios que a catástrofe requeria.

 

As perguntas foram feitas de um modo muito directo, informado, com recurso ao contraditório, sem papas na língua, mas sem agressividade, com respeito pela função presidencial. Um exemplo de como se faz jornalismo responsável. Barack Obama não fugiu nem procurou ludibriar a opinião pública. Esclareceu, manteve a calma, foi cordial e claro. Assumiu as responsabilidades, com serenidade, sem jogos de espelhos. Um exemplo de como se faz liderança política.

Temos que estar atentos

Os adolescentes criativos que mencionei ontem, duas raparigas e um moço, a Elisa Tavares, a Mariana  Oliveira e o Mário Ferreira, ganhadores de uma competição europeia, estudam e vivem em Aveiro. A cidade e o distrito têm-se distinguido, nos últimos anos, por um dinamismo acima da média, incluindo nas áreas da multimédia e informática.

 

Ao escrever isto, lembro-me do caso de Bangalore, no Sul da Índia. Cerca de dois milhões de jovens trabalham em Bangalore na programação e nos serviços informáticos. Tem havido uma transferência de capacidades da Silicon Valley, na Califórnia, para esta cidade da Índia. Centenas de milhares são diplomados do ensino superior, engenheiros de todo o tipo. Outros, a trabalhar nos call centre, falam inglês com o sotaque mais apropriado aos ouvidos dos clientes, por esse mundo fora, a quem prestam informações. O segredo do sucesso é muito simples: um investimento na educação das novas gerações, de modo a prepará-las para um mundo global. 

 

 

 

 

 

Criativos, sem crise

Hoje e amanhã, Bruxelas discute "as estratégias para um mundo pós-crise". Que raio de título.

 

Apesar de ser um tema estratosférico, perdido no infinito, o fórum atraiu cerca de 1400 participantes de todo o tipo, incluindo 400 profissionais da comunicação social. Entre os oradores, havia vários académicos americanos. E uma boa representação de Indianos, que trabalham no Ocidente e pensam como se fossem desta parte do mundo. Os Indianos estão, de facto, a dominar o pensamento macro-económico ocidental. Nas universidades mais conceituadas, no FMI e Banco Mundial, mas também nas grandes organizações da finança privada.

 

Deixando de parte as ideias, que se repetiram ao longo dia, pois todos parecem ler a partir da mesma cartilha, e falar em código, para não assustar os cidadãos que irão pagar a crise, senti-me animado quando, de entre quase dois milhares de concorrentes, numa competição europeia de fotografia sobre o euro, foi anunciado na sala que a equipa portuguesa ganhara o primeiro prémio. Três jovens lusos, no começo da adolescência, que o concurso era para essas idades, vieram ao palco e receberam a ovação da sala. Tinham chegado de Lisboa no Domingo, e estavam de tal modo emocionados que dava vontade de lhes dizer "não precisamos de palavras, a vossa composição é uma ponte de cores e uma via que abre a imaginação". Mas o rapaz do grupo acabou por falar, em inglês, como soube, e falou com muito jeito. Portugal saiu-se bem, desta crise.

 

Creio que, quando alguns dos nossos políticos falam das indústrias criativas, deveriam ter estes três jovens como um exemplo do que as novas gerações podem fazer, se devidamente apoiadas.

 

 

Os especialistas do caos

Crise nas Coreias. Uma questão muito séria em matéria de política internacional e de estabilidade no Extremo Oriente. Um desafio à autoridade da lei internacional.

 

O euro a baixar novamente, reflectindo a perda de confiança no espaço económico europeu, que, de repente, parece a todos que nunca foi verdadeiramente um espaço económico, apenas um grande mercado.

 

O FMI a aconselhar a Espanha, para que torne menos restritivas as leis laborais e a contratação colectiva, diminua as indemnizações aos que são despedidos. E a lembrar a Madrid que os bancos estão com a saúde abalada. Precisam de proceder a fusões, reestruturar-se, recuperar a solidez.

 

Em Lisboa, continuamos a viver a mesma confusão a que já nos fomos habituando. Os dirigentes metem os pés pelas mãos, parecem que andam às aranhas, dizem coisas que ninguém aceita nem crê, perdem crédito e pontos quotidianamente. Não é bem uma crise. É o caos em auto-gestão.

Terras bem ordenadas

Ao percorrer, ontem à tarde, a campina entre Tervuren e Lovaina, em terras da Flandres, a duas dezenas de quilómetros da capital, notei a variedade colorida dos campos, todos explorados com rigor e de modo racional, a tranquilidade das aldeias, com as casas renovadas nas últimas décadas, que o dinheiro fresco é primeiro para investir na habitação, as flores a espreitar o viajante que passa, tudo muito arranjado e limpo, que a beleza e o ordenamento da paisagem fazem parte do enriquecimento da vida.

 

Não sei bem porquê, mas acabei a pensar no meu amigo L. Jantara com ele, uns dias atrás, no bulício jovem das docas de Lisboa. Entre umas garfadas no polvo à lagareiro e uns olhares mais atentos ao mundo que passava ao lado da mesa, o L. queixou-se dos povos do Norte da Europa. Que, agora que estamos em crise, mostraram mais uma vez o desprezo que têm pelas gentes do Sul, a arrogância de quem pensa que no Sul não se trabalha, não há disciplina, não existe sentido cívico nem respeito pelos outros. Acrescentou, ainda, que o novo filme sobre o Robin dos Bosques, que não vi, revela bem todos esses preconceitos, bem como o anticatolicismo do Norte, o antipapismo. O L., que é uma das pessoas mais argutas que conheço, vê assim as relações entre o Norte e o Sul.

 

Da próxima vez, iremos continuar a nossa conversa nestas campinas, que tanto dizem.

Sobre o Euro e o resto

O meu texto na revista Visão desta semana percorre os desenvolvimentos recentes à volta da desvalorização do Euro e dos políticos.

 

Como o escrito é lido em Bruxelas e noutros corredores do poder, é importante ir além da crítica. Tento, assim, esboçar uma ou duas propostas. Mas acima de tudo, o que é preciso é calma, bem como vistas largas, que nos façam entender as tendências e não apenas o dia-a-dia.

 

A calma é a melhor receita quando a situação é complexa. Um olhar para lá do horizonte ajuda a colocar o problema numa perspectiva mais englobante. Só o especulador, de todo o tipo, é que trabalha na base do curtíssimo prazo.

 

Claro que gostaria que tivessem a paciência de ler o meu trabalho. E mesmo, de fazer um pequeno comentário.

 

http://aeiou.visao.pt/a-europa-pela-positiva=f559886

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