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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Ao rubro

A crise na Ucrânia tem despertado toda uma série de reacções emocionais. Os colunistas que escrevem sobre o assunto fazem-no, em geral, de forma exaltada, cem por cento a favor de uns e cem por cento contra os outros. Os intelectuais de esquerda, por exemplo, esquecem-se dos interesses em jogo e passam o tempo a demonizar os novos dirigentes e a defender a Rússia. Como se a Rússia de Putin fosse a Rússia dos sovietes, a Europa a vanguarda do imperialismo internacional e os líderes ucranianos uns rebentos tardios do nazismo de outrora. A direita, por seu turno, procura humilhar os russos a qualquer custo e fazer de Putin o derrotado desta história.

 

Estas visões estreitas e sectárias de uma realidade bem complexa acham que a confrontação deve ser a chave do problema. Assim se cria uma atmosfera favorável à violência. Por isso, a posição mais correcta, neste momento, é a que procura acalmar o jogo e sublinhar que a falar é que todos se entendem.

Coragem política

Passar dois ou três dias em Lauenen, a cinco quilómetros de Gstaad, nos Alpes suíços, com um Sol radioso, ajuda a perceber que tudo depende da capacidade de liderança. A localidade, com cerca de 800 habitantes e dezenas de chalés de madeira, era um buraco sem interesse há trinta anos. Hoje é um destino de turismo de luxo. Os habitantes, que outrora viviam ao sabor dos subsídios, são agora dos mais prósperos do país. As autoridades locais souberam dar a volta a uma natureza agreste e transformá-la numa fonte de riqueza. Para isso apostaram na conservação das belezas naturais, no ordenamento do território, na disciplina cívica e na segurança das pessoas e dos seus bens. Nada disto é excepcional. O que é excepcional é encontrar os políticos que tenham a coragem de o fazer.   

Globalmente

Hoje volto a andar pelos aeroportos. E volto a pensar que a globalização, que é uma característica do mundo de agora, não é apreciada por todos da mesma maneira. Muitos pensam que a globalização das economias e das relações comerciais representa uma ameaça para a segurança do seu emprego e a estabilidade nacional. As desvantagens parecem evidentes, sendo os benefícios pouco claros. Há aqui um debate a fazer. Voltar atrás, ao tempo dos espaços económicos fechados e em autarquia, não será a solução. Quem se fecha em casa perde a batalha. Mas deixar andar as coisas, sem que haja uma linha clara, ao nível do país e da Europa, de resposta aos desafios internacionais, também não é solução.

Um socialismo às aranhas

O meu texto mais recente, na Visão, aborda as hesitações ideológicas que definem a situação actual dos partidos socialistas e social-democratas europeus. Passo a citar:

 

Na bruma das eleições europeias

Victor Ângelo

 

 

A três meses das eleições, o centro-esquerda europeu anda à procura do norte. François Hollande, com a reviravolta política que anunciou recentemente, veio certamente aumentar a confusão. Mas desorientação ideológica e programática já vem de longe. Ficou agora pior com os resultados de várias sondagens, que revelaram um crescimento acelerado dos partidos extremistas e populistas, sobretudo do lado da direita radical. No caso francês, a sondagem mais recente coloca a Frente Nacional de Marine Le Pen na primeira posição, em termos de intenções de votos, seguida do movimento de direita de Nicolas Sarkozy. O Partido Socialista ocuparia o terceiro lugar, com cerca de 18% do eleitorado.

 

A verdade é que os partidos socialistas, na vertente social-democrata, não têm sabido construir uma teoria política alternativa que os torne credíveis aos olhos dos eleitores. A repetição do discurso contra a austeridade e a favor da manutenção inalterada do estado social sabe a pouco, para os cidadãos que poderiam votar à esquerda. Mais ainda. Dá a impressão de irrealismo bem como de indigência de ideias novas. Aparece como um anseio romântico, uma ilusão de que seria possível um retorno à situação anterior à crise económica internacional, como se a realidade de hoje e dos próximos anos fosse uma mera reprodução do que existia antes de 2007. Ora, a informação circula e as pessoas sabem que a Europa e o mundo estão num processo de transformação acelerada, que traz consigo um conjunto de novos desafios.

 

O maior desafio político, que não tem encontrado uma abordagem clara por parte dos dirigentes do socialismo democrático – assim chamado para os diferenciar dos que acreditam nos vanguardismos de minorias iluminadas – é o da globalização. Não se trata apenas da internacionalização das relações económicas. É a globalização da economia, sim, mas também da informação, das mentalidades, das oportunidades, dos problemas e das ameaças. Uma célula terrorista no Iémen pode pôr em causa a segurança nas ruas de Londres. Uma unidade de espionagem cibernética em Xangai pode minar as operações comerciais da Airbus em Toulouse. A desertificação da metade norte do continente africano terá consequências ainda pouco descortinadas sobre o clima do Sul da Europa. Produzirá igualmente uma intensificação das migrações através do Mediterrâneo. A pesca indiscriminada e ilegal ao longo das costas ocidentais de África vai alterar de modo radical as oportunidades de sobrevivência de milhões de famílias que vivem na região. Daqui resultará uma dinâmica de insegurança completamente diferente. Tudo isto terá impacto sobre o nosso futuro. Sem esquecer que o reequilíbrio da economia mundial continuará a exercer uma pressão desmedida sobre o emprego nos países europeus.

 

Qual é a resposta do socialismo europeu? Ou perante questões mais imediatas, como a segurança dos cidadãos mais vulneráveis, a xenofobia crescente, a sustentabilidade do modelo social europeu, nomeadamente nas áreas da saúde, do apoio à terceira idade e aos desempregados de longa duração? Estas são algumas das grandes preocupações dos europeus, hoje melhor informados que nunca. O centro-esquerda não as pode ignorar.  

Enquanto observo a timidez da afirmação socialista, vou-me lembrando do que aconteceu aos partidos comunistas. Estão hoje defuntos ou moribundos. O próprio Partido Comunista Francês, que foi um exemplo ao longo de décadas, encontra-se relegado para uma posição sem peso nem perspectivas. No ano passado, abandonou os símbolos da foice e do martelo. Será que os partidos socialistas europeus estarão agora num processo semelhante, a caminho de uma marginalização política em grande parte autoinfligida?

De volta

Depois de uma longa viagem pela Austrália, mais umas visitas a Singapura, Hong Kong e Macau, estou de volta. Nesta nova etapa, o blog vai falar mais do exterior e menos de Portugal. Já existe muita gente a falar de Portugal. Mas as vistas continuam estreitas, como se não houvesse mundo para além das fronteiras. Ora, o valor que posso acrescentar é o de contar outras experiências, que nos ajudem a olhar para nós próprios com uma visão mais ampla daquilo que somos e do que poderíamos ambicionar. O conhecimento e a comparação são as raízes que dão vida à ambição.

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