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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Surrealismo português

A visita da Presidente do Brasil a Portugal num dia de feriado nacional como o de hoje, em que as mais altas autoridades do Estado português estavam comprometidas com tarefas oficiais inadiáveis, só poderia dar azo, como deu, a equívocos políticos e a erros protocolares. Por exemplo, como aceitar que um Chefe de Estado estrangeiro se reúna primeiro com a oposição antes de ter encontrado o seu homólogo?

 

Andamos, de facto, todos às avessas…

 

Foi uma maneira surrealista de comemorar o 10 de Junho.

Privado

No bairro de Bruxelas onde me encontro não existe uma estação de correios. A que existia fechou há alguns anos. Quando preciso de mandar uma carta registada, ou de levantar uma correspondência, dirijo-me à papelaria do meu quarteirão. Para além dos jornais, revistas, jogos de sorte, e outras coisas habituais num comércio do género, o dono da loja, que é um imigrante de origem norte-africana, presta os serviços básicos de um posto de correios. É, igualmente, o olho atento que zela pela integridade do marco postal, que se situa a meio do estabelecimento.

 

Dizia-me, outro dia, que a prestação deste serviço significa mais uma entrada de dinheiros, sem esquecer que quem vem levantar uma encomenda sempre pode acabar por jogar na lotaria ou ser tentado por uma capa de revista.

 

Os utentes habituaram-se à ideia da livraria que também é caixa de correios. Aceitaram a privatização de um serviço que parecia estar destinado a ser, para sempre, do domínio público.  

 

Há dias fui, no entanto, surpreendido com outra privatização. Ia no comboio para Londres, quando apareceu um revisor para controlar os bilhetes. Estávamos entre Lille e Calais, ainda em França. Para minha surpresa, notei que o homem não era funcionário dos caminhos-de-ferro. Era agente de segurança, vigilante, assim se diz, empregado por uma multinacional conhecida na área da segurança. Aparentemente, a tarefa de controlo das passagens tinha sido privatizada e adjudicada a uma empresa de segurança.

 

Fiquei a pensar que qualquer dia apenas o trem será pertença dos caminhos-de-ferro. O resto será por subcontratação. 

Conselhos vindos do outro lado do mar

De manhã fui ao Luxemburgo, como era Sábado, o trajecto de carro a partir de Bruxelas demorou duas horas e um quarto, ou seja, meia hora menos que durante os dias da semana chamados “úteis”, voltei à tarde, depois de ter assistido à reunião anual da associação europeia dos funcionários internacionais.

 

A assembleia atraiu muita gente, o que me parece indicativo da atenção que os associados estão a dar a uma realidade europeia que é instável e imprevisível. A crise económica e a falta de resposta adequada por parte dos dirigentes políticos deixam muita gente perplexa e insegura. A impressão que existe é que a procissão só agora saiu do adro. Ainda terá que dar a volta por muitas capelinhas, por essa Europa fora.

 

Durante a discussão, houve uma confissão curiosa, feita por alguém que tem estado dentro das negociações preparatórias do próximo G20, que terá lugar em São Petersburgo, na Rússia, em inícios de Setembro. Como quem não quer a coisa, deixou entender que a Administração Obama está a fazer uma pressão enorme sobre os europeus, para que haja um alinhamento total com a posição americana em certas matérias que contam na agenda internacional do momento. Só espero que essa pressão seja também no sentido do reforço da coesão europeia. Talvez…

Zangam-se as comadres

Há um ano, dia por dia, escrevi na Visão sobre a crise grega. A certa altura do texto, depois de concluir que a Grécia estava a ter um tratamento de favor, por parte da Comissão Europeia, que fechava os olhos e não queria ver que o programa grego não estava a ser cumprido, realcei que essa maneira de agir, por parte de Bruxelas, punha em causa a credibilidade do FMI.

 

Cito a frase que então publiquei: “Coloca, por outro lado, o FMI contra a parede: terá que escolher entre continuar a reboque da UE, fingindo que há progresso na execução do programa, ou reafirmar a sua independência, reconhecendo que a Grécia não está a cumprir os compromissos assumidos.”

 

Agora, doze meses depois, o FMI divulga um relatório que, no fundamental, confirma o que eu dissera. Aponta o dedo à Comissão, diz que esta não tinha experiência nem qualificações para tratar de uma crise financeira como a grega. Nem independência suficiente para poder ser objectiva na sua tomada de decisões. 

 

Na verdade, saem ambos – o FMI e a Europa – mal na fotografia grega.  

 

 

Londres

Estive ontem e hoje em Londres para umas reuniões. Londres, como muitas vezes o digo, é a única cidade europeia que é verdadeiramente global. Andar nas ruas e praças do centro da cidade é como passear pela paisagem humana existente nos vários cantos da terra. Participar numa reunião sobre temas internacionais é ter a oportunidade de ouvir opiniões e ser confrontado com ângulos que reflectem as muitas perspectivas culturais que definem o mundo. É um convite para que saiamos da nossa zona de conforto mental e encaremos cada questão como tendo várias leituras possíveis.

 

Londres é, também, uma cidade cara e sobrepovoada. O dinheiro foge dos bolsos e dos orçamentos familiares. Há gente por todos os cantos. Sobretudo, gente jovem.

 

E muita bandeira britânica. O governo explora abertamente os sentimentos nacionalistas da população. Dá uma no cravo e outra na ferradura, quer estar na Europa e, ao mesmo tempo, fazer como se não estivesse. Só que isso, a prazo, apenas serve os interesses dos ultranacionalistas, dos antieuropeus. Ou seja, temos aí uma séria ameaça ao projecto europeu.

 

Mas Londres precisa da Europa para continuar a ser uma cidade universal. 

Os resultados da sondagem de agora

A sondagem, que a edição de hoje do jornal i revela, mostra-nos que 32,7% dos eleitores portugueses votariam agora pelo Partido Socialista. Este resultado seria insuficiente e não permitiria ao PS governar sozinho. Ou seja, a haver eleições agora, teríamos que enfrentar um período de incertezas, com Seguro a negociar à direita e à esquerda. Com o programa de ajuda financeira em execução, o mais provável seria o aparecimento de uma coligação PS-CDS, que reúne actualmente 9,5% das intenções de voto. Uma mistura deste tipo não seria novidade, mas teria certamente as suas fragilidades.

 

Poder-se-ia igualmente pensar numa aliança governativa PS-BE. O BE teria mais ou menos o mesmo número de votos (9,4%) que o CDS. No entanto, na cena europeia que hoje prevalece, um governo desse tipo encontraria sérias dificuldades no seu relacionamento com os países líderes da UE.

 

Na sondagem, a extrema-esquerda (CDU mais BE) soma 22% das preferências. É um valor alto, que mostra bem que a situação presente tem levado à radicalização de muitos portugueses.

Hoje a janela da crise ficou fechada

Peguei no carro e como estava um dia lindo fui dar uma volta por Waterloo, Lovaina-a-Nova e Gembloux, a pequena cidade do sul da Bélgica que se tornou célebre, no passado, pela qualidade da sua Faculdade de Agronomia. São localidades bem organizadas, com um forte poder de compra, rodeadas de campos agrícolas bem cultivados e altamente produtivos. Viajar por essas terras faz esquecer a crise. A expressão “crise” não faz parte do vocabulário corrente dos habitantes dessas zonas. Haverá, nalguns casos, desemprego ou travagem económica. Mas, para o comum dos cidadãos, essas questões não surgem nas conversas do dia-a-dia nem são uma preocupação absorvente.

 

Ao regressar a casa, pensei quão distante estamos aqui de Portugal. 

É possível!

Leio nas palavras de amigos um aprofundar do desânimo em relação à situação em que se encontra o nosso país. E um sentimento de impossibilidade como quem não tem poder para alterar o curso dos eventos. Tudo isto acompanhado de uma fúria silenciosa, dirigida sobretudo para os que estão na governação.  Como se tivesse deixado de haver esperança. São sinais de uma crise nacional muito séria. Não o reconhecer seria um erro grave. Mas não podemos ficar apenas pelo reconhecimento de que existe uma crise. É preciso resolvê-la. E a solução passa por todos nós e pelas nossas circunstâncias. Estas incluem a nossa presença no euro e na Europa. Quem advoga a saída, está equivocado. Fora da EU e do euro, ficaríamos mais isolados, menos atraentes em termos de investimento, mais entregues às elites tradicionais do nosso país, que são, em geral, uma desgraça. O desafio é o de dar a volta à crise dentro do euro e da Europa. Aproveitando, é verdade, as nossas relações com outras partes do mundo, incluindo Angola, Moçambique, Brasil, a América do Sul e o Norte de África, Marrocos, sobretudo. É um desafio possível. É tudo uma questão de liderança política e de mobilização dos nossos esforços e do nosso saber. Olhando para a frente e não para trás. 

Uma crise esconde outra

Na íntegra, o meu texto na Visão desta semana:



Entender o presente, imaginar o futuro

Victor Ângelo

 

Pare, escute e olhe! Lembram-se? Um comboio pode esconder outro…Agora, é a crise europeia que parece ocultar uma outra: a crise da representação política. O cidadão, um pouco por toda a parte, deixou de se sentir representado pelos partidos tradicionais, que durante décadas se têm revezado no exercício do poder. Esses partidos são agora vistos como meras máquinas de propulsão de oportunistas. Máquinas inacessíveis, distantes e opacas, em contracorrente com as práticas de hoje, que são abertas, próximas e transparentes, graças à utilização generalizada das redes sociais. Para mais, ao revelarem-se incapazes de imaginar soluções que respondam às inquietações actuais dos eleitores, perdem credibilidade e conduzem ao aviltamento da imagem das instituições. São os parlamentos e os executivos – governos e a Comissão, em Bruxelas – que saem pior deste processo de desvalorização política.

 

É na área do centro-esquerda que a crise dos partidos é mais evidente. O descrédito do neoliberalismo, os altos níveis de desemprego, a evolução dos valores e da ética, as aspirações de justiça social, tudo isto deveria traduzir-se num apoio acrescido à social-democracia e ao socialismo na Europa. Não é isso que está a acontecer. Apesar das condições lhe serem claramente favoráveis, o centro-esquerda europeu não tem conseguido canalizar as ansiedades nem inspirar esperança aos cidadãos. Tem-se mostrado igualmente incapaz de dar um novo fôlego à construção europeia. O exemplo mais evidente deste fracasso vive em Paris.

 

François Hollande foi eleito há exactamente um ano. Quem o elegeu esperava uma mudança profunda na orientação que vinha a ser seguida pelo seu predecessor, de liberalismo económico e de alinhamento com as posições alemãs. Um ano depois, a crise económica francesa agravou-se, o desemprego aumentou e a subordinação a Berlim acentuou-se. A França perdeu peso na cena europeia. Hollande dá uma imagem de falta de rumo. Parece um dirigente para todas as estações, ou seja, um catavento político, mais táctico do que estratégico. O Partido Socialista francês está mais fraccionado que nunca. Tudo isto por não haver uma resposta ideológica coerente e moderna aos desafios que o país e a Europa enfrentam.

 

O caso francês prejudica os partidos da mesma família política no resto da vizinhança. Perante o fracasso de Hollande, quem consegue convencer os eleitores, noutros países, que os socialistas são uma alternativa credível? Na Alemanha, nas vésperas das legislativas de Setembro, o Partido Social-democrata, que foi uma organização determinante no avanço da ambição europeia e na modernização da Alemanha, não consegue aparecer como uma alternativa credível às opções de Angela Merkel. O seu candidato a chanceler, Peer Steinbrück, além de ser conhecido pela frequência das suas gafes, é sobretudo um porta-voz dos ecos do passado, de soluções que funcionaram há décadas, quando as circunstâncias eram bem diferentes. Foi ele quem lançou, recentemente, a ideia de um novo Plano Marshall para a Europa. Como se a Europa e o mundo estivessem com a mesma dinâmica e a mesma relação de forças que caracterizava a cena internacional há sessenta anos. 

Na verdade, a classe política precisa de parar, escutar e olhar para poder compreender quais são as grandes inquietações dos seus concidadãos e propor, em seguida, uma resposta adequada. Ou seja, é preciso formular um novo corpo de ideias, uma ideologia ancorada nos anseios e receios das populações e virada de vez para o futuro. Trata-se de um desafio de proximidade e de imaginação!

 

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