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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Europa e África: uma interdependência que se ignora

 http://tinyurl.com/q92cawy

O link acima dá acesso ao meu texto de hoje na revista Visão.

 

Escrevo sobre a Cimeira Europa-África, que acaba de ter lugar em Bruxelas. Procura sublinhar que esta é uma relação estratégica, mas em relação à qual há muito ruído, muita coisa lateral e cada vez menos atenção ao que é de facto essencial para o futuro de ambos os Continentes.

 

Transcrevo em seguida o texto original:

 

 

Europa e África: paradoxos e interdependência

Victor Ângelo

 

 

Dias atrás, mais de 60 líderes africanos e europeus estiveram reunidos em Bruxelas, para fazer um balanço e olhar para o futuro. Foi a IV Cimeira UE-África. Em retrospetiva, é fácil cair no comentário azedo e dizer que estas “grandes missas solenes” não servem para nada. Ou então, do lado oficial, proclamar que se tratou de um imenso sucesso.

 

A verdade é que nem oito nem oitenta. As cimeiras são importantes. As relações internacionais têm evoluído no bom sentido graças, nomeadamente, à pressão entre pares, ao mais alto nível, que está subjacente ao trabalho de preparação e à realização de encontros deste género. A insistência na boa governação, nos direitos humanos, na paz, na segurança e na luta contra a pobreza, entre outras questões, pode não converter um ditador à democracia. Mas tem contribuído para a melhoria do clima político nestas e noutras paragens. Do lado europeu, este tipo de eventos permite à sociedade civil, à comunicação social, aos centros universitários e outros grupos de reflexão chamar a atenção, em Bruxelas e nos estados membros, para a importância estratégica da interdependência entre a Europa e África.

 

A cimeira ofereceu igualmente a oportunidade de ver o continente africano com outros olhos. Não sei se os europeus souberam aproveitar a ocasião. A declaração final, extensa de 10 páginas, tem todavia muitos aspetos positivos. É uma boa agenda para os diálogos que se seguirão. O problema nestas coisas é que muitas vezes o acordo formal passa rapidamente a letra morta e as partes voltam ao velho hábito de sublinhar sobretudo os pontos de divergência. No passado, a exclusão ou não de Robert Mugabe desviou as atenções do essencial. Agora, o assunto não passou de um parêntesis sem relevo, embora desse um pretexto ao presidente da África do Sul para não estar presente. Uma posição que teve mais que ver com os desafios de política interna que Zuma enfrenta que com qualquer real simpatia pelo vizinho do Zimbabué.  

 

Desta vez, um dos pontos de fricção ancorou-se nos direitos das minorias sexuais. Os europeus aproveitaram a ocasião para censurar os estados africanos que recentemente criminalizaram a homossexualidade. Visaram, sobretudo, o Uganda, a Nigéria e a Etiópia. No caso do Uganda, a Dinamarca e a Holanda decidiram mesmo suspender os seus programas de cooperação. O que permitiu a alguns dizer, nos sussurros maliciosos que preenchem as pausas para café, que a ajuda ao regime de Museveni deveria ter sido travada há mais tempo, quando este andava assaz ocupado com a repressão dos seus opositores políticos. E a outros acrescentar que o surto de ébola na região da Guiné também deveria ter merecido uma réstia de atenção e uma resposta rápida da UE, que teria marcado pontos.

 

Do lado africano, as recriminações foram outras. África não aceita que chefes de Estado, como é o caso de Omar Al-Bashir do Sudão, possam ser levados perante o Tribunal Penal Internacional, enquanto estiverem em funções. E não vê escusa para a falta de apoio da Europa. Sobretudo depois de ter havido um fechar de olhos face a um caso semelhante, o do presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta. Como também não compreende um outro exemplo de dois pesos e de duas medidas: estando ambos suspensos pela União Africana, a UE convidou o grande Egipto e excluiu a pequena Guiné-Bissau.

 

Gosto de lembrar que os paradoxos fazem parte das relações internacionais. O fundamental é não perder de vista a relevância do relacionamento da Europa com a África e passar das palavras à ação. A agenda comum tem muito pano para mangas. Felizmente. Assim haja vontade política.

 

O sorteio dos assaltos

Recebi ontem um mail do director-geral dos impostos de Portugal –parece que lhe chamam Autoridade Tributária – a dizer que as minhas facturas de Janeiro iriam entrar no sorteio para a atribuição de um Audi da série não sei quantos.

 

Foi uma surpresa agradável.

 

Primeiro, porque em Janeiro - nem desde então – não estive um só dia em Portugal. Deve ser por causa da factura da EDP pela luz da casita que lá tenho fechada. Segundo, por notar que as Finanças não se esquecem de mim, apesar de eu não viver nem trabalhar nem ter qualquer rendimento em Portugal desde 1978. Terceiro, pela amabilidade que teve de enviar um mail, a dizer que eu também estou na lista dos milhões de facturas que irão a sorteio. É verdade que todos devem ter recebido um mail semelhante, mas fica-se contente quando uma mensagem personalizada nos é enviada pela Autoridade que zela pelos nossos impostos.

 

Só não gostei da ideia de ganhar um Audi. A única vez em que fui assaltado, em Portugal, durante uma breve passagem por Lisboa, foi quando a empresa de aluguer de automóveis me enfiou um carro dessa marca nas mãos. Os ladrões, sempre atentos aos sinais exteriores de ostentação, seguiram-me… E o resto é história.

 

Apesar do carrito, nessa minha infeliz aventura, ter sido da série mais baixa da marca.

Agora imaginem um trabalhador que ganha o salário mínimo mas que vê a Autoridade pôr-lhe nas mãos um Audi – o feliz premiado – a quantos assaltos não ficará potencialmente exposto.

 

Estes sorteios são um perigo para a segurança dos cidadãos.

 

 

Massacres e crise nacional

Há vinte anos que começou o genocídio no Ruanda. E, umas semanas depois, fui enviado para a Tanzânia, como representante da ONU. No rol das minhas atribuições estava a coordenação da recepção das centenas de milhares de refugiados Hútus que iam chegando à Tanzânia e o acompanhamento político da crise, do meu lado da fronteira. As imagens de multidões de refugiados que fugiam a pé do Ruanda, dos massacres e da chegada ao poder dos rebeldes Tutsis ficaram para sempre gravadas na minha memória.

 

Uma vez levei a minha filha mais nova, que na altura tinha catorze anos acabados de fazer, para a zona, a muitas horas de voo de Dar-es-Salaam. Aconteceu que nesse dia o rio Kagera, que corre do Ruanda para a Tanzânia, estava a trazer um número elevado de corpos de vítimas dos massacres. Gente que havia sido assassinada e lançada às águas do rio. A dada altura, fui dar com a miúda a observar a pesca macabra que era o retirar da corrente esses cadáveres mutilados.

 

Aprendeu-se muito na altura. Mas quero apenas lembrar uma das lições, que sempre me vem à memória: o medo e ódio pelo outro podem, numa situação de crise nacional profunda, transformar vizinhos pacíficos em criminosos selvagens e cegos, capazes de tudo. Ali, como noutras partes do mundo.

 

BPN contado aos inocentes

O escândalo BPN continua na ordem do dia, apesar de se arrastar, sem solução, há seis anos. Visto de fora, através dos olhos das embaixadas estrangeiras em Portugal e dos grandes grupos económicos e de segurança que observam o que se passa no nosso país, a incapacidade de solucionar esta falência fradulenta aparece como um indicador do subdesenvolvimento institucional do nosso país, que permite que interferências políticas impeçam a resolução de um problema de grande gravidade.

 

Num outro país da UE, há muito que haveria gente a cumprir penas efectivas de prisão. E outros que se teriam demitido das funções oficiais ou públicas que exercem.

Uma vida florida

 

 

 

Copyright V. Ângelo

 

Comecei o passeio matinal de hoje de câmara na mão. Aqui, a dois passos de casa.

 

E lembrei-me da senhora deputada ao Parlamento Europeu (PE) que publicou uma foto da vista para o lago, de sua casa, e que lamentou ter que abandonar Bruxelas em breve. O líder do seu partido, que em política quem manda são os líderes dos partidos, não a seleccionou como candidata para a próxima volta no PE.

 

Na verdade, Bruxelas, para quem pode, é uma cidade muito confortável. Com bons parques e uma tranquilidade de vida que não se compara com muitos outros sítios.

 

Mas a política é assim. Manda quem manda, o resto é paisagem.

 

 

A notação da dívida pública portuguesa: uma questão premente

Portugal tem, neste momento, todas as condições para se poder financiar nos mercados de capitais a taxas de juro relativamente baixas. Com uma reserva de tesouraria de cerca de 16 mil milhões de euros, o que equivale a 10% do PIB, existe neste momento uma folga suficiente. Por outro lado, os mercados de capitais têm actualmente recursos excedentários que andam à procura de aplicações. A maior dificuldade reside no facto das agências de notação continuarem a classificar a dívida pública portuguesa a um nível bastante problemático, o que torna impossível a compra de papel do Estado português por parte dos melhores fundos de investimento. Infelizmente, o debate público sobre a dívida tem ignorado a importância da notação. Ora, é aí que há um enorme trabalho que tem que ser feito.

Mais uma trapalhada na área da segurança

Soube-se, ao fim do dia, que o governo decidiu que será a Força Aérea, não a GNR, que participará, do lado português, na missão da União Europeia na República Centro-Africana. Esta é, na verdade, uma decisão que cabe ao governo. E é importante que Portugal faça parte desta intervenção europeia. Mas dito isto, ficamos com a impressão que estamos, uma vez mais, perante um trapalhada política. Durante várias semanas, o governo assistiu, mudo e sereno, a toda uma campanha junto da opinião pública, que nos explicou com um certo pormenor que a GNR estava a preparar um pelotão de agentes especiais, que seria depois despachado para Bangui. O pormenor era tal que até nos diziam qual seria o tipo de funções que esses militares de polícia – estranha designação, mas assim é – iriam desempenhar.

 

Agora dizem-nos que afinal tudo isso havia sido feito sem que houvesse uma decisão política. Nesse caso, pergunto: quem tomou e com que autoridade, a decisão?

 

Há aqui uma história que não se entende. Que está a ser contada de modo incompleto. Sem mais esclarecimentos, sem que se entenda quem é responsável pela salsada, temos várias instituições a ficar muita mal nesta fotografia de cores mal definidas.

 

Ora, estas coisas não se compadecem com enredos.

O nosso comportamento e as mudanças climáticas

Na altura de decidir que meio de transporte iria utilizar para me deslocar ao hospital, do outro lado da cidade, lembrei-me da publicação, nesta segunda-feira, do quinto relatório da Painel Intergovernamental da ONU sobre as Mudanças Climáticas. O relatório, que resulta do trabalho colectivo de 837 cientistas de renome, espalhados pelo mundo, é bem claro sobre a necessidade de mudar de vida, tão depressa quanto possível, para que se possa ainda evitar o pior cenário, em termos de aquecimento global.

 

Vale a pena ler o relatório. Como também seria útil que a comunicação social aproveitasse melhor as principais conclusões que dele constam e as divulgasse. É um assunto muito sério, com consequências globais. Precisa de entrar na agenda da opinião pública e fazer parte integrante das preocupações das forças políticas.

 

Mas voltando à decisão que tinha que tomar, e por ter acabado de folhear o relatório em questão, acabei por me descobrir a comparar custos. Não apenas os custos monetários -2,20 euros de elétrico, quase 20 euros, se fosse de carro, adicionando o valor da gasolina ao do estacionamento – nem tão pouco os custos em termos de tempo de trajecto: 41 minutos de eléctrico, um pouco mais de 30, indo de carro. Pensei nos custos ecológicos: 264 gramas de emissões CO2, no transporte público, contra 1391 gramas, caso utilizasse o meu veículo.

 

Qual foi a decisão que tomei?

A igualdade aparente

Ser operado ao olho direito no Dia das Mentiras talvez não pareça coisa muito séria. Mas assim foi. Entrei às sete da manhã, passei para a sala de operações às oito, voltei ao meu quarto às 09:30 e tive alta pouco depois do meio-dia. Tudo exactamente como programado. Como o meu cirurgião é um dos grandes especialistas de Bruxelas, e como não havia urgência, tive que esperar quatro meses por vez. Faz oito cirurgias por semana, todas à terça-feira de manhã.

 

O hospital é privado, ou seja tem uma gestão independente do sistema nacional de saúde e é propriedade de investidores privados, mas o que que conta é o regime de segurança social dos pacientes. Um paciente no regime geral, público, pode optar por se fazer operar nesse hospital, se o seu médico operar aí. O sistema público reembolsa o hospital, de acordo com uma tarifa previamente estabelecida por acordo para cada tipo de intervenção.

É um sistema relativamente igualitário. Mas não totalmente. No meu caso, como não estou inscrito em nenhum sistema nacional de saúde – estou abrangido por esquema próprio da ONU – as limitações são menores. Isto que dizer que uma lente inserida na vista de um paciente do sistema público tem um limite de preço, e por isso, de qualidade. Ou seja, o que parece 100% igualitário acaba por não o ser.

 

Faz reflectir.

 

 

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