Portugal é grande quando abre horizontes

21
Jul 10

O pombo da historieta do Marcel leu o meu blog sobre o fim trágico do gato e protestou. Disse-me que eu, como todos os outros, só escrevemos sobre os bichos assanhados e predadores, nunca contamos a lenda da vida do ponto de vista dos pombos. É, acrescentou, o nosso fascínio medíocre e bacoco pelo poder que nos faz viver a vida a olhar para os grandes e a esquecer as opiniões dos que esvoaçam de grão em grão, para tentar sobreviver.

 

O Zé - o pombal é feito de Zés e Marias - nunca confiou nas manhas suaves do Marcel. No passado, quando ambos eram mais novos, até lhe achava uma certa graça. Mas, confiança em gatos, como em políticos, nunca. Passou a confiar ainda menos, nos últimos tempos, quando sentiu que Marcel andava irritado e tentava abocanhar tudo o que lhe passava pela frente. Sentia que o peludo estava a atravessar uma crise, que com o tempo havia perdido o sentido das proporções e do bom senso. Era um gato cada vez mais isolado, que confundia o ensimesmamento e o valor do seu umbigo com qualidades de felino acima da média. Via-se numa classe à parte, capaz de puxar sozinho pela vida e pela sorte.

 

Não era, afinal, mais do que um pobre animal doméstico, como todos os que por aí aparecem, por muito que se julgasse um leão das savanas sem fim. 

 

O Zé fugiu ao assalto e viu, de longe, a queda para o vazio que havia de fazer sair o Marcel da narração. Pensou que, por vezes, não são os pombinhos quem paga os custos das lendas que por aí se contam.

publicado por victorangelo às 21:32

20
Jul 10

Hoje andei fora do mundo. Mas mesmo assim, tive tempo para uma breve digressão pela situação na Alemanha. As notícias são boas. Nada que ver com aquilo que nos rodeia, por aqui. Existe trabalho, há encomendas, as pessoas não param nem desanimam e a economia continua a funcionar a um bom ritmo. Até a classe política parece empenhada em coisas sérias.

 

Pensei que Portugal também poderia ser assim. Como o digo de vez em quando, é tudo uma questão de liderança, de trabalho e de respeito pelos outros.

publicado por victorangelo às 22:38

19
Jul 10

Marcel sempre foi muito determinado. Quando punha os olhos num objectivo, fazia tudo e inventava o resto, para não deixar escapar a ocasião. Tinha energia e argúcia para dar e vender, o que o colocava sempre à frente dos outros. Se tivesse enveredado pela política, seria um chefe assanhado, como os que por aí andam.

 

Quando viu o pombo no bordo da varanda, não hesitou. Foi um salto bem preparado, com o optimismo de quem sabe que a presa é sua. O optimismo de quem vê um ponto mas esquece o conto. Tacticamente correcto, estrategicamente trágico.

 

O pombo já lidara com outros da mesma pinta. Salvou-se a tempo. Marcel viu-se, de repente, no vazio, cheio de força mas sem apoios.

 

Veio por aí abaixo.

 

Dizem que os gatos têm sete vidas, mas esta varanda era de um oitavo andar. Quando chegou à altura do primeiro piso, depois de embater no estendal de roupa que a vizinha do terceiro mandara instalar contra a vontade do condomínio, tinha esgotado as sete oportunidades. Havia altura a mais. São sempre os últimos metros que acabam por ser fatais.

 

Já todo desfeito por dentro, ainda teve ânimo suficiente para se arrastar até à porta da entrada do prédio. Quando se tem espírito de combatente, vai-se até ao fim, mesmo sabendo que está tudo escaqueirado. Não se dá o braço a torcer.

 

Quando o Mário, que tanta estima tinha pelo bicho, chegou ao rés-do-chão, com o coração na boca e sabedor do que iria encontrar, foi para recolher o último olhar.

 

Embora Marcel fosse um gato muito orgulhoso, não creio que o olhar tivesse as cores da vitória.

publicado por victorangelo às 21:57

18
Jul 10

Mais de quarenta pessoas foram detidas, nas últimas noites, nos transportes públicos das Linhas de Sintra e Cascais. O elevado número de detenções, em poucos dias e em apenas duas zonas da Grande Lisboa, dá para pensar. Parece haver muita gente fora da lei. De cada vez que se lança a rede, apanha-se muito caso, muita ilegalidade.

 

Haveria necessidade de organizar mais operações deste género, com maior regularidade.

 

Mas a outra questão que também surge é a dos meios disponíveis. Será que a PSP e a GNR têm os meios adequados? E, já agora, mais uma pergunta. Por que não se discute a questão da cooperação operacional entre estas duas forças, numa altura em que a falta de recursos e a escassez das finanças públicas exigem uma maior coordenação e uma racionalização dos meios existentes? Parece haver receio de discutir este assunto. Qual será a razão?

 

 

publicado por victorangelo às 22:13

16
Jul 10

Com uma nação a ilustrar o ditado que na casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, o melhor é declarar o fim-se-semana aberto, ir comer uma coentrada de cação lá para longe, ainda há quem goste e o peixe não é caro, e voltar no Domingo à noite.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 12:17

15
Jul 10

Escrevo, hoje, na Visão, sobre a campanha portuguesa que esta' a decorrer, com vista 'a conquista de um assento no Conselho de Segurança da ONU. Trata-se de assegurar a nossa presença durante o biénio 2011-2012.

 

No artigo, explico as vantagens de um lugar no Conselho.

 

Estamos a concorrer em competição com a Alemanha e o Canada'. Como so' existem dois lugares disponíveis, um destes três países vai ficar de fora. Qual sera'?

 

O texto pode ser lido no seguinte sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/portugal-rumo-ao-conselho-de-seguranca=f566030

 

publicado por victorangelo às 22:07

14
Jul 10

No país parado existem vários circos. Estamos, aliás, numa fase em que há mais feira do que pão. Um deles tem como cabeça de cartaz o bufão optimista. Malabarista profissional, é um artista com cara de mau, dentes arreganhados, olhar esgazeado, senhor de grandes raivas, que gosta de nos entreter. Conta-nos historietas sobre uma décimas de umas vígulas e umas luzes que brilham na escuridão que todos vêem. O circo a que pertence está falido, mas continua a dar espectáculos. É a dinâmica que resulta da inércia dos outros.

 

Na minha visita de hoje ao Norte do distrito de Leiria, vi, como em muitos outros sítios, um país mais ou menos em ponto morto, sem actividade, com negócios que são uma sombra do que eram, com muita coisa para vender e poucos para comprar. Até a afluência de emigrantes, que nesta altura do ano enche as aldeias com carros de matrícula estrangeira, faltou à chamada.

 

Se o circo dos que nos distraem todos os dias por lá passasse teria certamente visto o lado positivo das coisas. Esta tem sido uma região de grande energia humana e, por isso, um abrandamento da economia local permite aos residentes descansar um pouco e ganhar novo fôlego.

 

De facto, não há nada como uma palhaçada optimista. Só que os palhaços, nos nossos hábitos e tradições, são gente que nos faz rir.

publicado por victorangelo às 22:30

13
Jul 10

O Centro Comercial Dolce Vita, na Pontinha, é um gigante com pés de barro. Tem centenas de lojas, algumas de muita qualidade, mas está localizado numa zona de captação de clientes que é conhecida por ser de gente modesta, sem grandes meios. A falta de poder de compra reflecte-se nas lojas, que estão a maior parte do tempo às moscas.

 

É, além do mais, difícil de localizar e ainda mais difícil de encontrar o caminho de regresso a certas zonas de Lisboa.

 

Para quem tem espírito aventureiro, recomenda-se a visita.

publicado por victorangelo às 23:16

12
Jul 10

Anda-se com a impressão que nos estão a mentir. Que a situação económica é bem mais grave do que nos dizem. Mas sobretudo, que a situação financeira está de rastos, mas que os que sabem fingem que assim não é. Não há crédito que se veja, os bancos estão pouco menos que parados, sem actividades de monta, a imagem internacional do país está profundamente abalada, agora ainda mais com a sentença do Tribunal Europeu sobre o uso ilegal da "golden share" na PT, Portugal volta a ser notícia em tudo o que é informação económica, pelas piores razões, e os políticos estão cada vez mais emocionais, irracionais e a espumar raiva. Ninguém acredita em ninguém, não há confiança, mas andamos todos a fingir que o que conta, nesta altura do ano, é a praia e o bronzeado.

 

 

publicado por victorangelo às 23:21

11
Jul 10

O Domingo começara mal. Com preocupações. Mas acabou bem, incluindo a vitória da Espanha, no Mundial da bola e da mediatização. Com vizinhos assim, é bom ser Português.

 

Terminou, deste modo, o tempo do futebol. Poderia ser mau para os que nos governam, pois passa a haver mais tempo para pensar na vida. Felizmente que o calendário das férias e das praias vai manter as mentes ocupadas durante umas semanas mais.

 

Depois se verá. A arte da política é a de saber adiar os problemas.

publicado por victorangelo às 23:23

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