Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Cores e serenidade, na vida e na política

 

Copyright V. Ângelo

 

Uma explosão de flores, num quadro histórico, como quem celebra a vida mas não se esquece que tudo tem uma perspectiva mais ampla, para além do imediato. É um combinar do agora com o sempre.

 

Se os políticos pudessem pensar no presente e no amanhã com uma visão mais larga, colorida e limpa da vida, como na fotografia, teríamos mais confiança no futuro. Haveria rumo.

Bélgica, fim-de-semana ou de uma época?

A Bélgica vai passar este fim-de-semana à beira da ruptura. O presidente do Partido Socialista (francófono), Elio Di Rupo, depois de várias semanas de consultas inter-partidárias, abandonou esta tarde o encargo de tentar chegar a um acordo, que pudesse levar à constituição de um novo governo.

 

Di Rupo, que mal fala a língua da Flandres, onde vivem cerca de 60% dos belgas, mostrou ser um dirigente paciente, sincero, bem educado (ainda há políticos que não dizem meia dúzia de palavrões em cada frase pronunciada), criativo e com um grande sentido de missão. Ganhou o respeito de muitos cidadãos, nas duas comunidades linguísticas. Mas não conseguiu reunir um consenso sobre o futuro institucional da cidade de Bruxelas e dos municípios circundantes.

 

A crise é muito grave. O país está mais perto do que nunca da fractura. É o resultado de muitas décadas passadas a acentuar as diferencas entre as duas comunidades linguísticas. Fazer política com base em questões identitárias leva qualquer país ao extremismo e ao desastre. Mesmo no centro da Europa. 

Memórias, viagens e ataques

Um percurso ou uma viagem, que mais é uma vida?

 

Tony Blair acaba de publicar as suas memórias de homem público com muitas confissões privadas. De tudo o que o que escreve sobre a sua viagem pessoal, sobressai a personalidade de um político que pensa que o mundo deveria girar à sua volta, que não perdoa nem se autocritica, que está convencido que sempre teve razão. Mas o mais feio, são os ataques pessoais a um outro político, de quem foi muito amigo, companheiro de vitórias eleitorais,  e que agora atraiçoa. Talvez porque atacar os outros seja uma maneira de desviar as atenções das nossas insuficiências e erros.

 

Também, porque ajuda a vender papel. 

Comentários e segurança do Estado

Os meus leitores fizeram ontem, como de costume, comentários muito interessantes ao meu blog sobre a situação de agitação que se vive em Moçambique. Queria destacar uma frase, de um leitor que assina como Anónimo, que diz, cito:

 

 "...Que a elite política das terras lusas que escamoteia a opinião de gente avisada da comunidade da segurança e defesa aprenda com esta situação: há descontentamento no ar em Portugal!! Os riscos são sérios!!"

 

O leitor está a chamar a atenção para duas mensagens importantes, ao fazer a analogia com o que se passa em Moçambique:

 

- O nosso pessoal da segurança e defesa, a inteligência interna, é da opinião que o mal-estar em Portugal, certamente relacionado com as dificuldades crescentes da vida quotidiana, está a atingir um ponto de ruptura;

 

- O governo não os está a ouvir, varre essas análises para debaixo do tapete.

 

Penso que este Anónimo pertence a um serviço de informações. Mesmo que assim não seja, vale a pena ponderar e ter em conta o que nos diz.

Moçambique, um modelo de desenvolvimento enganador

Começou um segundo dia de distúrbios civis na zona metropolitana de Maputo. O governo aposta numa presença maciça das forcas de segurança nas principais artérias, como meio de resolução da crise mais imediata, a da ordem pública. 

 

Para além da intervenção de ontem ao fim da tarde do Presidente Guebuza, ninguém mais pareceu a falar em público e a tentar apaziguar os ânimos. As elites políticas, intelectuais e religiosas estão fechadas em casa, sem voz nem entendimento do seu papel numa situação social como a presente.

 

Como referi ontem, o país precisa de mudar de modelo de desenvolvimento. Precisa de equacionar, como muitos outros em África, a questão da urbanização rápida, que está a transferir a pobreza dos campos para as grandes cidades. Necessita, igualmente, de reflectir sobre a modernização do sector agrícola, sobretudo no que respeita à produção de bens alimentares de consumo corrente. Não se compreende que Moçambique importe o que come, do país vizinho, quando tem um potencial agrícola enorme. É altura de passar aos investimentos na agricultura comercial. Sem preconceitos ideológicos. Essa é também uma das maneiras de evitar o êxodo rural.

 

Ainda sobre a crise em Moçambique

A situação em Maputo e na Matola, cidade satélite da capital, continua muito tensa, hoje à noite. Mesmo depois da comunicação ao país do Presidente Guebuza. Que fez, no meu entender, um discurso demasiado vago para que possa ser ouvido e entendido.

 

O meu receio, expresso no post precedente, de uma reacção violenta, por parte da polícia de Moçambique -- a PRM -- acabou, infelizmente, por se tornar real. A PRM mostrou, uma vez mais, que não tem preparação profissional suficiente para lidar com manifestações de massas. Disparou a matar, nalguns casos, quando outras formas de intervenção teriam sido possíveis.

 

Também demonstrou que a direcção da PRM está aquém dos desafios. Ter a confiança política do Presidente não é suficiente para dirigir a polícia.

 

Neste momento, há pelo menos dez vitimas mortais a lamentar, do lado dos manifestantes.

 

É preciso investir mais na formação da polícia. Preparar os quadros e os agentes para um controlo mais eficaz e sem violência desnecessária dos movimentos de massas. O governo de Maputo tem que reconhecer essa necessidade.

 

E Portugal, mais do que outros países que fazem cooperação com Moçambique, tem que adoptar uma atitude mais proactiva e oferecer, sem demoras, esse tipo de ajuda. Portugal tem que ser mais ousado.

 

 

A crise e a rua em Maputo

Terminei agora uma longa conversa telefónica com Moçambique. A cidade de Maputo está em polvorosa, em virtude de uma greve geral contra o aumento do custo de vida. O movimento grevista é sobretudo mais pronunciado nos bairros periféricos, no caniço, como por lá se diz, e nas zonas urbanas mais perto desses bairros. A PRM (Polícia da República de Moçambique) dissera, ontem, que as manifestações não haviam seguido as formalidades de pedido de autorização. Eram, por isso ilegais. Hoje, a PRM está em força nas ruas e praças da capital e tem disparado várias vezes. Não há notícias de vítimas.

 

Para compreender o que se passa, teremos que ter em conta que a sociedade moçambicana é profundamente desigual. Gente muito rica vive rodeada de pessoas muito pobres. E os muito pobres são muitos. Os políticos no poder estão profundamente ligados ao sector dos negócios, de um modo pouco saudável, na maioria dos casos. Apoiam-se uns aos outros, políticos e negociantes, e vivem com requinte e luxo. Já era assim no começo dos anos 80. Agora, com a liberalização económica, é um aproveitar a olhos vistos. Quem tem poder tem randes e dólares, vive na economia internacional. ( O rand não chega às províncias, é a moeda dos ricos da capital; o dólar circula entre os que podem, no resto do país). Quem tem apenas acesso a uns poucos meticais, vive a tentar sobreviver. Mal.

 

Uma segunda razão liga-se ao facto de Moçambique importar da África do Sul muitos dos produtos básicos do cabaz alimentar. É incrível, mas é verdade. Batatas, cebolas, farinha de milho, tudo o que é consumido nos lares modestos das cidades, provém do outro lado da fronteira. Com o metical a flutuar em relação ao rand e com o custo de vida a subir na África do Sul, que acontece aos preços destas mercadorias, quando chegam aos mercados moçambicanos?

 

Tudo isto exige que se pense a sério no modelo de desenvolvimento de Moçambique.

 

Para já, é fundamental que a PRM se porte como uma polícia de um estado democrático.

 

 

Pág. 4/4

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D