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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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As tretas da TAP

A TAP é uma companhia de aviação. Não é, por muito que os velhos e novos senhores e senhoras da opinião retrógrada que se publica em Portugal pensem o contrário, nem um pilar da soberania nacional nem representa um sector estratégico indispensável para a projeção do nosso país no mundo. Aliás, se projecta alguma coisa, é uma imagem de falência, de indisciplina, de deixar andar e de arrogância. Enquanto companhia de aviação tem que saber competir num mercado que é altamente competitivo. Tem que ter rotas, serviços, eficiência e preços que a distingam das suas rivais mais directas. Tem, muito especialmente, que inspirar confiança aos potenciais utilizadores. E precisa de ter contas sadias.

O resto são tretas.

2015: Um ano virado para o futuro

Transcrevo de seguida o texto que hoje publiquei na revista Visão.

 

2015: descobrir o futuro

            Victor Ângelo

 

            A intenção, nos círculos por onde ando, é que 2015 possa ser um ano de reflexão sobre o futuro da humanidade. Assim, procuraremos manter em foco três das grandes questões que continuam por resolver: a pobreza de milhões, a degradação contínua do meio ambiente e a indiferença perante o nosso destino comum. Quinze anos após o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e depois de um balanço ambivalente, é altura de olhar em frente. E de ter em conta que estamos nisto juntos, para o melhor e para o pior. A interdependência entre os povos – os problemas de uns acabam por ter um impacto sobre os outros – é agora um traço marcante nas relações internacionais.

            Foi isso o que o Secretário-geral da ONU nos veio lembrar, há dias, ao divulgar a sua proposta de agenda para o desenvolvimento global. O título que deu à proposta é elucidativo: “ O Caminho para a Dignidade até 2030 – acabar com a pobreza, transformar as vidas e proteger o planeta”. É um projeto complexo, destinado a servir de base, na próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, em Setembro, a um acordo sobre os novos objetivos de desenvolvimento sustentável. Muitos irão opinar que a resposta sugerida é demasiado vasta. Não serei eu quem irá criticar Ban Ki-moon. Nestas coisas, tem que haver um mínimo de elegância e de bom senso. Se aceitarmos que um antigo Chefe de Estado não deve censurar abertamente um seu sucessor, então, por maioria de razão, um antigo alto funcionário, que trabalhou diretamente com o Secretário-geral, também não pode vir a terreiro e deitar abaixo um conjunto de sugestões que se destinam a alimentar o debate público e a definir um plano de ação.

            Farei, no entanto, um par de observações. Estamos na antecâmara de um período de instabilidade geoestratégica. A tendência atual é para a aceleração das incertezas e para a globalização dos riscos. Um plano a quinze anos é demasiado longo, quando tudo muda de modo acelerado. Terá, por isso, que ser visto como um quadro de referência genérico, a partir do qual deverão ser definidas metas intermédias, que possam ser monitorizadas. Por outro lado, o plano está inquinado pela velha perspetiva que nos faz olhar para as pessoas como beneficiários das políticas, como objetos e não como atores da mudança. Os responsáveis não deverão ser apenas os outros, os governos e as instituições. Temos de ser todos e cada um de nós também.

            Trata-se, entretanto e no essencial, de uma proposta progressista. Parte de uma premissa que considero fundamental: o respeito pela dignidade das pessoas, sobretudo dos mais marginalizados. Foi o que aprendi ao longo da vida e de décadas de trabalho em países de grande pobreza e de violência institucionalizada. O reconhecimento do valor de cada pessoa deve ser o ponto de partida, em qualquer sociedade. Na desolação do Sahel ou nos bairros de lixo de Carachi, cada um espera, acima de tudo, que o deixem em paz e lhe garantam a segurança, que respeitem o seu direito à vida e à liberdade, que não seja vítima de nenhum tipo de discriminação. Curiosamente, estamos a reconhecer agora o que havia inspirado a ONU há setenta anos. Ao redigirem a Carta das Nações Unidas – um documento que deveria fazer parte do currículo escolar – os fundadores quiseram, com clareza, “reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres”. É essa mesma problemática que deve continuar no centro das preocupações, em 2015 e depois.

Greve geral na Bélgica

Hoje uma parte da Bélgica esteve parada. Nalguns casos, como aconteceu no aeroporto, a paragem foi total. O espaço aéreo havia sido fechado ontem à noite e só voltará a abrir às 22:00 horas de hoje.

Foi um dia de greve geral, que se fez sentir nas diferentes regiões linguísticas do país.

A maneira como foi organizada acarretou a paralisação de quase todos os sectores. Mesmo quem não queria fazer greve optou por ficar em casa, para evitar problemas de barragens de trânsito e outras confusões ligadas aos piquetes de greve. Como se costuma dizer, organização é tudo! E, hoje, a organização permitiu um impacto maior do que a participação efectiva e deliberada na greve.

As duas principais razões do movimento grevista têm que ver com a decisão do governo de não aceitar, em 2015, e apenas nesse ano, para já, que os salários sejam indexados à taxa de inflação – uma prática de indexação que existe há muitos anos e que tem ajudado a manter o poder de compra – e, segunda razão, com o aumento da idade da reforma.

Estas duas medidas transformaram-se nas bandeiras da mobilização social.

Curiosamente, os polícias não pararam hoje. Acharam que seria inoportuno estar em greve quando a ordem pública poderia precisar deles. Vão fazer, amanhã, das 07:00 às 08:30 horas uma acção sindical que é, na realidade, uma greve de zelo. Vão passar, durante essa hora, o trânsito a pente fino: documentos, controlos técnicos, extintores, tudo vai ser pretexto para reduzir a fluidez do trânsito, nesse espaço de tempo, a uma velocidade de caracol.

Depois, irão manifestar-se à frente do ministério, antes de voltar ao serviço habitual.

Entretanto, a questão se coloca é muito clara: é preciso negociar. Em democracia, tudo se deve resolver pelo diálogo.

Os crimes do BES

O que aconteceu no BES teve certamente profundas implicações políticas. Mas para além de ser um caso político, cujos contornos poderão ser elucidados pelo inquérito parlamentar em curso, é igualmente um caso de polícia. Os indícios da prática de vários crimes são cada vez mais evidentes. Tem que haver uma investigação criminal a sério, um apuramento de responsabilidades e os julgamentos que forem considerados adequados. O que aconteceu, o que foi praticado, não pode ficar impune.

A fantasia da extrema-esquerda

O Presidente Putine aposta no apoio aos partidos da extrema-direita europeia. Vê-os como um instrumento importante da sua estratégia de enfraquecimento e, mesmo, de destruição da União Europeia. Para o presidente russo, a eliminação da UE responde a dois objectivos de grande relevo: a retaliação pela queda da União Soviética e o enfraquecimento estratégico da parte ocidental da Europa.

Tudo isto é claro. Excepto para alguns esquerdistas portugueses e de outras nacionalidades, que confundem a Rússia de hoje com o regime comunista de outrora. Essa confusão leva-os a tomar partido e a alinhar-se com Putine. Quando falam ou escrevem baseiam-se nas mesmas fantasias e teorias conspirativas que dão sustento ao Kremlin de hoje. A sua visão obtusa não lhes permite ver que Putine e os seus são meros representantes de uma perspectiva passada, ainda por cima autocrática e abusadora do poder, que mais tarde ou mais cedo será posta de parte, incluindo na própria Rússia.

Costa e Passos Coelho

Não é do domínio público a substância do que foi discutido na longa reunião de hoje entre António Costa e Passos Coelho. Mas o que ficou claro é que foi um encontro entre dois líderes que se sentem à vontade nos papéis que desempenham. Por isso, decorreu com cordialidade. A imagem que fica é positiva. Para além das diferenças, das opções políticas diferentes, os líderes devem mostrar, sobretudo nos momentos de crise e de incerteza, que são capazes de trocar pontos de vista com serenidade.

Nem a ver comboios andamos

Muitos políticos portugueses e os comentadores que por aqui fazem ondas agem como se Portugal estivesse desligado do mundo. O centro das suas preocupações define-se pela rede de palermices que tantas vezes prende a opinião pública numa visão curta da realidade e nos impede de reflectir sobre a nossa interacção com os outros. Ora, o mundo não pára. E cada dia aparecem novos desafios. Quem os ignora, fá-lo com o risco de ficar para trás, ultrapassado. Que é aliás, o que nos tem estado a acontecer há um quarto de século, pelo menos.

Agora até os comboios nos ultrapassam. O último que o fez chegou esta semana a Madrid, vindo de perto da costa sudeste da China, da cidade industrial e mercantil de Yiwu. Situada a cerca de 300 quilómetros ao sul de Xangai, Yiwu é conhecida pelo seu dinamismo comercial. Daí saiu um primeiro trem de mercadorias, que atravessou o Cazaquistão, a Rússia, a Bielorrússia, a Polónia, a Alemanha e a França, com destino final em Madrid. Estamos a falar de 600 metros de vagões, de 30 contentores num total de 1 400 toneladas de brinquedos, prendas de Natal e outros bens de consumo barato. E de uma viagem de 13 000 quilómetros. Um percurso feito em 21 dias – de barco teriam sido precisos pelo menos 30 dias. Um empreendimento que mostrou várias coisas: que as fábricas da China estão mais perto de nós do que se pensava, que a ligação ferroviária é viável e vai pôr em causa uma parte da carga marítima – além de demorar menos, o trajecto por terra permitiu descarregar 10 contentores ao longo do percurso, o que torna esta opção de transporte bem mais atraente – e que revelou ainda que a cooperação ao longo da linha é apreciada por todos, independentemente das diferenças e das tensões políticas.

Foi uma empresa alemã que organizou a logística. Ou seja, que testou e provou que existe aqui um nicho de negócios. Por isso, tem a intenção, em 2015, de organizar duas expedições deste tipo por mês. Sim, por mês. Se assim acontecer, dentro de um ano o panorama industrial e comercial europeu será diferente.

E nós, nesta história, onde nos vemos?

 

 

À mesa, a dar uma pequena volta ao mundo

De novo na Suíça, para mais uma reunião sobre questões de paz e segurança humana. Desta vez, a agenda passa pela Ásia Central, onde o Quirguistão é um dos países que não consegue sair da beira do abismo, continua nos Balcãs, com a Bósnia-Herzegovina fracturada por questões étnico-políticas, vai ao Sahel, claro, e acaba bem longe, na Birmânia, onde temos uma processo político complexo, que fica mais complicado ainda se lhe acrescentarmos o peso das diferentes rebeliões internas.

O bastão que dá jeito

Do alto dos meus muitos anos, celebrados hoje, custa-me olhar para o futuro de Portugal. Os casos – e caos, que na verdade a situação no nosso país está caótica – recentes deram umas machadas profundas na credibilidade das instituições. O impacto parece-me arrasador, embora ainda não seja possível estimar os estragos. Ficaram abalados, por muito tempo, os bancos, as empresas públicas e os seus gestores macacos e malandros, os políticos e, em certa medida, os jornalistas e os comentadores que pregam na praça da opinião pública.

É como se vivêssemos numa república de trapaceiros. Ninguém ou quase ninguém em posição de liderança merece a confiança dos cidadãos.

Exceptua-se, em certa medida, os dirigentes dos partidos e movimentos radicais. Só estes parecem andar por aí, pela política, por causa das ideias e dos sonhos. O problema é que as suas ideias não têm os pés assentes na terra nem fazem qualquer tipo de sentido num país europeu como o nosso. Estão fora das nossas alianças de interesses. Nalguns casos, são ideias inspiradas por modelos do passado, que já deram o que tinham que dar e estão a contracorrente da história.

Agora, no seio desses radicais aparece um outro, o Marinho bastonário. Traz uma cartilha que pode atrair o descontentamento e a desilusão actuais. Não é comunista, nem cheira a sovietes e maoísmos, o que o torna atractivo para certos segmentos de eleitores desiludidos mas que nunca votarão por alguém que possa ser pintado de vermelho vivo. É um personagem que dá corpo ao sentimento negativo, demolidor dos políticos e dos partidos. Por tudo isso, acabará por fazer mossa. Sobretudo ao nível do Partido Socialista. O que significa que certos grupos terão muito empenho na sua promoção nos meios de comunicação social.

Vamos apostar?

Desenvolvimento em Lisboa

Num ambiente dominado por questões políticas marginais, a realização em Lisboa de uma conferência internacional sobre o desenvolvimento, nos últimos dois dias, merece destaque. Saiu da pequenez e das querelas de compadres que têm estado a definir a actualidade nacional nas últimas semanas.

O encontro, que se irá repetir anualmente, foi um sucesso. Voltou a colocar as questões do desenvolvimento no plano prioritário, sobretudo numa altura em que o debate sobre as responsabilidades da comunidade internacional no período pós-ODM – Objectivos de Desenvolvimento do Milénio –, ou seja, para os anos 2016-2030, está a entrar na fase final, de acertos quanto às áreas de intervenção e de apuramento dos resultados que deverão estar na linha de mira da cooperação internacional.

O último dia da conferência coincidiu com o lançamento, pelo Secretário-geral da ONU, do relatório intitulado “ O Caminho para a Dignidade 2030: Acabar com a Pobreza, Transformar as Vidas e Proteger o Planeta”. Este é o documento de base para a elaboração da próxima agenda do desenvolvimento internacional. Está disponível em inglês, na página da ONU, e deve ser lido por todos os que se preocupam com estas questões.

A conferência de Lisboa deveria agora procurar ligar o seguimento das discussões que acabam de ter lugar na Gulbenkian com o debate público que agora começa, à volta do relatório de Ban Ki-moon. Deste modo, a iniciativa ganharia uma projecção internacional acrescida e colocaria Lisboa no mapa da reflexão global sobre as grandes questões das próximas décadas.

Isso seria certamente mais útil do que andar a discutir as bagatelas que nos têm ocupado os tempos recentes.

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