Portugal é grande quando abre horizontes

17
Set 13

A edição de hoje do Diário de Notícias deixa o leitor comum totalmente revoltado. São páginas e páginas a contar histórias de corrupção e de práticas desonestas nas autarquias portuguesas. De Lisboa ao canto mais escondido do país. Depois remata com uma entrevista com o presidente do Tribunal de Contas (TC), Guilherme d’Oliveira Martins, que diz, entre outras coisas “ que o poder local não é um viveiro de corrupção, está é mais exposto”. Assim mesmo. Quem não acredite, veja a página 16.

 

Dizer que tudo isto é uma vergonha não serve de nada. É que, de facto, não há vergonha nem moralidade no poder local e na política portuguesa.

 

Andam a gozar com os portugueses, a aproveitar-se da democracia e arruinar o país. E os casos contados não serão mais do que uma pequena amostra da situação real.  

 

E as instituições que deveriam fazer a supervisão do poder local, como os serviços de inspecção do Ministério da Administração Interna, ou o TC, são ou incompetentes ou coniventes. Ou estão tão sobrecarregadas, que não chegam para as encomendas.

 

Não é esta a vivência democrática que os portugueses desejam. Não é este tipo de poder que serve o país. É tempo de dizer basta!

 

publicado por victorangelo às 18:51

16
Set 13

Ontem, no centro da cidade, o jovem polícia discutia com uma automobilista alemã, que havia estacionado num sítio que dizia paragem proibida. A senhora argumentava que não tinha saído do carro e estava apenas à espera do marido, que tinha ido pagar a conta e buscar as malas ao hotel. O jovem polícia, de boas maneiras, explicava-lhe que isso não era justificação que se pudesse aceitar. Apontava para o sinal de proibição e explicava-lhe que trinta metros mais à frente já era permitido parar, embora por apenas 15 minutos, no máximo, e contra pagamento. A senhora não queria aceitar e a coisa estava a ficar azeda. Entretanto, fui andando.

 

O interessante da estória era que o polícia, um simples agente de rua, falava inglês com fluência. Como poderia ter falado em letão ou em russo. O incidente veio uma vez mais confirmar a minha impressão que em Riga os jovens falam frequentemente três idiomas. Cada vez que vou a uma pequena loja e que inicio a conversa em inglês, recebo resposta, do outro lado do balcão. Com naturalidade, sem hesitações.  

 

Dizem-me que muitos dos jovens terão estudos universitários e que, depois, trabalham no que aparece. Não sei se assim será. Mas que se fica com a impressão de que existe um nível de escolaridade elevado entre a juventude, isso sim. E muita educação e boa vontade.

publicado por victorangelo às 19:58

15
Set 13

É delicioso passear nas ruas do centro de Riga, a capital de Letónia. A maioria está fechada ao trânsito de automóveis, naquelas em que há carros, circula-se com calma e prudência. Logo isto faz uma grande diferença. Há toda uma zona de parques e de passeios entre as flores. E a maioria, se não todos, os prédios de Art Nouveau foram reabilitados e são um prazer para os olhos e a alma.

 

Respira-se tranquilidade nesta cidade. E beleza humana, que ninguém sai à rua arranjado de qualquer maneira. Antes pelo contrário. A rua é algo de solene e de bem tratado e esse ambiente exige que as pessoas tenham um comportamento adequado.

 

Respira-se, igualmente, patriotismo e fé no futuro. Encostada que está às costas do gigante russo, a Letónia é fundamentalmente um país que quer ser ocidental e do mainstream europeu. 

publicado por victorangelo às 15:37

14
Set 13

Visto de longe, que é o meu caso, através dos resumos que têm aparecido na imprensa, o debate sobre Portugal, a União Europeia e o futuro, organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, deve ser considerado como uma excelente iniciativa.

 

Reuniu, ontem e hoje, gente com as mais diversas opiniões e abriu a porta ao diálogo, de uma maneira civilizada. É um bom exemplo, num país em que a discussão pública continua a ser feita aos arrebates, tantas vezes, apenas como um desabafo irracional.

 

Isto não quer dizer que todas as intervenções tenham sido de boa qualidade. Quer dizer, simplesmente, que é bom que olhemos para nós e para a nossa inserção no mundo com tranquilidade e abertura de espírito.

 

publicado por victorangelo às 15:13

13
Set 13

Os juros a 10 anos chegaram hoje aos 7,235%.

 

Este é valor que Portugal terá que pagar, se for aos mercados neste momento. É uma mensagem forte sobre a falta de confiança da comunidade internacional na nossa capacidade em sair da crise financeira em que nos encontramos.

 

Diz-nos, também, que um segundo resgate, com condições duras, é, para já, considerado inevitável.

 

Junte-se a isto a posição do Eurogrupo e de Bruxelas. Ambos disseram claramente que a meta dos 4% para o défice das finanças públicas, em 2014, é para cumprir.

 

As indicações não podem ser mais claras. Do lado de fora, não haverá grandes folgas nem contemplações.

 

Este é, pois, um assunto de importância estratégica, que deveria estar no centro do debate nacional, na mira dos dirigentes políticos.

 

Mas, não está.

 

Uns fingem que não vêem. Outros, são de facto, tapados e não enxergam mesmo.

 

publicado por victorangelo às 15:43

12
Set 13

Numa conversa em Riga, à hora do almoço, falava-se de ambição e de como certos povos – como esta gente aqui do Báltico – têm o hábito de tudo fazerem para estar entre os melhores.

 

À mesa estava um velho inglês, que bem conhece Portugal e os Portugueses, que me disse achar o nosso povo pouco ambicioso. Ou seja, na sua opinião, contentamo-nos com o bom, quando poderíamos, nalguns áreas, estar entre os primeiros. Chega-nos um bom restaurante, não procuramos ter o melhor da Europa. É-nos suficiente ter um emprego estável, não queremos correr o risco de tentar um trabalho de ponta. Queremos exportar mais para os nossos mercados tradicionais – e exportar os produtos do costume – sem tentarmos a aventura de novos mercados, a exportação para países fora da nossa zona de conforto.

 

Não sei se terá razão, nos exemplos que deu. Mas a verdade é que em política não há, de facto, ambição em Portugal. Desde que não nos chateiem nem aumentem os impostos, ficamos satisfeitos com os medíocres que estão nas chefias dos principais partidos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 13:10

10
Set 13

Não sei por que razão, mas a minha neta, com três anos e vários meses, fez-me pensar nos políticos portugueses.

 

Vou explicar.

 

Foi ao Jardim Zoológico – está uma maravilha, vale a pena visitar – e ficou largos minutos em frente do tigre, olhos nos olhos, apenas o vidro a separá-los. Sem medo nem nenhuma reacção de alarme. Depois, num repente, deu um salto para o lado e lançou um grito de desespero: Uma mosca!

 

E afastou-se rapidamente do local. 

publicado por victorangelo às 22:22

09
Set 13

Foi hoje criado, por iniciativa do Ministério da Administração Interna, um “Grupo de Reflexão Estratégico em Segurança Interna (GRESI)”. Este grupo vai estar ancorado no Instituto de Direito e Segurança da Universidade Nova de Lisboa.

 

Vou seguir o seu trabalho com interesse.

 

Pelo nome, parece que é o grupo que é estratégico, não a reflexão. Espero, no entanto, que consiga produzir uma reflexão de importância estratégica, numa área onde há muito que deveria ser modernizado e tornado mais eficiente.

 

Temo, no entanto, que falte ambição e coragem. O líder do grupo, alguém próximo de Isaltino Morais, um professor que dá pelo nome de Nelson Lourenço, deu há meses uma entrevista à RTP, onde disse que em Portugal não há excesso de polícias, embora o rácio de agentes por habitante seja dos mais elevados da UE. É certamente uma maneira curiosa de ver as coisas.  

 

Mas o melhor é esperar e ver o que vai resultar desta reflexão. 

publicado por victorangelo às 22:24

08
Set 13

Creio ser uma ilusão, que poderá custar caro, pensar que os outros estados membros da União Europeia, a começar pela Alemanha que sair das eleições deste mês, irão estar mais flexíveis, no que respeita à execução do programa financeiro português. Quem assim pensa acredita que vai ser possível atenuar os prazos de cumprimento das metas e obter dinheiro fresco, sem condições estritas, para um programa intercalar ou cautelar, após a troika e antes do regresso total aos mercados.

 

A verdade é que os países europeus estão cada vez mais introvertidos. A solidariedade entre as nações europeias é, neste momento e no futuro mais próximo, moeda de pouco valor. Não se pode contar com ela.

 

Teremos, isso sim, que contar connosco. Isso passa, entre outras coisas, por sabermos defender, sem hesitações, os nossos interesses perante os interesses dos outros. Temos que saber jogar dentro do sistema e ter a coragem das nossas convicções.

 

Os que acreditam que a solução passa pela saída do euro estão redondamente enganados. A saída seria um salto no desconhecido, um mergulho numa miséria ainda maior. Uma moeda nova e desvalorizada não aumentaria a nossa capacidade de exportação de modo que compensasse. Muito do que exportamos tem incorporado partes e componentes importados. Importaríamos mais caro para vender mais barato.

 

A solução passa, isso sim, pela nossa criatividade, conhecimento e capacidade de nos conectarmos devidamente ao mundo exterior. Tem que ver com um país aberto ao mundo, não com uma terra fechada sobre si própria.

 

O tempo do “orgulhosamente só” já passou. Não deu resultado na altura e não daria mais pão agora.   

publicado por victorangelo às 23:06

07
Set 13

Estive, de manhã, na Quinta da Regaleira em Sintra. A quinta, com todo o seu mistério, simbolismo e referências aos ritos de passagem, é uma atracção única e grande, para milhares de turistas. Sem esquecer que a beleza das árvores e do parque vegetal que a compõem.

 

Hoje, como de costume, havia uma grande presença de turistas russos. Dizia-me um dos funcionários da Regaleira que, depois do 11 de Setembro, os americanos quase que desapareceram. E que, nos últimos três anos, os visitantes vindos da Rússia tem aumentado de um modo bastante visível. Há aqui matéria que convirá ter em conta, em termos da planificação da promoção de Portugal no mundo.

 

A Quinta é um bom exemplo da importância do turismo para a economia ligada ao turismo. Com tudo bem arranjado e a funcionar bem, atrai-se gente de fora e dá-se emprego a muitos jovens portugueses.

 

Perto do meio-dia, ao deixar a Quinta, de regresso a Lisboa, deparei com filas intermináveis de viaturas a tentar entrar no centro histórico de Sintra. Era um verdadeiro pandemónio. Parece que assim é, durante todo o Verão, sobretudo aos fins-de-semana. Sintra é um magnete turístico. Ainda bem. Sem esquecer que faz bem ver terras da província com dinamismo a sobrar.

 

 

publicado por victorangelo às 22:22

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