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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Não me falem da crise!

Certos senhores, aqui entre nós, pensam que não se deve falar todos os dias da crise. Que nos estamos a transformar num muro de lamentações, a cultivar a crítica e o pessimismo, a não pensar no lado positivo das coisas. Que não vemos o valor que cada décima estatistíca tem, em termos de crescimento da economia e de boa política.

 

Esses senhores não conhecem, de facto, a crise. Ocupam posições sólidas, vivem com desafogo, gostam do que é bom e bonito.

 

Compreendo que os incomode que se fale de quem sofre, do desemprego, das dificuldades dramáticas em que muitas famílias se encontram, dos pequenos empresários que já nem sabem por que razão mantêm as portas abertas, do pavor que representa uma taxa de juro em alta.

 

Em África e noutros países de grande miséria encontrei, igualmente, gente assim. Achavam mal quando se lhes falava da luta contra a pobreza, da falta de condições em que viviam a maioria das famílias. Do estado alarmante da saúde pública. Acusavam-nos de navegar e pescar nas águas do pessimismo. De termos uma postura estruturalmente negativa. De viver à custa de relatórios alarmistas. Nalguns casos, chegavam a acusar-nos de falta de respeito pelo país em causa. (São senhores que gostam de cavalgar no patriotismo arrebatado).

 

Mas a crise não precisa de vuvuzelas para se fazer ouvir.

 

 

Lixos

Lixo. O meu escrito vai directo, hoje, ao lixo.

 

Visitei, esta tarde, o vazadouro público da Região de Bruxelas. É o local onde as famílias e as microempresas podem (e devem) despejar gratuitamente tudo o que não é recolhido porta-a-porta. Móveis, o que tenha sobrado de obras em casa, latas de tinta, aparelhos electrodomésticos, velhas bicicletas, grandes quantidades de papel, malas de viagem, metais, pneus, enfim, tudo aquilo que enche as caves e os sótãos dos agregados domésticos. Não aceitam, no entanto, os restos da política que nos confunde todos os dias. Nem as decisões opacas dos eurocratas. São matérias dificilmente recicláveis.

 

Aberto cinco dias por semana, presenciam-se, a todo o momento, filas de carros particulares à espera de vez.

 

É impressionante e preocupante ver a quantidade de lixo que as famílias urbanas europeias produzem.

 

Mas é interessante ver o início dos processos de reciclagem, com imensas oportunidades de negócio, que começam no vazadouro da grande cidade. Como também é curioso ver a disciplina das famílias, que aderem ao programa sem hesitações.

Olhar de águia

 

Copyright V. Ângelo

 

O governo alemão enviou, hoje, uma mensagem forte à França e aos outros governos da UE, bem como aos mercados financeiros. A Alemanha, apesar da sua economia forte, vai reduzir as despesas públicas de cerca de 80 mil milhões de Euros, durante os próximos quatro anos. São tempos de contenção.

 

Ao mesmo tempo, o Primeiro-Ministro inglês anunciava que a situação das finanças públicas na Grã-Bretanha é muito grave. O orçamento de Estado, que vai ser anunciado no final do mês, terá que exigir muitos sacrifícios, acrescentou.

 

Entretanto, o Presidente do Eurogrupo, Juncker, avisava Portugal e a Espanha. Disse que os orçamentos de 2011 têm que continuar a cortar nas despesas, a consolidar as receitas. Ou seja, a exigir mais medidas drásticas. Muito difíceis, os dias de amanhã.

 

Vai ser preciso manter um olhar vivo sobre uma crise de grande complexidade.

 

 

Andar no deserto

 

Copyright V.Ângelo

 

A última missão que fiz no Chade levou-me ao deserto de Ouara, nas terras do Sultão de Ouaddai. Encontrei alguns dos habitantes. Sim, aqui vivem pessoas.

 

É uma zona de rara beleza, onde nos sentimos bem, mas com uma noção mais clara da nossa pequena dimensão. O deserto ensina-nos a o valor da modéstia.

Ao encontro da esperança

Estive em contacto com o meu amigo F. Havia muito que não falávamos.

 

É um homem cheio de força, apesar dos seus 50 e muitos, muitos, nascido em Lisboa, junto ao Tejo, educado desde criança no que era então a Rodésia do Sul, combateu na guerra civil, e continuou em Harare até surgir a crise recente. Vive há vários anos, seis ou sete, numa província do centro de Moçambique. Chegou lá sem nada. Começou por plantar milho, negociar em tabaco e alfaias agrícolas, hoje tem vários interesses, e é membro do Conselho Regional de Empresários, um órgão consultivo junto das autoridades da região.

 

Continua cheio de projectos. E de fé no futuro de Moçambique.

 

Fez-me pensar nos muitos de nós, portugueses, que fazemos um mundo no mundo. Que acreditamos que é preciso arriscar, empreender, tentar novos horizontes, ser estrangeiro de sucesso nas terras que nos acolhem. Também me fez pensar num país que estava no fundo do buraco e conseguiu dar a volta ao seu destino e ser um exemplo em África.

 

Foi um reencontro com a esperança. 

Diversidades

Esta tarde, passei cerca de uma hora a observar a multidão que percorria a Rue Neuve, em Bruxelas. Esta artéria é a zona comercial por excelência da capital belga. Situada exactamente no centro da cidade, estava, hoje como sempre, cheia de gente. Havia de tudo, de todas as origens, de culturas muito diversas. Sobretudo, muitos jovens.

 

Como é possível que haja tanta gente a passear e a fingir que faz compras, durante as horas de trabalho? Esta foi uma das interrogações que me passou pela cabeça. A segunda foi, como Bruxelas mudou! Ainda me lembro da cidade quando os metecos, como eu, eram a excepção. Quando a polícia identificava sistematicamente quem tivesse cara de ser de fora. Agora seria uma tarefa infindável.

 

A presença de comunidades das mais variadas extrações é actualmente uma das características da velha Europa. A variedade trouxe abertura de espírito, riqueza cultural, e mão-de-obra jovem. Não nos podemos esquecer disso, nesta altura em que as crises podem fazer voltar os velhos espantalhos do racismo e da xenofobia.

Os intelectuais da praça pública

Muitos dos nossos intelectuais confundem propaganda com análise e argumentação. Acabam por imitar os políticos e contribuir para a falta de serenidade. Comportam-se como meros agitadores, a contribuir, à sua maneira, para o obscurantismo reinante.

 

São, alguns deles, professores, o que é ainda mais estranho. Deveriam ser gente lógica, informada e capaz de explicar um problema. Se o que dizem aos alunos é equivalente ao que escrevem como opinião, pobre ensino!

Reflectindo sobre o nosso futuro

A Visão desta semana dedica três artigos de fundo à situação na Europa. Sou um dos autores.

 

O meu texto reflecte com base nas últimas discussões de alto nível, que acabam de ter lugar em Bruxelas. É um texto que abre alguma polémica. Mas com serenidade, que a gravidade da crise não se resolve nem com frases feitas, slogans, ilusões populistas, nem com com ingenuidades. De igual modo, exige mais do que uma vista simplesmente economicista da crise.

 

Convém, também, ver quais são as mensagens que certos políticos portugueses poderiam ouvir, com algum proveito.

 

Convido os meus leitores a percorrer o meu escrito. O sítio é:

 

http://aeiou.visao.pt/a-europa-da-divida-e-da-duvida=f561153

Mais uns cavacos para a fogueira

O artigo de Mário Soares, no DN de hoje, vem acrescentar mais confusão. As razões ou motivações ficaram por esclarecer. Mas o impacto, ao fragilizar ainda mais o Secretário-geral do PS, é grande.

 

Entretanto, o candidato ainda não disse uma palavra de agradecimento pelo apoio, mesmo se pouco entusiástico, que o PS lhe trouxe.

 

Vivemos num país que parece andar fora-de-jogo. Se assim continuarmos, não iremos longe. Nem no campeonato do mundo nem na resposta à crise.

 

Um que parece completamente fora das marcas é o Secretário de Estado do Emprego. O homem disse, no dia em que as estatísticas europeias afirmaram que o desemprego em Portugal continuava a aumentar, que os dados do governo mostram uma diminuição do número de desempregados. Sem mais, que dar conteúdo às frases feitas não está nos hábitos.

 

E a Ministra da Educação não quis ficar para trás. Meteu mesmo a mão à bola, a pedir uma grande penalidade, ao anunciar que uma centenas de escolas irão fechar num futuro breve. Em política, timing é um factor chave. A senhora escolheu o pior timing, a altura errada, ao acrescentar mais esta acha para a fogueira da inquietação nacional. Como se a agitação social precisasse de mais combustível.

 

Com jogadores assim , mesmo que o árbitro finja que não vê, o público assobia. Forte e feio.

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