Portugal é grande quando abre horizontes

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Jun 14

Onze anos após a intervenção ocidental no Iraque, depois de dezenas de milhares de mortos e de incapacitados para o resto das suas vidas, de valores incalculáveis gastos com a guerra, a reconstrução e a estabilização, o país está novamente em crise profunda. Desta vez, a fractura abre-se ao longo das linhas étnico-religiosas. É uma divisão identitária, baseada nos medos colectivos, na exclusão dos outros que não partilham as mesmas raízes culturais, uma divisão fanática e assassina que vive de mitos ancestrais e ódios antigos.

 

A guerra entre vizinhos é sempre a mais cruel e dramática.

 

Quanto a nós, na nossa parte do mundo, a diferença entre hoje e 2003 define-se pela indiferença. Agora, o chamado Ocidente passa ao lado, olha para o futebol ou para o umbigo, para os orçamentos públicos, e não tem ânimo nem vontade de agir. A única preocupação, e mesmo essa é apenas um franzir de sobrolho vago, tem a ver com a produção de petróleo. O Iraque é o segundo maior produtor, no seio da OPEP ou OPEC, na sigla inglesa. Mas como o Ocidente está cada vez menos dependente do petróleo do Médio Oriente, o impacto do caos actual permanece dentro de limites aceitáveis. Os mercados financeiros e, em particular, os respeitantes aos recursos naturais, estão a reagir à crise com calma. Os políticos seguem, então, os indícios que os mercados lhes oferecem. E acham, por isso, que não há pressa.

 

Mas há. A pressa que tem que ver com as centenas milhares de refugiados que estão em debandada. Com as execuções sumárias que os extremistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante estão a levar a cabo, em Mossul e noutras cidades entretanto ocupadas. Uma pressa que tem igualmente que ver com a necessidade imperiosa de pôr um travão ao avanço das ideias extremistas. E de mostrar que o Ocidente pode ser e é um aliado com o qual os moderados do Médio Oriente devem contar.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:13

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