Portugal é grande quando abre horizontes

12
Ago 10

Desta vez, o meu texto na Visão é sobre a emigração e a integração de comunidades culturalmente muito diferentes nos países europeus.

 

A Europa não está habituada a viver com populações de várias origens étnicas, num mesmo espaço nacional.  Mas vai ter que se habituar. O que aconteceu nos últimos 15 anos, com a chegada em grandes números de gentes vindas dos cantos mais escondidos do globo, é irreversível e vai alterar completamente o tecido humano de muitos dos estados-membros da UE. A homogeneidade étnica e cultural deixou de existir.

 

O que se pede é que os dirigentes políticos não explorem para fins eleitoralistas esta nova realidade social. E que não se enverede por um patriotismo mal enjorcado, populista e segregador. Esse tipo de patriotismo tem sempre levado ao desastre.

 

http://aeiou.visao.pt/xenofobia-e-a-arma-dos-curtinhos=f568978

 

Boa leitura.

publicado por victorangelo às 21:32

11
Ago 10

Começou o mês do jejum muçulmano, o Ramadão. Quando o Ramadão cai num período de Verão, a penitência é mais difícil. Sobretudo, por não se poder beber durante as horas do dia.

 

 Este ano, um dos países islâmicos de maior população, o Paquistão, está a atravessar uma grande crise interna, que põe em jogo a sobrevivência de cerca de 14 milhões de pessoas. As chuvas torrenciais têm sido de uma intensidade extrema. As cheias, que daí resultaram, destruiram o modo de vida de populações que, já à partida, viviam em condições de grande pobreza e precariedade. Nem dá para pensar no Ramadão.

 

Há outras regiões do país que também poderão ser afectadas.

 

Trata-se de uma situação de urgência humanitária de grande envergadura. É preciso mobilizar muitos meios.

 

A ONU lançou hoje um apelo humanitário de 460 milhões de dólares, para que se possa ajudar os que estão em risco. As primeiras indicações são de que a resposta ao apelo vai ser diminuta e demorada. Para já, apenas quatro países estão a responder. A UE, para além de uns meros 5 milhões de euros que prometeu disponibilizar, está a mostrar, uma vez mais, que a ECHO, a organização humanitária da UE, e as estruturas de resposta a crises não funcionam com a celeridade que seria de esperar. Nem são eficientes. Nem na resposta às cheias na Polónia e na Alemanha, nem no caso dos incêndios em Portugal -- seria a altura ideal para mostrar que existe uma visão mais ampla de combate às catástrofes, juntando os meios de vários Estados, vendo a catástrofe como um problema transnacional e não apenas nacional. Quanto mais na ajuda a um país distante, de gente com uma cultura estranha, homens com ar de extremistas religiosos, de barbas e cara de poucos amigos do Ocidente.

publicado por victorangelo às 21:50

10
Ago 10

 

Copyright V. Ângelo

 

Até da minha janela se nota que este monumento, emblemático como é, está sujo e pouco cuidado. Ora, todos os que visitam Lisboa são levados a ver esta obra e depois ficam sem perceber que país é este.

 

 Em seguida, atravessam o túnel, para o jardim em frente dos Jerónimos e ficam a perceber melhor. As escadas que conduzem ao túnel e o corredor estão sujos e manchados de porcaria. A única consolação é o cantor ceguinho que aí passa os dias e a quem se daria uma fortuna para que deixasse de cantar. Tem, no entanto, bons pulmões, que a sujidade que o rodeia não é tóxica.

 

Chegados ao jardim, os nossos visitantes podem constatar que os "jardineiros" que se ocupam de o manter não sabem o que é jardinagem. Mas devem ter umas cunhas boas, o que lhes permitiu arranjar emprego na Câmara de Lisboa, que é, por si mesma, diz-se e fala-se, será verdade?, um porto de abrigo de dirigentes  incompetentes, desleixados e sem espírito de missão.

 

Mais, o lago dos nenúfares parece um tanque velho de uma quinta meio abandonada. Será que as plantas aquáticas precisam de lixo para ganhar mais vigor?

publicado por victorangelo às 21:57

09
Ago 10

Recebi hoje uma mensagem do Tibete. Dizia o óbvio, mas que é bom lembrar de tempos a tempos: há polícias armados por toda a parte, a segurança e a vigilância são muito apertadas. Por que será?

publicado por victorangelo às 21:26

08
Ago 10

Esteve um dia feio e caíram umas pingas em Lisboa. Deixaram os automóveis sujos de pó castanho. Ou seja, o ar que respiramos está cheio de poeira. Respiramos poluição em Lisboa. Em sentido simbólico, sim, é um facto que nos andam a poluir a vida, mas também no sentido da realidade física. Estamos intoxicados.

publicado por victorangelo às 21:45

07
Ago 10

Continuo a minha descoberta de um lado e do outro da fronteira. Como também continua, em Portugal, a saga triste da acusação pública, a procuradoria da república, que tem elementos que estão mais preocupados com questões de protagonismo e de imagem nos media do que com a isenção da justiça. São procuradores mais políticos do que objectivos. Disponíveis para fazer favores a quem manda.

 

Estão no sítio errado. Deveriam ser obrigados a sair da justiça e bater-se na frente partidária. A agir abertamente nos partidos de quem são tão amigos.

 

E os senhores do governo continuam a fingir que não vêem. A manter uma serenidade de estátua de pedra de granito perante uma problemática que diz respeito a uma função essencial do exercício do poder do Estado.

 

Convém-lhes. É que muitos anos de poder da mesma matiz deram para fazer entender aos senhores da acusação pública que é conveniente ser dócil para com o poder estabelecido. Faz bem às carreiras e à tranquilidade das suas vidas.

 

No Zimbabwe e no Chade, por exemplo, também é assim.

publicado por victorangelo às 22:03

06
Ago 10

Sempre considerei a diplomacia de qualidade, activa, baseada em princípios, orientada para a obtenção de resultados, como uma forma de fazer política com elegância e com os olhos postos na resolução de conflitos. Trata-se de levar o outro lado a reconhecer o mérito, o valor, da posição que defendemos. A diplomacia é uma construção incessante de consensos. Assim deveria ser a política.

publicado por victorangelo às 21:55

05
Ago 10

Que calor! Com o país a arder e a justiça num inferno, andamos todos afogueados.

publicado por victorangelo às 21:23

04
Ago 10

Estou de viagem.

 

Entretanto, o meu sobrinho Jorge, que comanda a Pégaso, um barco patrulha da Marinha, interceptou, ao largo de Vila Real de Santo António, uma lancha rápida, com dois poderosos motores de 200 cavalos cada, que vinha, aparentemente, de Marrocos. Com dois tripulantes, transportava, de modo dissimulado, 1,5 toneladas de haxixe.

 

 Estas lanchas, difíceis de apanhar, por causa da força dos seus motores, são, actualmente, um dos meios preferidos dos traficantes de droga. E Portugal está na rota dos traficantes, quer eles venham do Norte de África quer da América do Sul. Neste último caso, os fora-de-bordo vão ao encontro dos navios provenientes da América do Sul, fazem o transbordo no alto mar e regressam, a toda a velocidade, a pontos isolados da nossa costa.

 

O peso do tráfico de droga na economia clandestina do nosso país está por determinar. Quer o trânsito da mercadoria para outros destinos europeus quer o mercado interno alimentam, em Portugal, uma economia paralela, criminosa, cuja dimensão me parece cada vez mais importante.

publicado por victorangelo às 22:13

03
Ago 10

As confissões do Procurador-Geral da República, que hoje apareceram sob a forma de uma entrevista ao DN, confirmam o estado confuso e inaceitável em que se encontra o nosso sistema de administração de justiça. Ora, a boa governação passa por uma justiça clara, que funcione com celeridade e isenção.

 

Falo na governação, porque, na realidade, a responsabilidade recai sobre quem nos governou e governa. Não haja equívocos. Se a justiça portuguesa tem as dificuldades que tem, e se perdeu a credibilidade que deveria ter, que lhe é indispensável, o dedo da culpa deve apontar na direcção dos políticos.

 

Em muitos países onde trabalhei, uma parte importante da reconstrução do Estado e da autoridade legítima passava por dar prioridade à reforma do sector de justiça. Mas, claro, isso era em países que haviam atravessado uma crise nacional profunda, terras longínquas, de gentes de outras cores. Que ideia pensar que tal pode acontecer num país europeu...

 

A não ser que Portugal também esteja a atravessar uma crise nacional profunda sem que os portugueses que mandam se dêem conta.

publicado por victorangelo às 20:53

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