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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Portugal está na agenda

Há uma abundância de fontes diárias de informação estratégica. Uma das fontes mais seguidas pelos que decidem, em Bruxelas e noutras capitais, é o Eurointelligence Daily Briefing. Reporta sobre a actualidade económica e financeira, bem como sobre as ramificações políticas decorrentes dessas áreas.

 

No briefing de hoje, Portugal é um assunto importante.

 

Primeiro, pelas diferenças de vistas entre a oposição e o governo, no que respeita às novas medidas de austeridade, incluindo a questão de se recorrer ou não ao fundo de emergência. Tendo em conta o Conselho Europeu desta semana, Quinta e Sexta-feira, a situação financeira e fiscal de Portugal é um tema central. Existem muitas preocupações.

 

Em segundo lugar, fala-se cada vez mais na hipotética saída do euro de certos países, Portugal incluído, como uma maneira de resolver a crise que esses estados estão a viver. A saída não está, é verdade, na lista dos assuntos urgentes. Mas também é certo que, nas circunstâncias em que se encontram certos estados membros, a Grécia em primeiro lugar, não é de excluir essa eventualidade da análise dos cenários possíveis. É, hoje, uma possibilidade remota. Só que os acontecimentos andam muito acelerados.  

O próximo passo na Líbia

Defendo que o Secretário-geral da ONU deveria fazer o possível para que uma missão de avaliação humanitária pudesse fazer uma visita de terreno à Líbia.

 

A visita deveria ter lugar amanhã ou depois, sem mais demoras. Ban Ki-moon terá que entrar em contacto com as partes em conflito, governo de Kadhafi e comité de coordenação da rebelião, e obter o acordo de ambos os lados. 

 

Esta iniciativa servirá para reduzir o nível de tensão e mostrar que a comunidade internacional está pronta para encarar outras opções, para além das militares. Na verdade, com a criação das condições militares para que uma no-fly zone seja possível, o que já está conseguido, é o momento de deixar a diplomacia tomar a iniciativa.

Erro de cálculo

O líder líbio não percebeu que a opinião pública ocidental não morre de amores por ele. Por isso, era de prever um comportamento de grande agressividade, da parte de certos dirigentes europeus e dos Estados Unidos. Esses dirigentes, que têm no Presidente da França o exemplo mais flagrante, perceberam que tomar partido contra Kadhafi daria apoio popular. E mais. Não só era bem visto pelos seus eleitorados como permitia ainda reposicionar os seus países na cena internacional. Projectar importância, como se diz nos nossos meios. A partir daí, a entrada em acção, o envio de aviões e o disparo de mísseis, lançados dos navios que sulcam o Sul do Mediterrâneo, era apenas uma questão de horas. 

 

Aconteceu hoje à tarde.

 

Erro de cálculo, de Kadhafi.

 

Por outro lado, nestas coisas é bom ter uma ideia de como se vai descalçar a bota e quando. Ou seja, não se inicia uma operação militar deste tipo sem se ter uma estratégia completa, incluindo a de saída da crise. Ou seja, os intervenientes ocidentais não podem cometer, também eles, o seu erro de cálculo.

 

Parece, que neste caso, se aposta na queda do Coronel.

 

Receio que não seja bem assim. Que as coisas sejam mais complicadas do que parecem. Que se tenha entrado num puzzle prolongado, com a Líbia dividida e num impasse. E com o Ocidente a perder-se, por muitas luas, no deserto.

 

Dito isto, convém acrescentar, de imediato, que a responsabilidade pela protecção de civis é uma obrigação internacional. E que a conta terá, um dia, de qualquer modo, que ser apresentada ao Coronel e Companhia. 

Uma crise de valores

O meu amigo Tito, no comentário que faz ao meu blog sobre a "mau político", pergunta se vivemos "numa sociedade irresponsável". Ou seja, num país sem "a mínima noção de dever, preocupação e responsabilidade..."
 
A minha resposta dirá que sim. Pelo menos, no que respeita à grande maioria da classe política. É um dos grandes problemas da situação actual. As pessoas olham para um lado e depois para o outro e vêem apenas gente que está na vida pública por interesse pessoal, nada mais. O sentido do dever, a dedicação ao bem comum, o espírito de missão, se existem, não se notam. E, como tantas vezes se tem dito, as máquinas partidárias são meros trampolins, essenciais para o acesso ao poder, aos negócios e à riqueza. 
 
E como o exemplo vem de cima, os de baixo dizem, então, "deixa andar". Assim se corrompe um país. Assim se destroem os valores da confiança e da solidariedade. Sem eles, ficamos todos mais pobres. Até no sentido económico do conceito, pois um país que sofra uma crise de valores nao é um sítio atractivo, em termos de investimentos sérios. 
 

Um hitlerzinho nacional

Embora possa parecer que está a brincar com o fogo, um político que jogue com a crise que Portugal atravessa não é um pirómano. É um hitlerzinho nacional, um chefe de hostes que lança umas faíscas para ver se o incêndio do nosso Reichstag pode ser atribuído aos do outro partido.

 

Só que o país não precisa de pequenos aprendizes de ditador, de pseudo-patrioteiros que se crêem imprescindíveis. Indispensável, isso sim, é quem promova consensos que sirvam de plataformas para a mudança.

 

Sobre o mau político

O mau político põe sempre as culpas nos outros. E, no caso presente de Portugal, tenta desviar as razões da crise para o exterior, para a Senhora Merkel, para a falta de visão que existiria em Bruxelas, para os mercados especulativos e as agências de notação. Nunca fala das razões que são bem nossas, da incompetência de muitos responsáveis, que estão nos cargos apenas por motivos de confiança partidária ou maçónica, da corrupção  dos esquemas e fundos de apoio, das ligações inaceitáveis entre a administração pública e as grandes e pequenas empresas, da incapacidade dos sistemas de formação profissional e educativa, da indisciplina colectiva a que nos habituámos, do deixa andar, da falta de horizontes que nos caracteriza, e muito mais.

 

O mau político finge que fala sobre os problemas, mas quando abre a boca é apenas para esconder as responsabilidades.

 

 

Afinal não são apenas incompetentes e mal-comportados

Segundo revelam os telegramas do Wikileaks, são também algo mais, quando se tratam de prestar vassalagem aos de Washington.

 

Sem contar, por outro lado, com a política dos soluços. Os PECs saiem de dois em dois meses, numa política que gagueja e se exprime aos soluços. Agora mais isto, depois de amanhã, mais aquilo, ou seja, estamos a dizer aos de fora que aqui dentro não há nada certo, tudo depende do que possa vir a ser modificado no dia seguinte.

 

Gente que poderia estar interessada na economia portuguesa foge agora da incerteza como o diabo da cruz.

 

 

 

Loucos sortudos

Infelizmente, a história da politica está recheada de loucos com sorte. Khadafi é apenas um exemplo. A coberto da tragédia no Japão, que retirou a Líbia dos noticiários internacionais, tem estado a reforçar os bombardeamentos das posições rebeldes. Não o faz pela calada da noite. Fá-lo à luz do dia, mas quando as câmaras estão viradas para o Oriente. 

 

Entretanto, a posição da Liga Árabe sobre uma zona no-fly foi adoptada hoje. Esta decisão põe o Conselho de Segurança da ONU contra a parede.

 

Quem também resolveu colocar-se numa situação impossível, contra a parede do sentido comum, foram os líderes europeus. Por um lado, dizem que o regime do Coronel acabou. Por outro, parecem não ter qualquer plano que transforme essa conclusão em medidas concretas. É fumo, só fumaça, sem mais, sem coerência.

 

De facto, com políticos assim, compreende-se que tanta gente venha para a rua e diga que já chega de politiqueiros e de politiquices. As manifestações de hoje em Portugal foram um exemplo desse estado de alma. As pessoas estão, na verdade, fartas de conversa. E de loucos, sortudos e outros diabos do género.

Os inimigos de Portugal

Gostava de chamar a atenção de quem me lê para o comentário que MG, o autor do blog Nação Valente, que eu sigo, fez ao meu poste "Uma posse sem posses". Creio que é um texto bem escrito, inteligente, com graça. O que não significa, claro, que se está inteiramente de acordo com o conteúdo. 

 

A democracia é assim. Com diferenças de opinião, livremente expressas, mas com respeito.

 

O respeito é o que parece faltar a muitos dos nossos políticos. Construiu-se, em Portugal, uma vida política que se baseia no radicalismo verbal, na exclusão dos que não são do clube, na intolerância em relação às opiniões contrárias. E na falta de consideração pelo valor simbólico das instituições da República. 

 

Temos um país dividido. Em vez de se procurar consensos, acentua-se a diferença. Em vez de se fazer um esforço para encontrar soluções que satisfaçam a maioria, acentua-se o fosso ideológico, mesmo quando a ideologia não tem nada a ver com o assunto. Somos um país de pequenos anarquistas, sempre à procura da bomba que provoque estilhaços e ruído. Gostamos de confusão, de abocanhar, de diminuir os outros.

 

E não entendemos bem como funciona uma democracia. Da legitimidade nacional que um acto eleitoral credível implica. Falamos de um governo PS ou PSD, quando na realidade é, uma vez instalado constitucionalmente, o governo do país. E depois agimos, como se fossemos apenas o governo do PS ou PSD. Falamos de um Presidente daqui ou dacolá, quando, na verdade, uma vez eleito, deve representar todos. E assim deve ser visto por todos, sobretudo pelos que têm responsabilidades públicas de alto grau. 

 

Somos, nós os Portugueses, os nossos piores inimigos.

 

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