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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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A família e as regras

Nestes últimos tempos, tem-se falado muito sobre a família e a política. Ou, melhor dito, sobre as famílias que estão no governo. Assim, penso que poderia ser interessante partilhar uma história pessoal, que não sendo sobre a participação na política se relaciona com as relações entre a família e certas posições na praça pública.

Uma das minhas filhas trabalhou em várias missões internacionais de paz, no Kosovo, na R.D. do Congo e ainda no Haiti. A determinada altura foi-lhe oferecida a possibilidade de entrar para o quadro profissional da ONU. Era uma oferta muito interessante. Teve, no entanto, que indicar no formulário apropriado que o seu Pai – eu, sim, eu – era um alto funcionário de carreira das Nações Unidas. Pediu, no seguimento, uma excepção à regra que impede o recrutamento de quem tenha um familiar muito chegado já em funções na ONU. A razão que apresentou foi que não se antevia qualquer hipótese de influência do pai no trabalho futuro da filha. Ainda, que a função do pai não tinha influenciado, de modo algum, a decisão de lhe oferecer uma perspectiva de carreira. A resposta que veio do secretariado das Nações Unidas em Nova Iorque foi negativa. Não havia espaço para excepções, para desvios na interpretação da regra, apesar da candidata reunir todas as exigências requeridas e ter demonstrado, nas diferentes missões, um mérito profissional elevado.

As regras cumprem-se. E os princípios respeitam-se, mesmo quando não estão em letra de forma.

E na política ao mais alto nível, na governação do Estado, a sabedoria aconselha prudência, bom senso, respeito pela ética e pelas aparências, no sentido da imagem que se projecta. Caso contrário, abre-se flanco à crítica, fragiliza-se a liderança e dá-se espaço à desconfiança. A desconfiança acaba sempre por atingir muito seriamente o artista, por mais habilidoso que seja. Destabiliza-o, pelo menos.

 

A questão do estatuto social

Quando estive recentemente com o meu amigo Beto, mostrou-se preocupado – ou seria apenas curiosidade? – com o meu estatuto social actual, por comparação com o que eu fora no passado. Queria saber se a minha pequenez pública actual não me preocupava.

Essa do estatuto social, respondi-lhe eu, vem e vai, como a Primavera. Que mais poderia ter dito?

A fragilidade em que vivemos

Este ano, o governo francês vai contrair empréstimos junto dos mercados de capitais da ordem dos 200 mil milhões de euros, ou seja, quase tanto como o total da dívida pública portuguesa, que se situa agora nos 245 mil milhões de euros. É verdade que a dívida pública francesa está na casa dos 2 300 mil milhões de euros – cerca de 100% do PIB do país – e a portuguesa representa 121% do nosso PIB. Proporcionalmente, a França encontra-se num patamar mais razoável, embora a sua dívida seja enorme em valores absolutos.

A taxa de juro que o governo francês pensa pagar é da ordem dos 0,35%.

Para além do endividamento do Estado, as grandes empresas que integram o índice da bolsa de Paris – o chamado CAC 40 – estão igualmente endividadas até aos cabelos.

O que se passa em França – e em Portugal ou na Itália, que é um caso especialmente preocupante – acontece também em muitos outros países da Europa e fora da Europa, com os Estados Unidos e o Japão à cabeça. Tudo isto provoca uma grande fragilidade ao nível global. E um grau de instabilidade que pode levar a uma crise económica e social de grandes proporções, bem como a conflitos geopolíticos de elevado risco.

O que vai salvando a coisa é o baixo valor das taxas de juro, no caso das economias mais desenvolvidas. Qualquer subida das taxas poderá acarretar a falência de partes do sistema. Ou mesmo, mais.

O definhamento da imprensa escrita

Estima-se que apenas pouco mais do que 10% da população adulta francesa leia um jornal diário. E uma boa parte dessas pessoas fá-lo pela internet, sem qualquer tipo de contacto com o papel. A maioria informa-se através da televisão, ou então, ao ouvir as rádios, nas suas viaturas, enquanto se desloca na prossecução dos seus afazeres quotidianos. Porém, na verdade, a televisão é que conta.

Estas constatações obrigam a uma interrogação muito séria sobre o futuro da imprensa escrita. E não apenas em França, onde um jornal de referência como Le Monde está endividado até ao nariz, mas também em Portugal e noutros países.

Compreender a precariedade social

Nas nossas sociedades europeias, não há uma compreensão política clara do que significa a precariedade, apesar de ser uma situação vivida quotidianamente por muitas famílias. A política vive num mundo à parte. Deixou de ter raízes nos problemas dos mais pobres. Perdeu o contacto com quem se sente profundamente inseguro.

Os próximos dias de Theresa May

Theresa May termina a semana numa situação de grande fragilidade política. Noutros tempos e noutras condições, a Primeira-Ministra estaria às portas do pedido de demissão. Estamos, no entanto, a viver momentos excepcionais, em que nada do que era habitual acontece como seria de esperar.

Desta vez, creio que o pedido poderá acontecer. Estou convencido que Theresa May não que ver o seu nome associado pela História a um Brexit sem acordo. Se não houver uma reviravolta e se o acordo que está em cima da mesa voltar a ser chumbado, o que é muito provável, muito mesmo, May acabará por ir ver a Rainha.

A partir daí, quem sabe o que poderá acontecer?

A reunião do Conselho Europeu

A reunião do Conselho Europeu de ontem e de hoje mostrou maturidade e equilíbrio. Uma boa notícia, para quem se interessa pela saúde política da Europa. O tema mais complexo da agenda tinha que ver com a resposta a dar a Theresa May.

Os 27 Chefes de Estado e de Governo discutiram exaustivamente as várias opções relativas à data final de saída do Reino Unido da União Europeia. A Primeira Ministra queria um prolongamento até finais de junho. Não tinha uma justificação concreta para esse pedido, a não ser que precisava de mais três meses para resolver o que não conseguira fazer aprovar nos últimos quatro meses. Como estratégia, sabia a nada.

Na tomada de decisão, o processo teve em conta três aspectos.

Primeiro, evitar a ratoeira do ultimato. Ou seja, não dar a oportunidade nem aos deputados britânicos nem à opinião pública do país de dizer que a decisão do Conselho Europeu era uma ingerência, uma intimação. Nesta fase muito crítica do processo, a questão é um problema interno do Reino Unido. Os líderes europeus devem definir os limites, mas, simultaneamente, deixar espaço de manobra aos britânicos.

Segundo, voltar a reconhecer que uma saída negociada é, de longe, a opção preferida. Um Brexit sem acordo será sempre um péssimo Brexit.

Terceiro, respeitar a integridade das eleições europeias. Isto que dizer que tudo terá que estar claro aquando do início do processo eleitoral que levará às eleições marcadas para finais de maio.

Assim, a bola voltou a estar no campo britânico. E as balizas do jogo ficaram definidas com mais rigor. É verdade que ainda não se sabe bem como vai terminar a partida. Mas o Conselho Europeu já olha para o futuro a 27, sem contar com a presença e a participação do Reino Unido. Ninguém acredita que possa surgir uma reviravolta de todo o tamanho, que leve à anulação do Brexit. Por isso, a preocupação é a de gerir a saída com todo o cuidado possível.

 

 

 

 

O discurso errado

O discurso que Theresa May fez à nação esta noite foi absolutamente desastroso. A ideia central da sua mensagem pode resumir-se assim: a culpa é dos outros, dos deputados e dos procedimentos constitucionais.

Really?

Um erro absoluto.

Não sei quem a aconselhou a falar assim. Mas, a verdade é bem evidente: a Primeira-Ministra já não está à altura do desafio que é o Brexit. O seu prazo de validade terminou. Chegou ao fim.

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