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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Somos muito especiais

Pensara escrever sobre o governo e a oposição, para dizer que os ataques à credibilidade de uns e de outros acabam por ter um impacto negativo sobre o país. Não podemos, na crise ampla e profunda em que vivemos, ter um governo fraco e uma oposição esfrangalhada. A liderança política é fundamental para a resolução dos nossos problemas. Os ataques sem nexo, sem inteligência nem substância, à esquerda e à direita, só nos ajudam a ir mais fundo. 

 

Mas, depois, passei pelos contentores do lixo, aqui na minha rua, num bairro como o meu, e vi o que vi. Uma porca desordem, numa rua da classe média do Restelo. Pensei, então, que com comportamentos assim, também não saímos do buraco. Já tinha, aliás, pasmado sobre o assunto, ao ver que o professor catedrático, que é meu vizinho, homem de grandes medicinas, estaciona regularmente ambos os carros que possui no sítio da paragem do autocarro, exactamente em frente da placa de estacionamento proibido. 

 

Isto de se dizer que a culpa é dos políticos tem algo que se lhe diga. 

Assim não vamos lá e a culpa é nossa

 

 

Copyright V. Ângelo

 

O comentário que o leitor P escreveu hoje, relativo ao meu texto sobre o estado de abandono do Algarve, do lado do Sotavento, tem toda a razão de ser. Uma parte importante da economia agrícola da região está em ruínas. 

 

Já ontem o leitor Nação Valente fizera um comentário sobre o mesmo assunto, também muito certeiro. Fez, igualmente, referência à situação muito diferente que se vive do outro lado da fronteira, onde tudo está mais cuidado, cultivado ou aproveitado.

 

E o Tito partilhou a sua opinião sobre Tavira. Uma aldeia grande, sem vida para além do Verão. 

 

Por falar em Tavira, um conhecido meu é proprietário de uma das quintas mais produtivas dos arredores da cidade. Investiu conhecimento - é agrónomo - e dinheiro na propriedade. Produz uvas e laranjas de qualidade. Que não consegue vender. Quando aparece um intermediário, é para oferecer um preço ridículo, que, na maioria dos casos, ficará a dever ao produtor. 

 

Assim, não há economia agrícola que possa funcionar. 

 

Como também é muito difícil ter um rasgo de optimismo.

 

Sem esquecer que a confiança nos concidadãos é fundamental para o progresso social. Sem honestidade nem princípios morais nada funciona. 

 

Entretanto, os Ministérios da Agricultura e da Economia andam aos papéis, sem que ninguém lhe reconheça algum...

 

Sem aproveitar os valores que temos

Em Évora, esta tarde, a jovem que cantou o Ave Maria na cerimónia fúnebre da minha prima Maria João, ela também uma jovem de grande talento musical, deixou a assembleia profundamente emocionada, ao ouvir a beleza da sua voz. Um canto que caberia no Scala de Milão.

 

A mim, deu-me para pensar que temos muitos talentos que se perdem, por não haver estruturas que os acompanhem, valorizem e promovam. 

 

Somos, de facto, um país pobre.

Moderados e casmurros

Hoje, mais uma vez, fiquei com a certeza de que há muitos portugueses que gostam do centro moderado: conduzem nas auto-estradas de preferência na faixa central, a uma velocidade lenta. Ir para a faixa da direita, onde deveriam estar, é contra a sua maneira de encarar a vida numa via rápida. 

Um Algarve de pobres e de dar dó

Dia de frio, no Algarve. Com as nuvens e os campos abandonados, a que se juntam as casas em ruínas ao longo da EN125, de Tavira a Olhão, este Algarve tem um ar de pobreza e abandono que faz pensar na necessidade de uma nova classe política para o nosso país, capaz de pôr ordem nas coisas, de levantar a economia e dar ânimo a um povo que bem precisa dele. 

Mostrar a diferença

Jantei ontem num restaurante sem pretensões mas com boa comida, na zona de Brejos de Azeitão. Quase não tinha clientes, apesar da qualidade e do preço bastante razoável.

 

Lembrei-me, então, de Angoulême, onde estive há dias. Na parte velha da cidade, uma urbe encavalitada no cimo de uma colina, com uma vista romântica sobre o rio Charente, as três ou quatro ruas à volta da praça do mercado - Les Halles - estão semeadas de restaurantes. A competição é enorme e os clientes, nesta altura do ano, à noite, são escassos.

 

O proprietário de um dos restaurantes resolveu o problema da concorrência anunciando uma "cozinha da Avó", com receitas de outrora. Colocou na montra e na sala de jantar umas roupas interiores antigas, as da "Avó", penduradas como se estivessem a secar, deu um nome estranho aos pratos, o que desperta a curiosidade de quem passa, e tem a patroa ao serviço de mesa, uma mulher com cerca de 40 anos de idade, de aspecto "pesado", vestida como se fosse a "avó", com um penteado à antiga e maneiras rurais. Assim se atraem os clientes. Sem contar que a "avó" confessa desde logo que é uma falsa avó mas que a comida é genuína. 

 

Convém, nos tempos que passam, ser original, simples, bem disposto e saber forçar o cliente a uma escolha limitada de opções, para que não haja capital empatado ou em riscos de ser desperdiçado. 

 

 

 

 

 

 

Conduzir no deserto das SCUTs

Vilar Formoso. Nada indica, à entrada, que é preciso comprar uma senha de pagamento das portagens automáticas da ex-SCUT, a única via possível para quem se dirige para o Norte, Centro ou Sul de Portugal.

 

Eu, como sabia, parei na rotunda, à procura do local de pagamento. Lá estava a máquina, com três ou quatro espanhóis, ninguém mais, os outros estrangeiros nem pararam, à volta dela. Disseram-me que não havia maneira de pagar, pois a coisa estava avariada. Um dos espanhóis acrescentou, não se preocupe, eu venho regularmente a Portugal, nunca pago e não me acontece nada por isso. Os portugueses são boa gente...

 

Perguntei a um habitante local qual poderia ser a solução. O homem disse-me, bem amável, cinco quilómetros mais à frente, na bomba da BP, pode pagar. Muito bem. Lá fui, passei o primeiro conjunto de pórticos sem pagar, parei na estacão de serviço. Dirigi-me à loja: fechada, "temporariamente"...

 

Continuei a minha viagem, passei mais uns pórticos electrónicos, e já na área da Guarda, voltei a parar na bomba local, para tentar cumprir o meu dever, ou pelo menos, obter alguma indicação. A estacão de serviço estava vazia, aliás, como a auto-estrada, de Norte a Sul, um vazio que dava dó, sem actividade económica nem vida. A menina de serviço, entenda-se bem o que quero dizer, disse-me, como vai para Lisboa pode pagar em Abrantes, duzentos e tal quilómetros mais abaixo...

 

E assim foi. Fui passando pórticos, diria de cinco em cinco quilómetros, sem pagar. Em Abrantes, na área de serviço, devo ter sido o único a parar para pagar. 10,62 euros. 

 

Pensei muitas coisas sobre tudo isto. O investimento feito com dezenas de pórticos e de câmaras, a falta de informação, a ausência de tráfego na ex-SCUT, completamente às moscas, o impacto de tudo isto sobre o turismo, e assim por diante. Mas, o mais confrangedor, não foi ver a imbecilidade do sistema, já estamos habituados a decisões bacocas, mas sim o facto de toda a Beira Interior parecer estar parada, sem actividade, os campos meio abandonados e a vida à espera da boa vontade de quem vem de fora.

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