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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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A agricultura e a cooperação com África

Texto que hoje publico na revista Visão:

 

Por uma África verde

Victor Ângelo

 

A edição “verde” é como um olhar sobre o futuro. Por isso, escrevo hoje sobre África. Começo por lembrar que sete das dez economias com maior taxa de crescimento económico são africanas. Após duas décadas, as de 80 e 90, de declínio acentuado do rendimento médio por habitante, África, no seu todo, tem conhecido um desenvolvimento sustentado na última dezena de anos. Este é o lado positivo da medalha. Do outro lado, a pobreza continua a ser a caraterística que marca o continente: perto de 70% dos africanos vivem abaixo da linha da pobreza. Esta situação é agravada por uma demografia acelerada. Quando se compara as regiões do globo, a taxa africana de crescimento populacional é de longe a mais elevada. África atingirá os 2 mil milhões de habitantes em 2050, o dobro do valor de agora. Convém ter presente que este crescimento tem uma dinâmica própria, imparável a curto prazo. Os 2 mil milhões serão uma realidade. Tornam, assim, o desenvolvimento de África uma exigência premente e absoluta, um dos maiores desafios para as próximas décadas. Não existe, porém, a compreensão que seria de esperar face à dimensão do problema. Ora, a questão diz respeito a todos, embora de maneira mais aguda aos africanos e aos povos que têm uma relação de proximidade com África. A Europa está manifestamente na linha da frente.

A verdade é que nós, os europeus, não parecemos estar conscientes do tsunami que se aproxima. Aceitamos que vistas estreitas definam o nosso horizonte. Vemos conflitos étnicos, naufrágios no Mediterrâneo, Sida e Ébola, Boko Haram e outros extremismos. Contamos uma dezena de Estados em crise. Ignoramos, no entanto, que existe uma quarentena de países que funcionam mas que são diariamente fragilizados pela explosão populacional e pelo caos das migrações internas para as megacidades.

A boa governação e a transformação económica são as respostas que a pressão demográfica exige. Deixemos de parte, por hoje, as questões da governação. Os decisores em matéria de ajuda, em Bruxelas, Londres, Washington ou Nova Iorque têm aliás, nos últimos vinte e cinco anos, prestado uma atenção desmesurada às dimensões da governação. A transformação económica, que passa por dar a prioridade ao sector energético e à agricultura – o tandem do desenvolvimento económico –, tem sido marginalizada. Mas falemos apenas de agricultura. Em África, o sector agrícola precisa de uma revolução. É preciso ir além das culturas de subsistência, que mantêm no limiar da fome cerca de 2/3 das famílias – estamos perante o único continente em que a produção de alimentos por pessoa diminuiu de modo significativo nos últimos cinquenta anos. E aproveitar os recursos: apenas 20% das terras aráveis são atualmente utilizadas.

Os programas de desenvolvimento e os orçamentos dos Estados africanos têm que voltar a colocar o enfoque na agricultura, investir na formação e nos meios de produção. O agricultor africano utiliza em média 10 quilogramas de fertilizantes por hectare e por ano. Na Índia, o valor ronda os 176 kg. Aos adubos há que juntar sementes de qualidade, irrigação, meios de controlo das pestes e de preservação das colheitas – conheci terras onde cerca de 40% do que era colhido acabava por se perder, por falta de condições de armazenagem, de frio e de acesso aos mercados. Tudo isto é possível. Basta haver vontade política, dar à agricultura a prioridade que nunca deveria ter perdido e pensar, acima de tudo, nas pessoas, na sua segurança alimentar e também na segurança, pura e simples, de todos nós.

 

A PT tem que voltar a uma gestão saudável

A PT, uma companhia controlada por capitais brasileiros, que já foi uma empresa emblemática em Portugal, está numa situação perto da ruína, quer pelo valor que perdeu em bolsa quer ainda por ter dívidas astronómicas, cerca de 6 500 milhões de euros, segundo se diz. Agora, uma empresa sediada na Holanda, a Altice, mas que está ligada a interesses franceses e israelitas, fez uma oferta de compra da PT. O preço é altamente vantajoso, e as condições, se forem bem discutidas, também o poderão ser. Altice é uma companhia com bom nome na área das telecomunicações. É, além disso, gerida de modo dinâmico. Trata-se, sejamos claros, de uma multinacional. Investe onde pensa que vale a pena investir e depois gere como melhor entende. Por isso, antes de se entrar em qualquer negócio com firmas desse tipo é sempre bom fazer o trabalho de casa e saber quais são as condições que interessa defender.

O trabalho de casa não é, como uns iluminados onde sugeriram, umas múmias da direita e da extrema-esquerda, numa estranha associação de protagonismos, pôr o estado a controlar a PT ou a opor-se à sua venda. Se o ridículo matasse já não tínhamos classe política em Portugal! E como essas caricaturas são ou foram professores universitários, só posso agarrar as mãos à cabeça, a pensar no que se tem andado a ensinar nalgumas das nossas faculdades.

Vendida a estrangeiros já a PT está. O que interessa é pôr a PT a funcionar sem compadrios, aqueles que havia do tempo dos bonecos chamados Granadeiro e Bava, e que levaram a PT ao desastre em que se encontra. E para isso, quanto mais depressa ela for alienada a um grupo sério, que se interesse pela sua gestão sem favores, melhor.

Timor Leste está no mau caminho

O governo de Timor Leste está a cair na tentação autoritária. A expulsão de magistrados estrangeiros e do principal conselheiro do programa nacional de luta contra a corrupção mostra até que ponto os dirigentes do país estão prontos a agir – fora das normas e das práticas habituais, à revelai dos acordos de cooperação e dos direitos das pessoas – para salvaguardar os interesses de algumas personalidades fortes do regime.

Cabe aos amigos de Timor denunciar este abuso de poder e a tendência cada vez maior para o compadrio político no círculo dirigente.

Barroso: uma nota de crédito

Barroso terminou as suas funções de Presidente da Comissão Europeia. Seria pouco apropriado não escrever umas linhas sobre o fim de mandato de quem esteve durante dez anos num lugar de grande poder e visibilidade na cena internacional.

Vou fazê-lo agora, para dizer que o nosso compatriota – que eu critiquei algumas vezes nos meus textos da Visão – esteve à frente da União Europeia numa fase particularmente delicada e de extrema complexidade. É preciso ter isso em conta, como é preciso saber que nesse tipo de funções cada crise que passa, cada decisão de fundo que é tomada, tudo acaba por ser o resultado de um jogo de equilíbrios políticos. Esse jogo é especialmente difícil numa associação de Estados independentes e que, para mais, têm capacidades de intervenção diferentes. Comparar o peso do jogo da Alemanha, por exemplo, com o de Portugal, não é fácil. De um lado, temos 80 e tal milhões de habitantes, uma economia dinâmica e forte, interesses em várias partes do mundo. Do nosso lado, temos uma outra realidade.

Manter o fiel da balança entre tudo isto, nem sempre dá certo. E se a isso juntarmos uma crise económica profunda, um risco muito sério de implosão do Euro, o enfraquecimento para além do imaginável da influência de países como a França, etc etc, temos um cenário muito desequilibrado, que foi o que definiu o mandato de Barroso durante a maior parte da sua permanência em Bruxelas.

Perante isto, e apesar das muitas coisas que se possam apontar a Barroso, creio que seria justo dizer que conseguiu navegar com habilidade e com resultados as águas difíceis e agitadas da União Europeia.

E, por muito que se diga, deu uma imagem de Portugal e dos Portugueses que nos favoreceu. Portugal foi visto, durante dez anos, como um país que pesava mais do que a sua dimensão o faria imaginar e do que os seus governos estavam em condições e eram capazes de defender na cena internacional e no palco europeu. Isso tem valor.

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