Portugal é grande quando abre horizontes

26
Set 10

Não se trata da história de Caim e Abel, mas sim de David e Ed Miliband. Dois irmãos que queriam liderar o Partido Trabalhista. Estamos em 2010, o mês é Setembro, não nos primórdios da humanidade. Mas há certas semelhanças, diriam alguns. Os Miliband são a primeira geração da família que nasceu na Inglaterra. O pai viera para o Reino Unido em 1940, num dos últimos barcos a sair da Bélgica, antes da chegada dos Nazis. A mãe é de origem polaca.

 

A campanha eleitoral que havia de conduzir à liderança durou vários meses. Foi um Verão de inquietações. Difícil para os dois, que família e política são uma combinação perigosa. Ontem teve lugar a contagem dos votos. Ed, o mais novo dos dois, surpreendeu toda a gente e ganhou por umas décimas. 50,65% contra 49,35%. Ambos mereciam ganhar. Quer um quer o outro revelaram ser políticos de grande nível. Mas, nestas coisas não é possível ter dois vencedores. Quem ganha tem a responsabilidade de aglutinar o partido à volta de uma plataforma comum.

 

David, que havia sido ministro dos negócios estrangeiros de Gordon Brown, um bom ministro, era o candidato da continuidade. Pelo menos, assim era entendido. Revelou-se como sendo a escolha da corrente central do partido. Dos deputados trabalhistas. Ed, tido como mais à esquerda, ganhou porque conseguiu o apoio dos sindicatos.

 

A eleição de Ed Miliband marca, não tenho dúvidas, uma ruptura com a herança deixada por Blair e Brown. Significa, acima de tudo, que a Esquerda trabalhista quer abrir uma nova página, com líderes mais capazes de se sintonizar com as preocupações populares. Blair e Brown são certamente homens muito inteligentes e bem preparados para a vida pública. Mas perderam o contacto com os eleitores, com as ansiedades populares. Numa altura de crise, é preciso estar atento e em ligação com as pessoas mais vulneráveis. 

 

A eleição de Ed continua a tendência que já havia sido iniciada pelos Conservadores e pelos Liberais-democratas. Ou seja, a emergência de uma classe política muito mais jovem. O novo líder tem 40 anos de idade. É apenas um pouco mais novo do que Cameron e Clegg. Com a juventude vem uma outra maneira de encarar a vida pública, um outro dinamismo e a telegenia que hoje é indispensável na vida política.

 

David tem muitos anos de actividade política à sua frente. Veremos quais vão ser os próximos passos. O irmão vai certamente oferecer-lhe um posto de primeira importância no governo sombra. Veremos se não viu a sua derrota como uma repetição da história bíblica. 

 

publicado por victorangelo às 15:23

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