Portugal é grande quando abre horizontes

17
Jan 16

Sem entrar na questão das campanhas presidenciais, pois quem está fora não deve meter o bico nessas coisas, confirmo, no entanto, que vou acompanhado o que os candidatos dizem, aqui e acolá. E vejo que o tema do Estado social aparece como uma das bandeiras, sobretudo nalguns casos. Mas ainda não ouvi ninguém dizer uma verdade simples: sem economia não há Estado social. O resto é propaganda.

Como não o dizem, digo eu. O Estado social, capaz de responder às exigências modernas, às expectativas dos cidadãos, precisa de uma economia de iniciativa privada forte, dinâmica, avançada e competitiva. E esse tipo de economia só existe se estiver alicerçada num sistema educativo nacional eficaz, moderno, disciplinado e prestigiado.

O resto é demagogia eleitoral.

 

publicado por victorangelo às 20:49

16
Jan 16

Polónia: Um dos grandes problemas da União Europeia em 2016

  • 38,5 milhões de habitantes
  • 3,5 vezes a superfície de Portugal
  • 6ª economia europeia; 26% das exportações vão para a Alemanha
  • Adesão à UE em Maio de 2004
  • 35ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano ( Portugal: 43ª)
  • Importante actor político e militar no seio da UE e da NATO
  • Não é comparável com a Hungria de Viktor Orbán, que está à frente de um país menos relevante e é além disso muito próximo de Putin; os Polacos não o são
  • Partido Direito e Justiça; Jaroslaw Kaczynski e Beata Szydlo (Primeiro-ministro)
  • Políticas nacionalistas e de controlo dos media, do Tribunal Constitucional
  • Contra a política da UE em matéria de refugiados e imigração;
  • Contra a criação de guardas-fronteiras da EU
  • Contra a construção do gasoducto North Stream 2 (Rússia-Alemanha) que permitirá importar 80% do gás russo por uma só via
  • Rivalidade com a Alemanha, que ocupou a Polónia 123 anos
  • Devem receber 82,5 mil milhões de euros do Fundo de Desenvolvimento Europeu até 2020
  • Comissão Europeia está preocupada com a situação do “Estado de direito” na Polónia; Frans Timmermans, Vice-Presidente da Comissão, é o principal alvo do governo polaco
  • Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, não deverá poder contar com o apoio do governo de Varsóvia aquando do fim do seu mandato actual, a 31 de Maio de 2017
publicado por victorangelo às 18:27

15
Jan 16

Com um ataque terrorista a decorrer contra um hotel internacional em Ouagadougou, a capital do Burkina Faso, fica-se com a impressão que estamos no meio de uma ofensiva orquestrada, que ataca alvos em várias partes do mundo. Ontem foi em Jakarta, antes havia sido em Istambul, já tinha acontecido em Paris, e assim sucessivamente, no Iraque, no Paquistão, etc.

Perante uma ofensiva deste género, nenhum país, incluindo os da Europa, se pode considerar imune. Isto é válido também para Portugal. Seria um erro pensar que por estarmos na periferia estas coisas não chegam à nossa porta.

São também um problema nosso. Devem ser encaradas muito a sério e com os meios adequados. Assim, a questão que se põe é a de saber se os nossos serviços de inteligência têm a capacidade suficiente para recolher e analisar a informação que ajuda a prevenir este tipo de ataques.

Aqui fica a pergunta.

 

publicado por victorangelo às 23:05

14
Jan 16

Para quem trata de questões internacionais, as duas primeiras semanas de 2016 trouxeram toda uma série de desafios e de ameaças muito sérias. Têm igualmente servido para nos lembrar que um bom líder não entra em pânico nem se impacienta em público. Dá, isso sim, uma impressão de calma. Projecta confiança. Sabe que precisa de ser visto como capaz de fazer frente aos acontecimentos. Caso contrário, cai-se na confusão, que é a resposta mais fácil perante acontecimentos como os que estamos a viver.

publicado por victorangelo às 19:53

13
Jan 16

"Custa-me voltar a massacrar os leitores com a questão da imigração. A verdade é que essa continua a ser a temática que domina o debate político na UE. Sobretudo agora, no seguimento dos incidentes que ocorreram na noite da passagem do ano, em Colónia e noutras cidades da Alemanha, bem como em Helsínquia."

 

Com estas linhas abro o meu texto de hoje na Visão on line a que dei o título de «Sem chover no molhado».

O texto está disponível no sítio:

 http://bit.ly/1N7Nh3d

publicado por victorangelo às 17:47

12
Jan 16

O atentado de hoje em Istanbul parece ter sido planeado com muito cuidado. Não posso acreditar que os turistas alemães tenham sido visados ao acaso. Ao escolher um grupo de turistas dessa nacionalidade, os comanditários deste acto terrorista sabiam o que estavam a fazer.

Na realidade, a intenção terá sido atingir dois inimigos com uma só acção.

A Turquia, inimigo número um. A explosão num sítio emblemático de Istanbul tem um efeito imediato sobre a imagem da cidade e do país, e afasta turistas.

A Alemanha de Merkel, inimigo número dois. Ao chamado Estado Islâmico interessa desestabilizar Merkel. A Chanceler tem sido a imagem positiva da Europa, no que diz respeito aos refugiados. Surgiu igualmente como a voz do bom senso no seio da União Europeia.

Os terroristas precisam de uma imagem europeia que pareça xenófoba e anti-islâmica, ou seja, o contrário do que Merkel tem promovido. E provavelmente também gostariam de ver uma Europa esfrangalhada. Ora, a Chanceler constitui, em grande medida, o cimento que tem mantido o edifício europeu mais ou menos inteiro.

 

publicado por victorangelo às 20:27

11
Jan 16

Angela Merkel anulou a sua participação no Fórum Económico Mundial de Davos, que tem lugar na próxima semana. Acha que não se deve ausentar de Berlim, nos próximos tempos.

No meu entender, a decisão mostra que a Chanceler se encontra debaixo de uma pressão política interna de grande amplitude. Os acontecimentos de Colónia, os que ocorreram na noite de passagem do ano, são graves e Merkel antevê que as ondas de choque se intensifiquem nos próximos dias. Existe mesmo o risco que a sua liderança possa ser posto em causa, no interior do seu partido.

De qualquer modo, é muito provável que decisões importantes tenham que ser tomadas, no que respeita à política imigratória e à aceitação de refugiados. Mais ainda, a opinião pública está dividida e de certo modo confundida com o desenrolar das notícias sobre os acontecimentos. Merkel tem que ser vista no seu posto de comando e não nas neves luxuosas e elitistas de Davos.

 

publicado por victorangelo às 21:01

10
Jan 16

Fiz ontem algo que não fazia há anos: atravessar os bairros de Bruxelas que se encontram junto ou nas imediações da Gare du Midi, do lado oeste da estação ferroviária. São zonas muito populosas e com uma imensidade de pequenos comércios e outras actividades económicas, como por exemplo, dezenas de garagens que compram carros em segunda mão e depois os exportam para África. As ruas, sobretudo numa tarde de Sábado, estão sempre apinhadas de gente. Deambular por ali dá para perceber o que é a imigração para uma cidade como Bruxelas. Encontramos gente vinda do Norte e do resto de África, do Líbano e da Turquia, e de outras terras bem distantes da Europa. Não se vê um belga de origem ou pessoa parecida.

É como passear num gueto de 2016, de um tipo novo.

E fica-se a perceber que a imigração e a questão da integração de pessoas de culturas diferentes são dois dos grandes desafios que a UE tem pela frente. E a matutar que, na realidade, não existem políticas activas que procurem responder a esses desafios. Vive-se, para já, com os olhos fechados, como se os problemas não existissem.

 

 

publicado por victorangelo às 20:36

09
Jan 16

Vistas a grande distância, que é como eu as vejo, as campanhas eleitorais dos candidatos à presidência da república são de uma grande pobreza temática. E, também, intelectual. Primam as ideias repetidas e as simplificações tacanhas.

Acho preocupante. Para o futuro do país, claro, e para garantir o respeito institucional que a presidência requer.

publicado por victorangelo às 21:50

08
Jan 16

As acções criminosas que tiveram lugar em Colónia, e em menor escala, noutras cidades europeias, na noite de passagem de ano, vão inevitavelmente influenciar de modo significativo o debate europeu sobre os refugiados e as migrações. Acrescentaram medo ao medo que já existia.

Ainda hoje tive a oportunidade de o notar, numa primeira discussão com gente que vive em Berlim. Mesmo quem não quer dramatizar acaba por levantar um novo grau de objeções à chegada dos imigrantes. Ao risco do terrorismo, junta-se agora o da violência contra as mulheres. E, acrescentam de imediato alguns, outros riscos de violência, contra os cidadãos mais idosos, contra a propriedade, e contra as regras de uma cidadania disciplinada e tolerante.

Ver as imagens de famílias a atravessar o frio dos Balcãs e saber, por outro lado, que umas dezenas ou mesmo centenas de criminosos tornaram mais difícil a aceitação dessas famílias, deixa-nos angustiados. Também nos lembra que não podemos deixar que esses criminosos influenciem a maneira como a Europa irá acolher quem precisa de refúgio. Devemos manter separado o que separado deve estar. Os criminosos de Colónia e os seus correligionários noutros locais devem ser tratados como tal e expulsos do espaço europeu sem grande demora, com firmeza e clareza. Mas com respeito pelos procedimentos legais em vigor.

 

 

publicado por victorangelo às 20:32

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