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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Taxas de juro negativas

Quero registar que os seguintes países da UE emitem actualmente dívida pública com uma taxa de juro negativa, ou seja, os mercados acabam por pagar para lhes emprestar dinheiro:

 

- Alemanha

 

- Bélgica

 

- Dinamarca

 

- França 

 

- Holanda

 

Ou seja, vivemos na verdade numa União Europeia a velocidades variáveis. É possível manter uma União se não existirem mecanismos compensatórios entre os Estados?

Ser claro

O uso do Facebook, por personagens do Estado, como meio de comunicação é uma faca de dois gumes. Em situações de crise nacional e de polarização extrema das opiniões deve ser evitado. Não promove o diálogo nem um melhor entendimento dos problemas. Permite, isso sim, baixar ainda mais o nível da discussão pública, dando uma plataforma a quem tem o insulto e os palavrões fáceis. 

 

É isso que está a acontecer na página do primeiro-ministro português. O PM decidiu "ser humano" numa comunicação no Facebook. Foi um abrir da porta a milhares de comentários do mais diverso tipo. Os mais moderados são profundamente negativos. Politicamente, o PM não ganhou nada com a sua escrita. Perdeu, creio, uns pontos mais. Se tivesse havido uma sondagem de opinião, o seu nível de aprovação teria sido muito baixo, talvez perto de um só dígito.

 

Creio que é tempo de explicar aos cidadãos o que se passa. Mas o Facebook não é o veículo. E declarações "piegas", como a de agora, só envenenam ainda mais o ambiente.

 

Eu teria começado a narrativa desta maneira: em 2013, vamos gastar X, em termos das contas públicas. Esse X já inclui as seguintes reduções de despesa: A, B, C e D. A previsão de receitas será Y. Para que o défice fique dentro de um patamar aceitável, digamos, 4,5%, precisamos de mobilizar mais recursos: W. Para o conseguir faremos o seguinte: 1,2,3,4 e 5, tocando a todos.

 

E assim sucessivamente. Também diria que esta ou aquela medida que iremos tomar em 2013 resulta directamente de uma exigência dos nossos credores. E explicava que sem a sua adopção não será possível ter acesso a uma certa tranche de crédito. E mais e mais, tudo muito clarinho. Hoje, governar é saber comunicar.

 

Na verdade, o fundo da questão é simples: os portugueses precisam de uma política de verdade. É um erro pensar que irão engolir qualquer tolice que lhes seja ministrada. 

Sem bater no fundo

A opinião pública é um campo de batalha política.

 

As medidas ontem anunciadas pelo primeiro-ministro abriram uma nova confrontação nos mais diversos órgãos da comunicação social. E os partidários do primeiro-ministro estiveram, ao longo do dia, ausentes deste campo de batalha. Se eu fosse o chefe dessa hoste ficaria muito preocupado. Muito, mesmo. 

 

Ou estaremos perante medidas indefensáveis?

 

Entretanto, alguém me dizia que estamos, com estas novas medidas, a bater no fundo. Respondi, baseado no que vi noutros países, ao longo da minha vida profissional, que não é bem assim. Que nestas coisas de crise nacional há sempre maneira, infelizmente, de ir mais ao fundo. E nós parecemos ter entrado nesse tipo de processo. 

 

Mas não é inevitável. A questão é simples: como dar a volta à situação? A resposta é que é bem mais complexa. Cabe a todos nós encontrá-la. 

Saber criar optimismo é uma virtude política

O primeiro-ministro, na sua comunicação ao país, não soube explicar por que razão é precisa mais austeridade, nem dar uma perspectiva temporal, um horizonte que abra alguma esperança. Dizia-se ontem, na convenção democrata nos Estados Unidos, que ninguém quer ter um líder que não tenha uma visão positiva do futuro e que não consiga criar esperança.

 

Também me pareceu errado tentar ligar as novas medidas à promoção do emprego. A questão do emprego cabe numa perspectiva de crescimento económico, não de novas taxas e contribuições dos privados para os cofres públicos. Precisa de ser apresentada como uma estratégia económica, bem articulada, não como uma componente meramente fiscal.

 

Hoje à noite o país ficou mais pessimista. 

Bengaladas

A decisão do Banco Central Europeu, que anunciou estar disposto a comprar obrigações de países da zona euro que estejam a seguir um programa formal de reformas estruturais, é uma boa notícia. É também um convite, para que a Espanha e a Itália pensem a sério na reforma das suas finanças públicas. Por isso, nos próximos dias e semanas convirá estar atento aos sinais vindos desses dois países.

 

Muito do futuro da Europa passa por Madrid e Roma. Creio, no entanto, que Mariano Rajoy é um problema bem maior do que os políticos italianos. 

 

Entretanto, em Portugal, a taxa de crescimento do pessimismo continua de vento em popa. Só é superada pela elevada percentagem que a cacofonia de ideias ligeiras consegue atingir, todos os dias. Mas a verdade é que os portugueses gostam de foguetes e de facadas no ar. Chamam a isso "debate de ideias". 

A crise tem as suas histórias

Voltando ao tema da crise, soube-se hoje que a população belga tinha, nos finais de Julho último, 229 mil milhões de euros guardados em depósitos de poupança. Em um ano, o valor das poupanças das famílias registado nos bancos - não se sabe quanto está escondido debaixo dos colchões, nem quanto está em contas fora do país - aumentou de 10 mil milhões de euros. 

 

O valor dos depósitos de poupança é muito elevado e continua a crescer, por causa da crise. Sim, por causa da crise. As famílias estão com medo do futuro e poupam mais. E, por outro lado, não estão a investir as suas poupanças em acções e obrigações, por falta de confiança na economia global e, especialmente, na europeia. 

 

Entretanto, também durante o mês de Julho, a população espanhola retirou dos bancos cerca de 75 mil milhões de euros. A principal razão tem que ver com a pouca confiança na solidez do sistema bancário nacional.

Pesadelos italianos

O jornal italiano Corriere de la Sera revela que a Itália comprou menos carros novos em Agosto. A quebra, que é de mais de 20% em comparação com o mesmo mês de 2011, confirmou uma tendência para a baixa que se iniciou há nove meses. Neste momento, vendem-se tantos veículos novos como se vendiam em 1964. 

 

Este é um indicador importante. Outro indicador mostra que os fundos e os investidores estrangeiros têm vindo a sair da dívida pública italiana. Hoje apenas 30% dessa dívida está em mãos estrangeiras. Só que 30% representam 492 mil milhões de euros, um montante astronómico. Se a dívida da Itália entrar em derrapagem, o impacto externo será, por isso, enorme. Mas será ainda maior para o povo italiano. O total da dívida pública do pais é agora estimado em 1 648 mil milhões de euros. Há, assim, muitas razões, milhares de milhões de razões, para que haja muita gente por essa UE fora profundamente preocupada. 

Diz-se

Segundo oiço dizer em Bruxelas, o nosso país vai precisar de mais dinheiro e de mais tempo. Ou seja, uma das recomendações implícitas no exame que agora está a ser feito - a chamada visita da Troika - irá no sentido de um programa II. Que reforce as verbas postas à disposição de Portugal, que defina um calendário novo - todo ou uma boa parte do ano de 2014- para a execução da medidas de reforma. Tudo isto no entendimento que o governo irá continuar a reduzir a despesa pública e a procurar, sem tréguas, manter o desequilíbrio orçamental abaixo dos 3%. 

 

Um longo túnel...

 

Portas de vidro

Depois de bater com o nariz na porta de vidro da entrada P-2 do Corte Inglês, tendo ficado atordoado e febril durante umas horas, que a porta finge que se abre, mas são apenas as laterais que o fazem, prometi que nos próximos dias deixaria de me encontrar com os amigos que se sentem deprimidos, que apenas falam da crise, do governo, dos pulhas dos partidos, da política e da comunicação social, e do pessimismo que os anima. É que isso me deixa taciturno e me faz esquecer as portas que nunca se abrem. 

 

Para meu azar, logo pela manhã, a primeira coisa que fiz foi descer ao rés-do-chão para comprar o jornal, e sou apanhado numa discussão sobre o estado da justiça. Uma mulher de aspecto simples queixava-se alto e bom som da falta de justiça, com um caso pendente contra o ex-marido que nunca mais se resolve. A empregada da papelaria vira-se então para mim e pergunta: o senhor está de acordo, não é verdade, que a justiça no nosso país é apenas uma fachada e só serve para os ricos? 

 

Saí de lá pronto a bater com o nariz noutra porta de vidro invisível. Ou, dito de outro modo, é mesmo difícil não andar a bater com a cabeça nas paredes de vidro.

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