Portugal é grande quando abre horizontes

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Jun 14

Em política, quem perde a iniciativa perde o poder. Ganhar e manter a iniciativa, definir a agenda, marcar o ritmo, são características fundamentais da liderança. No caso do PS, são as faces do prisma que permite descortinar quem vai ficar à frente do partido.

publicado por victorangelo às 21:26

Chamamos "lobo solitário", sem ofensa para os verdadeiros lobos dos montes, ao jovem radicalizado que vive em meio urbano e com a ideia fixa que tem como missão divina matar ao acaso o que designa por "inimigos infiéis".

 

Escrevo hoje sobre esse assunto na edição que acaba de ser posta à venda da Visão.

 

O link para o texto é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/l8n4shd

 

Quanto ao texto original, tal como foi submetido para publicação, fica também aqui disponível.

 

 

Andam “lobos solitários” pelas cidades

Victor Ângelo

 

 

 

Malika, argelina de gema, professora em Orão, esteve há dias em Bruxelas. E ficou surpreendida. Primeiro, por ver tantas mulheres jovens com a cabeça coberta por um véu e de roupa compatível com o hijab, uma palavra que significa, para os muçulmanos, modéstia na maneira feminina de vestir. Disse-lhe que sim, que se tem notado, nos últimos anos, um retorno flagrante a esse tipo de indumentária. Nas ruas, nas escolas, no dia-a-dia da cidade, a presença islâmica é agora mais visível. Acrescentei que se trata de uma geração que, apesar de já ter nascido na Bélgica, está muito marcada pelos valores tradicionais das sociedades de origem dos seus pais. Respondeu-me que na Argélia se verifica uma tendência contrária. Quando podem, as jovens procuram vestir-se à ocidental. A segunda surpresa surgiu quando visitou as grandes lojas do centro da cidade. Por várias vezes, os empregados de balcão, ao ver a sua fisionomia bem típica do Norte de África, lhe perguntaram, em árabe simplificado, donde vinha e se vinha para ficar. Ou seja, se se tratava de uma nova imigrante. Quando lhes retorquia que não, que regressaria dentro de dias à Argélia, eram eles que ficavam pasmados, como se tal fosse impensável e Malika um ser estranho.

 

Estava eu ainda a digerir estas contradições, da afirmação crescente na Europa dos sinais exteriores da identidade islâmica e da imigração de pessoas provenientes de culturas distintas das que definiram a nossa parte do mundo, quando ocorreu, também em Bruxelas, o atentado contra o Museu Judaico. Quatro mortos, abatidos ao acaso, apenas por estarem no museu no momento do ataque. A análise das imagens e das circunstâncias apontava claramente na direção de um “lobo solitário”, um jovem radicalizado e com o sangue-frio que só a experiência de teatros de guerra permite adquirir. O da Síria, acima de tudo.

 

E assim parece ser, agora que um suspeito francês de raízes norte-africanas foi detido. Medhi Nemmouche, de seu nome. Note-se que foi intercetado por acaso, em virtude de uma operação de rotina da guarda-fiscal no terminal de autocarros de Marselha. Se tivesse afogado a arma e o resto dos indícios no canal que atravessa Bruxelas, não teria sido identificado tão depressa.

 

Medhi é um dos mais ou menos 700 franceses que se juntaram aos grupos radicais que combatem Assad e a oposição moderada. As polícias europeias têm uma lista com cerca de 5000 nomes, jovens nossos concidadãos mas com raízes ancestrais na cultura islâmica, como Medhi, que se terão alistado no grupo mais fundamentalista na Síria – o Estado Islâmico do Iraque e do Levante – bem como aderido a outras fações combatentes. 

 

A radicalização destes jovens preocupa sobremaneira alguns – nove – Estados da UE. Para além da França e da Bélgica, a Grã-Bretanha é outra fonte de topo para o recrutamento de extremistas. A situação em certas escolas britânicas é preocupante. Chegam a ter altifalantes para lembrar aos alunos a hora das orações. Aí, como noutros países, há quem brade contra a tolerância e a liberdade religiosa, contra “as conspirações judaicas”, contra a falta de valores morais dos europeus, acusados de ter comportamentos que “ofendem Alá”. É verdade que a generalidade dos cidadãos de fé islâmica e dos pregadores não alinha nesse radicalismo e está integrada nas sociedades a que pertencem. Mas existe um número de jovens que se deixa influenciar. Por muito reduzido que seja, não é de modo algum um número negligenciável, como os dados relativos à Síria o mostram. Representam uma ameaça muito séria. Para esses países e para a UE no seu todo.

 

 

publicado por victorangelo às 10:28

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