Portugal é grande quando abre horizontes

05
Jul 11

É fácil cair na armadilha de se pensar em termos operacionais e julgar que se trata de estratégia. Passei uma parte do dia a tentar fazer a destrinça entre o que é verdadeiramente estratégico -- ou seja, que transforma a realidade -- e o que é operacional. O operacional melhora apenas a gestão do que existe.

 

Tentei adaptar, já depois do seminário de hoje, esta maneira de pensar à realidade de Portugal. Não consegui fugir à ideia que me leva a crer que o plano de austeridade, mais PEC menos PEC, é apenas um programa operacional, para resolver um problema concreto de défice orçamental. Não é estratégico pois não transforma a estrutura produtiva, não traz o câmbio que seria necessário para promover uma economia mais competitiva, mais dinâmica e mais assente no conhecimento científico e tecnológico.

 

Uma economia de privações continuará a ser, como o nome indica, uma economia de pobres.

 

A Suíça também tinha uma economia assim, até aos anos da década de sessenta. Investiu, entretanto, no saber científico, na especialização técnica, na organização e na imagem do país, valorizou o pouco que tinha, desenvolveu um turismo que se baseia na qualidade, uma agricultura com infra-estruturas e produtos de marca, apostou na valorização da natureza, e é hoje o que é.

 

No caso português, é preciso ultrapassar a falta de ambição, o desleixo, o deixar andar, a ideia que tudo se resolve por meio de esquemas pessoais e do desenrascanso, a cultura da couve-galega, em sentido figurado e não só, a acomodação ao lixo e a falta de respeito pelo que é do domínio público, e passar a pensar em termos de competição com os melhores.

 

Esta é a nossa luta. Estratégica.

publicado por victorangelo às 21:29

twitter
Julho 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9






subscrever feeds
<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO