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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A bocejar

A minha neta disse-me, à hora do almoço, que tinha passado a noite sem dormir e a manhã deste domingo muito angustiada. A razão: tentara repetidamente bocejar, sem o conseguir. Disse-lhe, então, que a tentaria ajudar. E assim foi, o que lhe abriu o apetite e deixou a preocupação com os bocejos para trás.

Não lhe expliquei, no entanto, donde vinha a minha perícia em bocejos. Para quê dizer-lhe que a adquiri a ouvir discursos políticos de gente sem chama, ao ler textos de opinião nos jornais, escritos por uns fulanos especializados na pretensa ciência dos ecos palavrosos, ou nas inumeráveis reuniões intergovernamentais que o meu trabalho na ONU me obrigou a assistir?

Os intermináveis telejornais das televisões portuguesas também são uma excelente fonte de bocejos. Mas como eu tenho outras oportunidades de me enfadar, dispenso ver tais programas.

 

Um jornal de hoje

Antes de entrar no avião peguei em vários jornais. Um deles, o Correio da Manhã. E valeu a pena, a curiosidade.

Não me lembro de alguma vez ter lido um exemplar do CM com a atenção que lhe dei desta vez. A atenção de quem tenta perceber as razões do sucesso de um diário, num país em que os jornais estão numa trajectória de crise aguda.

Independentemente dos conteúdos, vi um jornal em que as notícias são dadas em quatro linhas, os textos de opinião numa dezena, tudo muito condensado, rápido, sem divagações e variado. Ou seja, quem manda na coisa sabe que os leitores não têm tempo para grandes leituras, querem notas breves e directas, não gostam de conversa fiada e palavras e mais palavras a encher frases de difícil digestão. Assim se chega ao grande público, se influencia a maneira de estar e de ver.

E tudo por um euro, bem redondinho, uma moeda única que dá direito a muita novidade.

O meu patriotismo

Raramente olho para os ecrãs das televisões nacionais. Essa é a minha prova dos nove, que mostra bem que perdi e já não tenho qualquer sentido patriótico. Sou um estrangeirado. É isso que certos amigos insinuam. Mas a verdade é mais simples. Resume-se em duas linhas. Primeiro, desde 1978 que estou fora do país. Vi muita coisa, gentes variadas e muitas situações. Segundo, com a idade perdi a paciência para ouvir burrices e saloiadas. E é isso que se conta e que se vê, debate e apresenta nos canais portugueses. É isso que enche os nossos tempos de antena.

Mas isto preocupa-me. Uma boa parte desses burros são políticos jovens, com sangue na guelra e muita ambição. Os que ainda não passaram pelo governo acabarão por passar. E custa-me imaginar o meu país ser dirigido por essas excelências mal-amanhadas. Portugal não pode voltar a ser um país rural, regido por curtinhos de vista e trauliteiros da coisa partidária.

Aí, voltam-me os sentimentos patrióticos à superfície, para dizer que não, que não quero o meu país nas mãos desses pacóvios acelerados e magistralmente primários. Por mais programas de televisão e de rádio por onde tenham passado, não passam de uns meias-tigelas com horizontes limitados.

 

Migrações, economia e eleições

O programa desta semana na Rádio TDM de Macau, com a jornalista Sofia Jesus, a coordenação de Rui Flores e os meus comentários sobre a UE e as migrações, o estado da economia europeia e também sobre a perigosa embrulhada que são as eleições presidenciais francesas está disponível neste link:

http://bit.ly/2locFMr

São pouco mais de 17 minutos de análise e comentário, que a vida quotidiana dos ouvintes não dá para grandes conversas.

Por cima da burra

Talvez seja por deformação profissional, mas sou dos que consideram os conselhos e avisos técnicos das organizações internacionais como importantes. Devem ser ouvidos com atenção e merecer ponderação. Pode pensar-se que têm falhas, que não reflectem todas as facetas da realidade que é a nossa. Não devem, no entanto, ser desvalorizados ou varridos par debaixo do tapete. Por isso, lamento a reacção do Presidente da República perante o relatório que a OCDE deu hoje a conhecer sobre aspectos estruturais da economia portuguesa. O Presidente limitou-se a dizer, na maneira superficial que é muito nossa, que não havia nesse relatório nada de novo e que até estaria um pouco desactualizado em termos dos dados estatísticos.

Não é verdade. O relatório chama a atenção para a falta de sustentabilidade das políticas económicas que foram seguidas nos últimos e nos anos de agora, para a escassez do investimento, para os benefícios dados aos funcionários públicos em detrimento do sector privado, para a falta de formação profissional de uma boa parte dos jovens do nosso país, e também para as desigualdades crescentes entre diversos tipos de trabalhadores e de regimes sociais.

Tudo isto precisa de ser levado a sério. Não se trata de questões levianas nem de beijinhos à malta que passa. Estamos a falar de questões de fundo, que tocam o presente e comprometem o futuro.

Apostas à direita

Em Portugal, os jornais e as revistas impressas estão nas ruas da amargura. Cada vez vendem menos, continuam todos num processo de falência mais ou menos encapotada. O único que se safa é o Correio da Manhã (CM), que investe num tipo muito específico de jornalismo: alcova, faca e alguidar, monstros com três olhos e textos curtos e muito directos.

Mas não é sobre o CM que quero escrever. Nem sobre os falidos do papel. Intriga-me e interrogo-me sobre um outro meio de comunicação social, o jornal digital Observador.

O Observador foi lançado há quase três anos. Na altura, foi revelada uma lista de accionistas do projecto e dito que o jornal seria financiado pela publicidade. Com o tempo, o Observador cresceu, passou a ser uma referência intelectual do pensamento conservador e de direita, uma espécie de contrapoder, num panorama jornalístico muito dominado pela esquerda. Tornou-se, à sua medida, um êxito. Menos na área da publicidade. Percorrer o sítio do jornal é como fazer uma viagem sem anúncios. Ou seja, sem receitas aparentes. E aqui temos uma contradição importante e muito curiosa: a publicação continua a crescer, com custos certamente muito significativos, embora incomparavelmente menores dos que resultariam de uma edição em papel, mas sem que se entenda donde provêm os fundos que pagam esse crescimento e mantêm tanta gente tão atarefada.

Como nestas coisas ninguém gosta de perder, temos aqui um grupo de financiadores, os anunciados ou outros, não sei, que aposta forte e feio num futuro risonhamente de direita e que pensa que um dia irá ganhar.

Interessante, este Observador.

 

Portugal na República Centro-Africana

O destacamento de uma companhia de Comandos para a República Centro-Africana, no quadro da MINUSCA, foi uma decisão correcta. É importante que Portugal participe mais activamente e de modo mais visível nas operações de manutenção da paz da ONU. Mostramos assim a vontade que temos de responder às nossas responsabilidades internacionais, enquanto país que reconhece e respeita as regras que hoje servem de base às relações internacionais.

Não fomos apenas e tão só porque a França nos pediu. É verdade que a França tem um interesse histórico – e nem sempre pelas melhores razões – na RCA. E por isso tem advogado, junto dos seus parceiros da UE, no sentido de uma contribuição efectiva dos europeus para a composição da missão da ONU na RCA. Mas isso não seria suficiente para nos levar a participar. E também não o fazemos para tentar obter, em troca, algum favor político ou diplomático de Paris.

Neste momento, em que andam loucos à solta na arena internacional, é essencial falar dos compromissos que o bom relacionamento entre as nações requer. É igualmente necessário reafirmar que uma boa parte desses compromissos passam pelo quadro da ONU. Como também se deve ter presente que os países que podem devem contribuir para a estabilização dos que estão a atravessar um período de crise interna.

Portugal dá, como muitos outros, o bom exemplo.

Política à moda da casa

Os nossos políticos são formidáveis. E muito criativos. Passam o tempo a discutir coisas de grande importância para a criação de riqueza nacional e de empregos. Agora, por exemplo, é a questão da eutanásia e das mudanças relativas à aquisição da nacionalidade. Como dizia o outro, deve ser aí que está o bife.

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