Portugal é grande quando abre horizontes

21
Out 14

A presença de empresas estrangeiras, de grandes grupos económicos, é cada vez mais visível em Stavanger. É verdade que Stavanger é a “capital” do petróleo norueguês e que por aqui dinheiro e poder de compra não faltam. Mas também é verdade que o governo da Noruega tem como política incentivar o investimento estrangeiro. E fá-lo com a lição bem estudada, com exigências claras e de um modo absolutamente previsível. Não há espaço para surpresas, para hoje ser uma coisa e amanhã as condições e os impostos serem outros. Como também ninguém trabalha nestas coisas com base em estudos feitos em cima do joelho.

Escrevo isto ao mesmo tempo que leio que o dono e senhor do Pingo Doce parece ter dito, segundo a imprensa portuguesa, que não gosta de investimentos chineses. Ora, os chineses são mais ou menos como todos os investidores de grande gabarito. Se têm pela frente um governo e um sector privado feito de amadores e de bonecos que só estão nos conselhos de administração por razões que nada têm que ver com a competência, tentam tirar proveito disso. O negócio deles é o de ganhar dinheiro, não se trata de andar por aí a fazer beneficência. Mas se do outro lado da mesa se sentarem negociadores a sério, os chineses também sabem ser sérios. E se o negócio vale a pena, avançam. Ganham assim ambos os lados.

Creio que não é demais repetir que nós não levamos os nossos interesses colectivos a sério. Somos uns improvisadores, nalguns casos não passamos de uns preguiçosos mentais, em muitos, temos uma grande propensão para a ingenuidade. É por isso que os chineses, os angolanos, os brasileiros, os árabes, e todos os que podem, se aproveitam de nós.

De quem é a culpa?

publicado por victorangelo às 17:53

20
Out 14

Amanhã viajo de novo para Stavanger, na Costa Ocidental da Noruega. Stavanger é um perfeito exemplo de uma cidade rica num canto perdido do fim do mundo. Vive-se bem e em segurança nessa terra. Mas a vida, sobretudo nesta altura do ano, é um aborrecimento. Não há nada para fazer, não há animação, é apenas trabalho e casa, casa e trabalho. Com chuva e vento, como será o caso nos próximos tempos.

publicado por victorangelo às 20:04

19
Out 14

A Renamo, ao dizer que não aceita o resultado das eleições presidenciais que acabam de ter lugar em Moçambique, está a ser coerente consigo própria. Incapaz de chegar ao poder pelo voto popular e sabendo que a violência armada não é solução, só lhe resta continuar a dizer que o processo eleitoral foi irregular. Cabe agora aos parceiros de Moçambique retorquir a Afonso Dhlakama que é altura de mudar de disco e de dançar ao rimo da democracia e da reconciliação.

publicado por victorangelo às 21:18

18
Out 14

Laurent Fabius, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, está em Xangai com dois objectivos.

Primeiro, tentar convencer o patrão do gigante comercial chinês Alibaba a estabelecer em França a sua base logística para a Europa. Isto faz parte de um plano francês de atracção de novos e maiores investimentos vindos da China.

O segundo motivo da sua visita tem que ver com o turismo francês. A França quer ver o número de turistas chineses passar dos actuais 1,5 milhões por ano para 5 milhões. Cada visitante chinês gasta em média 1600 euros, durante a sua estada em França. Um aumento significativo do número de visitantes teria um impacto positivo enorme sobre a economia francesa.

publicado por victorangelo às 20:35

17
Out 14

Vivo num país que me permite atravessar as ruas nas passadeiras para peões, sem ter que me preocupar. Nem é preciso olhar, diriam alguns dos habitantes desse país. E, na verdade, assim o fazem, como o constato muitas vezes. Existe confiança no civismo dos outros, incluindo dos que estão sentados atrás de um volante.

Infelizmente, tal não é o caso em Portugal.

publicado por victorangelo às 21:04

16
Out 14

Ao contrário do que os políticos europeus nos querem fazer crer, a epidemia de Ébola tem que ser combatida no terreno. Neste caso, na África Ocidental, na Libéria, na Serra Leoa e na Guiné. E para que isso aconteça, é preciso mobilizar um grande número de pessoal, médico, paramédico e logístico. Sem esquecer que a comunicação e a informação das populações é outra dimensão essencial da luta contra este flagelo. Especialistas em comunicação têm que fazer parte das equipas.

Tirar a temperatura à chegada dos passageiros aos aeroportos europeus não chega nem resolve o problema. Fechar as fronteiras, suspender os voos, impedir a circulação das pessoas são medidas absurdas.

Cuba, ao enviar centenas de técnicos de saúde para a Serra Leoa, está a dar o exemplo. Como o estão a dar os Estados Unidos e, numa dimensão mais reduzida, a Grã-Bretanha. A organização Médicos Sem Fronteiras é outro bom exemplo, como o são outras ONGs internacionais, entre elas, Save the Children.

A Organização Mundial da Saúde precisa, por outro lado, de mais meios financeiros. Só assim poderá desempenhar o papel de coordenação técnica que lhe cabe. Além disso, há que aumentar a ajuda alimentar às populações que estão no olho do furacão. A economia local tem sido profundamente abalada pela epidemia. Sem contar com o grande número de órfãos.

Tudo isto exige um esforço global. Uma concentração de esforços e de apoios aos países em causa.

Aqui fica a lembrança.

publicado por victorangelo às 17:36

15
Out 14

Tenho defendido nos meus escritos e nas minhas intervenções públicas que qualquer tentativa de aliança com extremistas ideológicos é um erro político grave. Esta posição assenta na experiência que tenho de muitas décadas de trabalho em várias partes do mundo.

Ontem assisti a mais um exemplo. O novo primeiro-ministro da Bélgica esteve no parlamento do país, para tentar obter a confiança política da assembleia. Foi um caos. Charles Michel, o novo PM, um jovem centrista da direita moderada e francófona, havia constituído uma coligação que integra, entre outros, extremistas de extrema-direita de língua flamenga. A imprensa, na véspera do debate parlamentar sobre o programa do novo governo, revelou que dois membros dessa organização extremista – um ministro e um secretário de Estado – haviam expressado “simpatia e compreensão” pelos belgas que haviam colaborado com o nazismo. Michel tentou passar por isso como um cão por vinha vindimada. A sua preocupação era a de salvar a coligação governamental a todo o custo.

Foi um pandemónio.

Mas mais que o caos, o caso revelou que quem faz alianças com extremistas fica numa situação de grande precaridade política, altamente fragilizado e, acima de tudo, prisioneiro desses talibãs de ideias inaceitáveis. Assim acontece, por muito boas, puras, moderadas e patrióticas que sejam as intenções de quem defende esse tipo de acordos.

Os extremistas entram neste tipo de alianças para ganhar terreno, para promover a sua visão fundamentalista e linear da vida em sociedade e da política.

A única receita que funciona em relação aos extremistas de todos os bordos é o combate político sem tréguas.

publicado por victorangelo às 17:11

12
Out 14

Em Blois esta noite, depois de ter visto um bom número de turistas brasileiros na região do Vale do Rio Loire, uma zona que é famosa pelo número e beleza dos seus castelos. Pelo que me foi dito, os brasileiros com posses estão numa de gastar e aproveitar o dinheiro que têm. Não acreditam no futuro imediato do país. Vive-se o presente.

Curiosamente, o meu anfitrião francês de ontem à noite também não vê com optimismo o futuro da França. Mas fala ainda com menos optimismo do presente e do ano que se aproxima.

Estamos numa fase em que a política tradicional e as cliques partidárias habituais estão a ser fortemente contestadas. E não apenas no Brasil ou na França.

É um período de grandes interrogações.

publicado por victorangelo às 20:27

11
Out 14

As minhas viagens trouxeram-me hoje para Richelieu, o sítio perto de Tours onde o Cardeal construi o seu imenso e riquíssimo castelo, com dinheiro roubado ao erário público, bem como uma vila, “moderna” para a época, erigida com saber e organização, onde viviam os que trabalhavam para ele, a elite dos seus empregados, que não os trabalhadores dos campos. Tudo o que à sua volta lhe poderia fazer sombra, ou seja, mostrar que o Cardeal tinha concorrentes, foi mandado por ele destruir. Assim se fazia política há quatrocentos anos.

Agora, estas coisas fazem-se com mais subtileza.

publicado por victorangelo às 22:08

09
Out 14

Lidos este serão em Peñafiel, na Província de Valladolid, em Espanha, vários comentários ao meu post de ontem parecem ter tropeçado numa palavra que surge no meu texto. Revelam desagrado por eu ter utilizado a expressão “saloio”. Isto é sobretudo verdade por terem dado um sentido único, apertado, linear, desactualizado, a uma palavra que a língua portuguesa enriqueceu ao longo de décadas, dando-lhe outras interpretações e subtilezas. O significado original já não existe. Já ninguém apelida de “saloio” os habitantes de Loures, Mafra e arredores. Nem mesmo quem vive agarrado ao passado pensa assim. E nós temos muita gente que passa o tempo a lutar em nome de guerras passadas.

Por outro lado, ficou claro que quem tem responsabilidades públicas tem também o dever de informar. Sem demoras. Se houve razões válidas para impedir uma aterragem que as Canárias não impediram – razões que eu continuo a não ver – é fundamental corrigir os erros da comunicação social e sair à rua com um comunicado esclarecedor. A inércia só leva à confusão. A opinião pública merece mais atenção e mais genica.

publicado por victorangelo às 21:52

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