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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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A miséria opinativa

Uma boa parte das colunas de opinião que aparecem nos nossos jornais são chatas como a ferrugem. A expressão é velha, mas traduz bem o que penso. Imagino que a maioria das pessoas – os poucos que ainda compram papel – não terá paciência para as ler. Na generalidade dos casos, nem valerá a pena. Os autores repetem-se uns aos outros, copiam de jornais estrangeiros, e têm, acima de tudo, uma posição ideológica pré-determinada, onde tudo o que escrevem deve caber. À esquerda ou à direita. São os articulistas quadrados da mente, que o divino tenha piedade deles. Nós, é que não temos tempo e pachorra para lhes dar.

Um dos meus amigos escreve sobre política internacional e europeia. Cada texto parece escrito à metralhadora, com rajadas em todos os sentidos, que só há burros à sua volta. E ataca sempre o que está na moda, depois de ter lido um ou dois sítios estrangeiros. É um guerrilheiro das questões internacionais. Outro, escreve sobre política nacional. É um ver se te avias, um activista mental contra o governo, os liberais – embora não entenda bem o que significa ser-se liberal na Europa macroniana de hoje – e os fantasmas da direita. Sim, porque à direita só já temos fantasmas e outros espíritos invisíveis. Esta quadra de greves e requisições civis deu-lhe muito pano para mangas.

E assim sucessivamente.

O que também me deixa boquiaberto é o espaço que a comunicação social dá a esses intelectuais da pena grande. Fico a perceber melhor quando sei que essa gente sai barata e enche páginas a custo zero ou quase inútil. Com os jornais em falência, este é um recurso de gestores pretensamente espertos. O problema é que tais cronistas e opinadores não atraem leitores nem vendem papel. E papel que não se vende significa que não há receitas publicitárias que prestem. E a pescadinha enfia o rabo na boca, volta a ter mais opinião barata e menos vendas. É o carrossel da miséria.

Nestas coisas, lá bem no fundo, o essencial é que haja o culto dos egos. E isso não parece faltar.

 

 

 

Entrevista

Leonídio Paulo Ferreira é um dos jornalistas mais seniores do Diário de Notícias. E o Leonídio, com a experiência que tem, consegue fazer milagres. Sou prova disso. Publica hoje no DN uma entrevista que me fez. No final das nossas perguntas e respostas, fiquei a pensar que a coisa não tinha corrido bem. Que as minhas respostas, sobre temas que conheço de trás para a frente e com os quais continuo a conviver diariamente, poderiam ter saído com mais garras.

Ao ler o texto hoje publicado, fiquei mais tranquilo.

Só posso agradecer ao Leonídio, sem esquecer o fotógrafo, Pedro Rocha, que me apanhou ao natural, acompanhado pela estatueta gigante que defende a minha sala de estar – a minha neta baptizou esse guarda de madeira do Zimbabwe de Jorge, que isto de dar nome a um ser estranho ajuda a vencer os preconceitos e o medo.

Quanto ao resto, todos os dias há muito que dizer sobre o mundo em que vivemos. O problema é transformar a abundância de informação numa leitura que interprete o sentido das coisas e sugira soluções. A informação sem interpretação leva à confusão e ao simplismo.

A meio de Agosto

Estamos em meados de Agosto. Este é o fim de semana que mais sabe a férias, a praia ou campo. Escrever sobre coisas sérias – ou fazer greve – nesta altura do ano, é tempo perdido. As preocupações são outras. Mesmo para quem não tem a possibilidade de ir para fora, a cidade fala-nos de férias, das dos outros, das ruas mais calmas, dos inúmeros grupos de turistas, dos dias quentes.

Não é que o mundo pare. Mas, a nossa atenção anda por outras paragens.

Pistas de reflexão em curso

Uma década de grandes transformações – 2010-2019:

  • Aceleração dos movimentos migratórios internos e internacionais
  • Acentuação do extremismo político
  • Retorno dos nacionalismos radicais
  • Desigualdades crescentes, precariedade e sentimento de insegurança
  • Entrelaçamento (emaranhar) de desafios complexos (ex: o clima, o terrorismo, a segurança humana, as mega-metrópoles urbanas, a robotização, etc )
  • Emergência da China como uma super potência
  • Marginalização da ONU; o regresso à política do poder - a razão da força.

 

 

O PM está a ganhar o apoio do meu gato

Hoje foi o meu gato quem começou a conversa. Normalmente, não é assim, eu falo e ele finge que ouve. Mas esta tarde, foi diferente. Fez-me saber que está a chegar à conclusão que é uma injustiça antidemocrática não deixarem os gatos votar nas legislativas.

Fiquei a olhar para ele, à espera do resto. Que veio de seguida, sem demoras. É que, tendo em conta a maneira hábil e progressiva como o governo está a responder a uma greve tão séria e por tempo indeterminado, como é a dos combustíveis, ele gostaria, em Outubro, de votar por António Costa. E faria campanha junto dos outros gatos, para que assim fosse.

Como é um gato esperto, primeiro promete, com prudência. Depois vê como evoluem os próximos dias. Se o governo continuar assim, o bicho acabará por confirmar a intenção. Se não conseguir chegar às urnas, pensa que muitos eleitores poderão fazer a mesma análise que ele. Isso dá-lhe algum consolo.

Entretanto, espero que os meus amigos do PSD continuem de férias e não tenham disposição, e maneira, de ler este meu blog de hoje. Incomodar os amigos durante Agosto, não se faz.

 

Com os miolos em roda livre

Ninguém fala nas implicações estratégicas de um greve que tem que ver com a disponibilidade de combustíveis. Fico com a impressão que já não está na moda falar em termos de interesse nacional. É tudo reduzido a interesses específicos e a oportunidades para fazer política partidária, para atacar à esquerda e à direita. E para pôr em causa a autoridade legítima do Estado. Não andaremos um pouco confusos dos miolos?

Mais duas notas sobre a greve

Neste estranho sábado de Agosto, noto duas observações.

O maior partido da oposição – o PSD – não tem uma linha clara sobre a greve dos camionistas de combustível. O comunicado oficial que publicou sobre o assunto tem a clareza própria de quem não sabe o que dizer ou fazer. É um comunicado mal cozido em águas de bacalhau. Nada propõe de concreto, para além do adiamento da acção sindical para depois das eleições legislativas de Outubro e de uma vaga referência a uma mediação com “mais recato”, por parte do governo. É assinado por um dos vice-presidentes, quando deveria ser assumido abertamente pelo presidente do partido, dado o impacto estratégico desta greve.

Talvez alguém pudesse lembrar a Rui Rio que situações como estas definem a qualidade da liderança.

Mas isto de liderança é outra conversa.

A segunda observação refere-se à posição de apoio que vários sindicatos anunciaram. Não seria de esperar outra coisa, apresso-me a acrescentar. Mas também digo que há aqui matéria para reflexão sobre a maneira de agir de uma parte do movimento sindical português. Sobre os direitos e os deveres dos sindicatos, sobre a subordinação das reivindicações sectoriais aos interesses estratégicos nacionais, sobre a politização do movimento, o respeito das instituições e das autoridades legitimamente constituídas, e assim sucessivamente.

A liberdade exige uma visão madura e equilibrada da democracia. O debate desta equação parece estar por fazer, conforme nos lembram os sindicatos agora apoiantes.

 

Conversa política com o gato

Não sei se já tentou explicar ao seu gato que, num Estado democrático e com um governo constitucionalmente legitimo, é essencial reconhecer a autoridade do governo. Claro que não é fácil convencer o bicho, mas há que insistir, repetir e não perder a paciência. Se o seu gato lhe falar do 25 de Abril e da liberdade, diga que sim. São aspectos determinantes da nossa vida. Mas repita que sem um Estado forte, a agir dentro da lei, não há sociedade que se entenda nem respeito pelos interesses de todos, que são mais importantes que os interesses específicos do seu gato e dos seus companheiros de goteira.

Caso não tenha gato, experimente falar com um pássaro, um pardal, por exemplo. Há muitos, por aí.

 

O cocó do dia

Depois de ter lido uma coluna de opinião, em que o autor se assanhava, sem se perceber bem a razão, sobre uma possível ligação entre as greves cá do burgo e a agenda política da extrema-direita nacional – um conceito que ficou por definir, sem que o camarada nos dissesse quais são os partidos com assento parlamentar que têm essa bandeira extremista –, só me faltava pisar merda de cão. E quase que acontecia. A rua com mais movimento aqui na vilória do Baixo-Alentejo onde me encontro está cheia de dejectos desses queridos animais. Tem sido um ver se te avias, desde o início da semana. Os donos dos bichinhos, que até nem serão cá da terra mas que por aqui estarão a passar uns dias, ficam deliciados com o funcionamento regular dos intestinos dos ditos, e querem que partilhemos a alegria.

Um articulista assanhado diria que se trata de complô contra a maioria de esquerda que governa o município. Tratar-se-ia de desacreditar a autarquia, que isso de pisar cocó leva ao reforço da oposição extremista.

Eu teria uma outra perspectiva. Inspirado pelo cheiro que os passeios nos brindam, e agradecido pela gincana que é preciso fazer, para não pôr o pé na coisa, diria apenas que se trata de duas dimensões. De um poupar de água, na altura mais seca do ano. Lavar os passeios não seria ecológico, como também não é a favor da sustentabilidade do ambiente plantar oliveiras e vinha por toda a parte do Alentejo. E, segunda dimensão, de um certo gosto que temos de andar, aqui e acolá, a fazer merda.

Responder a uma greve ameaçadora

A anunciada greve dos motoristas de combustíveis e outras matérias perigosas não pode paralisar o país. Se o fizer, estará a afectar de modo profundo o conjunto da economia nacional, a vida das pessoas e os interesses estratégicos do país. Politicamente, isso não será aceitável. Exigirá, assim, uma resposta política determinada. O Primeiro-Ministro tem que falar ao país sobre este assunto, sem mais demoras. Explicar o que tenciona fazer. Como pensa responder a uma ameaça tão séria como esta. Para além das outras consequências de grande impacto nacional, a liderança do Primeiro-Ministro e a autoridade do governo estão em jogo. Não há outra solução para além de uma resposta firme e clara.

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