Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Firmes mas comedidos

Creio ser politicamente errado continuar a atacar o governo holandês com a ferocidade a que estamos a assistir. Pode dar lucros e dividendos, na nossa cena política interna, mas não faz avançar o projecto europeu de um milímetro. Para mais, agora, que há um acordo que vale 540 mil milhões de euros, a que se juntam os 750 mil milhões que serão disponibilizados pelo Banco Central Europeu. É muito dinheiro e fácil de aceder. Cabe-nos saber aproveitar esses recursos com inteligência. É isso que a nossa população e a nossa economia esperam.  

Atacar directamente os Países-Baixos e manter o silêncio perante o que se passa na Hungria, em termos de falta de respeito pelos valores democráticos europeus, parece-me má política.

O projecto europeu é para continuar

Hoje, os ministros das Finanças do Eurogrupo voltam a reunir-se para discutir como custear os investimentos excepcionais que a pandemia vai exigir. Esta é uma questão muito delicada, que tem dividido a zona euro em dois campos. Também deu azo ao aparecimento de toda uma série de colunas de opinião, aqui na nossa praça, que se inspiraram mais no emocional e nas ideias feitas do que numa análise da realidade do que é o mosaico europeu.

A UE é o resultado de um equilíbrio de interesses diversos, de vários tipos, não apenas económicos, de modo a garantir um certo modo de vida, que tem na democracia, na segurança humana e na prosperidade os seus principais pilares. Este equilíbrio será mais forte se os diversos países membros conseguirem evitar grandes disparidades entre eles. Creio que em relação a isso não há dúvidas nas diferentes capitais e nas cebeças de quem pensa nestas coisas pela positiva. Como também não me parece que hajam dúvidas quando se trata de reconhecer as diferenças que existem e peso negativo que essas disparidades trazem para o projecto comum.

Mas estas coisas entre Estados constroem-se progressivamente. Em certas áreas e em dados momentos, é possível avançar mais depressa. Outras vezes, estaremos perante um trabalho penoso de discussão, de resolução das divergências. É nessa altura que é precisa muita diplomacia, ideias claras e argumentação inteligente.

Certos comentaristas caem na estupidez ou, então, no jogo barato e afirmam, por exemplo, que os Estados membros têm como modelo uma Europa desigual, com níveis de desenvolvimento diferentes. Esse afirmação soa bem, nos meios que querem destruir a união, mas não corresponde à verdade.

Reorientar a nova economia

A reconstrução das economias europeias deve ser feita com dois tipos de recursos, caso não existam meios próprios da empresa. Empréstimos de longo prazo e financiamentos a fundo perdido. Em ambos os casos, deveriam ser definidas linhas prioritárias, sectores estratégicos, empresas de interesse nacional ou regional, actividades de ponta, que seriam os principais beneficiários dos novos recursos. Sobretudo no que respeita aos financiamentos não-reembolsáveis. Uma política económica deste tipo permitiria uma reestruturação do tecido económico, que tivesse em conta as dimensões estratégicas, o respeito pelo meio ambiente e a sustentabilidade, o encorajamento dos avanços tecnológicos e a geração de empregos.

A liderança política deveria estar já a trabalhar na definição dessas orientações de política económica.

 

O debate entre a vida e a economia

Começou o debate que muitos temem: como encontrar a mancha de equilíbrio entre a luta contra a pandemia da Covid-19 e a preservação da economia? Estas são as duas grandes equações do momento.

A pandemia ameaça a vida de muitos. Quem sabe dessas coisas de surtos epidémicos diz-me que este ainda tem muita dimensão que permanece desconhecida. Pode evoluir num sentido ou no outro, segundo as oportunidades de contágio. Enquanto não houver vacina – uma perspectiva para 2021, dificilmente antes – teremos que recorrer ao distanciamento social e ao isolamento, para que o flagelo não se transforme numa calamidade geral.

Ora, tudo isso tem um impacto vastíssimo na economia. Sobretudo em certos sectores, que estão completamente paralisados e não têm perspectivas de recuperação visíveis no horizonte. Sem produção e sem comércio, sem rendimentos nem emprego, com os sistemas sociais a rebentar por todas as costuras, que modo de vida nos espera, durante um tempo relativamente longo? Como sobreviver numa economia de mercado, em que não há nem mercado nem dinheiro?

Trata-se de escolher perante um desafio que não tem paralelo na história da humanidade. Não se pode comparar à gripe de 1918 ou a outras epidemias, por um razão muito simples: o mundo é hoje, para estas coisas, uma simples aldeia, em que todos são vizinhos de todos.

Para mim, a opção primeira e absoluta é a da saúde pública. A vida de cada pessoa é um bem único, insubstituível. Deve ser preservada a todo o custo. Uma mobilização extrema de meios de combate à pandemia poderá fazer baixar a curva. É essencial. Mas não resolverá o risco. Para tratar do risco, a cooperação internacional em matéria de investigação laboratorial e de testes é fundamental. É preciso insistir nesta matéria da cooperação. Tem que se constituir uma aliança mundial que faça avançar a pesquisa a passos de gigante. Essa deveria ser umas das mensagens mais salientes que a OMS deveria repetir a todo o momento.

A economia tem que ser aberta aos poucos. Existem vários sectores que agora estão encerrados que poderiam ser autorizados. Voltarei ao assunto.

Boris Johnson, um caso preocupante

O Primeiro Ministro britânico, Boris Johnson, foi internado este serão nos cuidados intensivos. A notícia foi recebida como se fosse um terramoto político. Mas para além da política, o simbolismo que esse acontecimento gera é imenso e muito preocupante, para a generalidade das pessoas. Trata-se do dirigente de um país altamente desenvolvido. Se isso acontece a uma personalidade desse calibre, com todos os meios de tratamento à sua disposição, então, sim, estamos perante um vírus muito sério.

Cada um deve reflectir sobre este exemplo e procurar seguir as recomendações sanitárias escrupulosamente.

Ao domingo, canta outra música

Seria um erro não tratar do dia de hoje como domingo. Um dia para tratar da família e das nossas coisas pessoais. Nestes tempos de grande espanto, é fundamental não perder as referências habituais. Embora os dias possam parecer todos iguais, para quem está confinado, convém fazer a destrinça. Por exemplo, ao domingo, de um modo geral, não se trabalha. Com a prática do teletrabalho, há quem acabe por pegar nos assuntos todos os dias, sábados e domingos incluídos. Uma amiga minha, que há muitos anos que trabalha em casa, sempre me disse que o segredo, quando assim é, passa por se respeitar uma horário de trabalho normal e metódico. Ela tem dois números de telefone. O do trabalho vai para voice mail às 18:00 horas. Qualquer mensagem que caia depois dessa hora é ouvida e tratada na manhã seguinte. E ao fim de semana, está desligado. Se assim não fosse, acrescenta, já teria dado em doida há muito tempo. Ora, é exactamente isso que se procura evitar, para além da fuga ao vírus. Manter a cabeça normal. Não é assim tão fácil como parece. Mas é essencial. Precisamos de todos, para recuperar o país e o resto.

A nova liderança trabalhista

Neste primeiro sábado de abril de um ano tão estranho, que relevância tem tudo o que não seja sobre o tema da pandemia? Quem consegue falar de algo mais? Mas é bom pôr os olhos noutros factos que entretanto vão acontecendo. Por exemplo, o Partido Trabalhista britânico elegeu hoje uma nova direcção. Menos radical que a precedente, mais pragmática e bem mais jovem. Keir Starmer, o novo líder, tem 57 anos. Vem da área da justiça, do lado da procuradoria, da acusação pública. Tem uma excelente presença, sai bem na fotografia. A vice-líder, Angela Rayner, tem apenas 40 anos. Não concluiu o ensino secundário mas teve um percurso sindical visível. Ambos foram eleitos por mérito próprio, em listas distintas. Vão ter que enfrentar Boris Johnson, o que não vai ser uma tarefa fácil, tendo em conta o apoio que o Primeiro Ministro tem no Parlamento. O trunfo mais importante que esta nova liderança tem é o de projectarem uma imagem de equilíbrio, de estabilidade, de gente que leva o seu papel político a sério.

Mudar de modelo, após a crise?

A preocupação dos políticos é a da reconstrução, sem demoras, logo que possível, do modelo económico que estava a funcionar. Restabelecer o emprego, os rendimentos das famílias, criar condições para que as empresas voltem à vida económica, essas parecem ser as linhas inspiradoras de quem tem o poder político. Não falam da mudança de paradigma económico, de um novo modelo social e produtivo. Mas esse debate irá estar em cima de muitas mesas. Arrisca-se, no entanto, a ser uma discussão académica, sem mais. 

O mundo que aí vem

Hoje fechou a Rússia, por um mês. Cerca de um terço da população mundial está agora confinada. Uma situação destas deverá acarretar profundas alterações, em todos os domínios, uma vez terminada a crise. A reflexão sobre o mundo novo já está em curso, aqui e lá, cada um no seu canto e de modo muito incipiente. Os políticos prefeririam que tudo voltasse a ser como dantes, como em Janeiro de 2020. Seria como um simples despertar de um pesadelo horrível. Creio que não será assim. A maneira de trabalhar, a organização da economia, as viagens e o relacionamento com o longínquo, o pensar estratégico, as relações entre as pessoas, a atitude perante a natureza e o ambiente, as escalas de valores e o discurso social, tudo isso poderá conhecer transformações profundas. Penso que seria importante pôr um grupo de reflexão em marcha, com o objectivo de reflectir sobre essas possíveis alterações. Talvez isso pudesse ser uma iniciativa do Secretário-geral da ONU. Ou de uma fundação com The Elders.

A China e o mundo de amanhã

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, lançou ontem um apelo de ajuda aos países em vias de desenvolvimento. Fez o que se esperava que fizesse e fê-lo bem. O problema é que os países mais desenvolvidos – os doadores tradicionais das Nações Unidas – estão todos presos de pés e mãos numa crise inimaginável. O apelo de Guterres não será ouvido. A própria comunicação social não teve espaço para lhe dar a ênfase que merecia. Cada um pensa apenas em si, no que se está a passar à sua volta, no interior das fronteiras nacionais. A agenda da cooperação internacional será uma das áreas profundamente afectadas pela crise. Já estava na mó de baixo. Agora, poderá desaparecer da lista de prioridades dos países mais desenvolvidos.

Um país que irá tirar partido da situação será muito provavelmente a China. Deverá aumentar a sua cooperação bilateral com vários países em desenvolvimento, sobretudo em África e nalgumas partes da Ásia. Mais ainda, mobilizará as empresas multinacionais chinesas para que contribuam em paralelo com o governo de Beijing. Será uma ofensiva conjunta do sector estatal e do empresarial. E com muita visibilidade e sentido prático. Mencionarão o plano de Guterres mas a sua ajuda será dispensada directamente. Só passará pela ONU o que possa servir para fortalecer a posição chinesa dentro do sistema das Nações Unidas. Uma posição que já está bastante forte, aliás. A China controla hoje várias agências e departamentos da ONU.

Curiosamente, por muito estranho que possa parecer, será a China um dos ganhadores com a crise actual, que começou, aliás, numa das suas províncias. O cenário geopolítico de amanhã tem todas as condições para ser bem diferente do que conhecemos até agora.

Pág. 3/3

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D