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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A chamada reforma do Estado

A experiência ensina-nos que um Estado que é visto pela sua população como tendo uma justiça fraca ou mesmo ineficiente é um Estado em falência. Quando a essa percepção se acrescenta o sentimento popular que o justiça apenas pune os mais fracos e deixa impunes os poderosos, da política, da economia, da banca, da vida social e dos media, a situação é ainda mais grave.

 

Ora, é isso que tem acontecido em Portugal. A administração da justiça deixa muito a desejar. E, para mais, muitas das decisões dos juízes levam a perplexidade dos cidadãos.

 

Este é um dos sintomas que mostra que temos um Estado, e uma sociedade, muito enfraquecidos. Quando se fala da reforma do Estado, nada disto é abordado. Ora, a reforma tem que passar por um melhor funcionamento das funções primordiais do Estado. Deve, mesmo, começar por aí.  

O valor precioso do desportivismo

Hoje, depois do jogo entre Portugal e Alemanha, tem que se falar de futebol. Aliás, estamos todos a falar sobre a questão. O meu ângulo, para não chover mais no molhado, é o do fair play. Do jogo com maneiras, regras, com desportivismo e elegância na maneira de encarar a disputa.

 

Aí, não tenho dúvidas, ganharam os alemães. Por uma cabazada, em certa medida. E isso deixa-me pensativo. Muito.

Escrever com letras grandes

A quem me pergunta, respondo que escrever sobre coisas pequenas, de somenos importância ou triviais, acaba por nos condicionar o pensamento. Começamos, então, a dar relevância ao que não deveríamos. A perder tempo com pormenores, exagerando-lhe o valor. É verdade que por vezes é bom falar da árvore. Mas, na maioria dos casos, há que ir mais longe e ter a floresta como centro da atenção.

 

Dizem-me, como resposta, que a malta gosta dos pormenores e compreende melhor a árvore que o bosque. Talvez assim seja. Talvez assim se ganhe ou perca audiência. E os números da audiência é que contam, acrescentam.

Verdade, claro que sim.

 

Mas a minha opção continua a ser a outra. Sem, no entanto, chegar à ideia absurda de um personagem que conheci, que escrevia para um leitor apenas: para ele!

A praia é mais atractiva

 

 

Copyright V. Ângelo

 

No passeio da praia, em Oostende, no litoral belga.

 

Entre ler os jornais portugueses – tenho vários dias de atraso – e fazer qualquer coisa de positivo, resolvi ir à praia. Aproveitar o Sol, que estava um dia lindo. Esquecer as historietas da actualidade portuguesa, que podem ser lidas vários dias depois, são sempre as mesmas tragédias, com os pensadores públicos e os intelectuais de toda a espécie a repetirem, todos os dias, o que outros já disseram.

 

Ainda por cima, esta fotografia mostra-nos dois pombinhos – viram bem? – e não outros passarões de má fama.

 

 

 

Iraque e o Ocidente

Onze anos após a intervenção ocidental no Iraque, depois de dezenas de milhares de mortos e de incapacitados para o resto das suas vidas, de valores incalculáveis gastos com a guerra, a reconstrução e a estabilização, o país está novamente em crise profunda. Desta vez, a fractura abre-se ao longo das linhas étnico-religiosas. É uma divisão identitária, baseada nos medos colectivos, na exclusão dos outros que não partilham as mesmas raízes culturais, uma divisão fanática e assassina que vive de mitos ancestrais e ódios antigos.

 

A guerra entre vizinhos é sempre a mais cruel e dramática.

 

Quanto a nós, na nossa parte do mundo, a diferença entre hoje e 2003 define-se pela indiferença. Agora, o chamado Ocidente passa ao lado, olha para o futebol ou para o umbigo, para os orçamentos públicos, e não tem ânimo nem vontade de agir. A única preocupação, e mesmo essa é apenas um franzir de sobrolho vago, tem a ver com a produção de petróleo. O Iraque é o segundo maior produtor, no seio da OPEP ou OPEC, na sigla inglesa. Mas como o Ocidente está cada vez menos dependente do petróleo do Médio Oriente, o impacto do caos actual permanece dentro de limites aceitáveis. Os mercados financeiros e, em particular, os respeitantes aos recursos naturais, estão a reagir à crise com calma. Os políticos seguem, então, os indícios que os mercados lhes oferecem. E acham, por isso, que não há pressa.

 

Mas há. A pressa que tem que ver com as centenas milhares de refugiados que estão em debandada. Com as execuções sumárias que os extremistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante estão a levar a cabo, em Mossul e noutras cidades entretanto ocupadas. Uma pressa que tem igualmente que ver com a necessidade imperiosa de pôr um travão ao avanço das ideias extremistas. E de mostrar que o Ocidente pode ser e é um aliado com o qual os moderados do Médio Oriente devem contar.

 

 

 

 

O radical anda de autocarro

Chamamos "lobo solitário", sem ofensa para os verdadeiros lobos dos montes, ao jovem radicalizado que vive em meio urbano e com a ideia fixa que tem como missão divina matar ao acaso o que designa por "inimigos infiéis".

 

Escrevo hoje sobre esse assunto na edição que acaba de ser posta à venda da Visão.

 

O link para o texto é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/l8n4shd

 

Quanto ao texto original, tal como foi submetido para publicação, fica também aqui disponível.

 

 

Andam “lobos solitários” pelas cidades

Victor Ângelo

 

 

 

Malika, argelina de gema, professora em Orão, esteve há dias em Bruxelas. E ficou surpreendida. Primeiro, por ver tantas mulheres jovens com a cabeça coberta por um véu e de roupa compatível com o hijab, uma palavra que significa, para os muçulmanos, modéstia na maneira feminina de vestir. Disse-lhe que sim, que se tem notado, nos últimos anos, um retorno flagrante a esse tipo de indumentária. Nas ruas, nas escolas, no dia-a-dia da cidade, a presença islâmica é agora mais visível. Acrescentei que se trata de uma geração que, apesar de já ter nascido na Bélgica, está muito marcada pelos valores tradicionais das sociedades de origem dos seus pais. Respondeu-me que na Argélia se verifica uma tendência contrária. Quando podem, as jovens procuram vestir-se à ocidental. A segunda surpresa surgiu quando visitou as grandes lojas do centro da cidade. Por várias vezes, os empregados de balcão, ao ver a sua fisionomia bem típica do Norte de África, lhe perguntaram, em árabe simplificado, donde vinha e se vinha para ficar. Ou seja, se se tratava de uma nova imigrante. Quando lhes retorquia que não, que regressaria dentro de dias à Argélia, eram eles que ficavam pasmados, como se tal fosse impensável e Malika um ser estranho.

 

Estava eu ainda a digerir estas contradições, da afirmação crescente na Europa dos sinais exteriores da identidade islâmica e da imigração de pessoas provenientes de culturas distintas das que definiram a nossa parte do mundo, quando ocorreu, também em Bruxelas, o atentado contra o Museu Judaico. Quatro mortos, abatidos ao acaso, apenas por estarem no museu no momento do ataque. A análise das imagens e das circunstâncias apontava claramente na direção de um “lobo solitário”, um jovem radicalizado e com o sangue-frio que só a experiência de teatros de guerra permite adquirir. O da Síria, acima de tudo.

 

E assim parece ser, agora que um suspeito francês de raízes norte-africanas foi detido. Medhi Nemmouche, de seu nome. Note-se que foi intercetado por acaso, em virtude de uma operação de rotina da guarda-fiscal no terminal de autocarros de Marselha. Se tivesse afogado a arma e o resto dos indícios no canal que atravessa Bruxelas, não teria sido identificado tão depressa.

 

Medhi é um dos mais ou menos 700 franceses que se juntaram aos grupos radicais que combatem Assad e a oposição moderada. As polícias europeias têm uma lista com cerca de 5000 nomes, jovens nossos concidadãos mas com raízes ancestrais na cultura islâmica, como Medhi, que se terão alistado no grupo mais fundamentalista na Síria – o Estado Islâmico do Iraque e do Levante – bem como aderido a outras fações combatentes. 

 

A radicalização destes jovens preocupa sobremaneira alguns – nove – Estados da UE. Para além da França e da Bélgica, a Grã-Bretanha é outra fonte de topo para o recrutamento de extremistas. A situação em certas escolas britânicas é preocupante. Chegam a ter altifalantes para lembrar aos alunos a hora das orações. Aí, como noutros países, há quem brade contra a tolerância e a liberdade religiosa, contra “as conspirações judaicas”, contra a falta de valores morais dos europeus, acusados de ter comportamentos que “ofendem Alá”. É verdade que a generalidade dos cidadãos de fé islâmica e dos pregadores não alinha nesse radicalismo e está integrada nas sociedades a que pertencem. Mas existe um número de jovens que se deixa influenciar. Por muito reduzido que seja, não é de modo algum um número negligenciável, como os dados relativos à Síria o mostram. Representam uma ameaça muito séria. Para esses países e para a UE no seu todo.

 

 

A velha questão das reformas

A pensão de reforma na Bélgica tem um limite máximo, por casal: não pode ultrapassar os 2723 euros. Também tem limite mínimo: 1263 euros. Ou seja, amplitude entre uma e outra, no que respeita à pensão legal, não é desproporcionada.

 

A diferença está nos complementos de pensão. Quem tiver aderido, ao longo da vida activa, a um esquema complementar privado de descontos, receberá, uma vez aposentado, um valor adicional.

 

Estes montantes, praticados numa economia bem mais rica que a portuguesa, estão, no entanto, neste momento, a levantar a questão da sua sustentabilidade. Há um consenso cada vez maior que as pensões, tal como são pagas hoje, não são sustentáveis, em virtude do crescimento contínuo da esperança de vida das pessoas com mais de 65 anos.

 

Para já, o primeiro passo vai no sentido de encorajar os cidadãos a adiar voluntariamente a idade de entrada na reforma.

Um dia de reflexão

Neste Dia de Portugal, de Camões e dos se encontram um pouco pelos vários cantos do mundo, lembrei-me que vivo fora do país há 36 anos. E fiquei a pensar que me sinto, acima de tudo, tendo em conta o clima que se vive actualmente em Portugal, como um exilado. Mas depois retirei esse pensamento. Conheci muitos exilados na minha vida, e seria uma falta de respeito para com o sofrimento que os rói falar no meu “exílio”.


Como estamos na semana do campeonato do mundo, passei de exilado a simples fora do jogo, auto-excluído da seleção. É bem mais verdade e provavelmente melhor entendido. Fora do jogo - e não fora-de-jogo - quer dizer que se está disponível para o desafio, mas que não se está pronto para aceitar as regras como elas são vividas hoje em Portugal. Há canelada a mais, muito empurrão e jogo sujo.

Viagens e políticos

Aproveitei uma parte do feriado de Pentecostes, que o é aqui onde me encontro, para arrumar as fotos da minha visita à Austrália. Cerca de 4 mil fotografias, depois de 5 mil quilómetros de carro e outros tantos de avião, que o país é um continente. Agora, com o digital, é só apertar no botão. Depois escolhem-se as melhores. Só que a escolha leva um tempo sem fim. Da próxima vez, ou vou a um país mais pequeno, do tipo de Andorra, ou tiro menos fotos. 

 

Ainda pensei mandar umas fotos a alguns dos nossos políticos, para que lhes dar uma chance de ver como se gere uma grande cidade, uma economia em crescimento e um país seguro. Pensei, depois, que estar a meter-me com os políticos que temos é uma perca de tempo. E que mesmo quando as realidades lhes entram pelos olhos dentro, eles não conseguem ver.

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