Portugal é grande quando abre horizontes

25
Fev 19

Quando um novo partido político aparece, não nasce num estábulo vazio, como o Menino Jesus, nem no meio do deserto, mesmo quando certas iniciativas parecem ser apenas uma miragem. Vai inserir-se numa paisagem partidária já existente. Assim, uma das questões que de imediato surge é a de saber onde se vai situar, nesse quadro paisagístico. Ao centro, mais para o lado e de que lado?

A resposta tem que ser clara, tal como a pergunta o é. E deve ser repetida sucessivamente, para que fique na memória das pessoas.

Outra questão essencial: saber se há espaço político para a nova formação. À partida, dir-se-ia que não há, excepto junto dos que tradicionalmente se abstêm e de outros que a vida transformou em indiferentes da política. Mas a verdade é que essa gente é muito difícil de conquistar. As razões que levam à abstenção são diversas, difíceis de segregar e de medir. Um programa político, que tenha como objectivo captar uma parte dessa indiferença, precisa de definir claramente qual é a fatia que pretende mobilizar e, em seguida, fazer a campanha mais adequada. Aqui, a estratégia ter que ser muito fina.

Para além do campo dos abstencionistas, existe muito pouco espaço político onde ir à pesca. Não existem terrenos partidários vagos. O espaço tem que ser conquistado à força da persuasão, do argumento e da simbologia. Vai-se buscar votos e apoios aos que têm votado noutros partidos. Concorrência. Luta. Não é necessário dizê-lo na praça pública. Mas os dirigentes no novo partido devem ter uma estratégia, que vá nesse sentido e produza resultados. Uma estratégia que se traduza em três ou quatro propostas, que possam ser bandeiras políticas atraentes e indiscutivelmente credíveis. E que, quando mencionadas, façam de imediato pensar no novo partido. Serão, depois, constantemente repetidas pelas principais vozes públicas da agremiação.

Um terceira dimensão a ter em conta – a acrescentar à relativa ao posicionamento político e à relacionada com a mobilização dos eleitores – diz respeito à direcção do partido. Hoje, não basta ser-se uma personalidade conhecida da comunicação social ou da opinião pública para se conseguir criar um partido. Os cidadãos têm outro tipo de exigência. Querem perceber que existe uma equipa sólida à frente da coisa. E essa equipa terá que intervir na esfera pública frequentemente, sobretudo nos acontecimentos com projecção televisiva. Trata-se de mostrar que a nova organização tem um número de pessoas capazes no seu núcleo central. E que essas pessoas, homens e mulheres, pensam, pesam e sabem comunicar.

Lançar um movimento político novo não é apenas uma questão de fé, de entusiasmo e de protagonismo de uma pessoa conhecida. É um projecto de fundo, uma maratona, que pede muito sacrifício pessoal, uma grande dose de dedicação, muita estratégia e uma credibilidade que deixe pouco terreno para dúvidas.

publicado por victorangelo às 16:04

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