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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Uma aposta muito séria

Haverá ou não acordo um comercial de longo alcance entre a União Europeia e o Reino Unido, que regule as relações entre as partes a partir de 1 de janeiro de 2021?

 Neste momento, a um mês do término do acordo Brexit de transição, é impossível responder a esta questão. Mas tendo em conta o que está em jogo, em termos de interesses económicos e de relações de boa vizinhança, a minha aposta é que se chegará, em cima da meta, a um acordo.

 Veremos se tenho razão. A ausência de preparativos de emergência, por parte de Bruxelas, de acções que permitissem uma resposta a uma ruptura das relações, convencem-me que estou a fazer uma boa aposta. Haverá acordo.  

Uma governação com duas verdades opostas

A minha coluna de ontem no Diário de Notícias tinha como destinatários todos aqueles que na União Europeia querem desligar ajuda financeira da prática de um estado de Direito. As principais críticas que fiz diziam respeito aos dirigentes da Polónia, da Hungria e da Eslovénia. Mas nas entrelinhas ia mais longe. O primeiro-ministro português tem sido ambíguo nesta matéria. Quando se trata do consumo interno, não hesita em afirmar que orçamentos e valores democráticos devem ir a par e passo. Nas reuniões em Bruxelas, é muito menos taxativo. Dá mesmo a impressão, às vezes, que está mais próximo da posição defendida por Viktor Orbán, o primeiro-ministro húngaro, do que daqueles que vêem o futuro da Europa como uma comunidade de valores.

O meu texto tinha isso em linha de conta.

E hoje o jornal Público revela que assim parece ser. Num trabalho intitulado “Portugal criticou no Conselho o mecanismo de defesa do Estado de direito” fica a imagem de um governo com duas caras. No segredo das cimeiras, põe-se ao lado dos polacos, húngaros e companhia.Na praça pública, declara que é a favor da posição da Comissão Europeia, que não quer ver os fundos desligados da boa prática democrática.

Desafios

"Creio que o drama pandémico preparou uma boa parte dos cidadãos para um novo tipo de consciência no que respeita à sua relação com os outros e a natureza. Penso que nos tornou mais comedidos nas nossas ambições. Estamos perante a possibilidade de renovar a prática política. Essa é a principal conclusão que tiro da situação presente. É igualmente a linha que orienta a minha visão do futuro. Fazer política amanhã terá de significar que se luta continuamente pelos direitos humanos, pela democratização, pela lisura na gestão pública e por mais solidariedade. Há que tirar partido da maturidade adquirida durante este período de choque. Se assim acontecer, ganha a credibilidade da política, cimenta-se a cooperação multilateral e estaremos em melhor posição para encarar aqueles que considero os três maiores desafios globais da década: a luta contra a pobreza, a defesa da liberdade e a regeneração do ambiente, a começar pela mitigação das alterações climáticas."

Parágrafo extraído do texto que publico hoje no Diário de Notícias. O texto completo ainda não está disponível na net. 

As lanchas e os políticos a boiar

As “lanchas da GNR”, como os jornais lhes chamam, têm provocado muita polémica nestes últimos dias. O Diário de Notícias tem procurado tratar o assunto de maneira equilibrada. Não é fácil. É um tema que levanta grandes emoções, de um lado e do outro. Se se pedir a opinião de um almirante, os argumentos são a favor da Marinha. Se o entrevistado for um general do exército, a conversa vai para a defesa do papel da GNR. Ou seja, falta objectividade à discussão. Uma discussão que deve ser sobretudo política. Os almirantes e os generais devem ser ouvidos com muita atenção. Mas quem precisa de se fazer ouvir são os políticos.

É verdade que o Ministro da Defesa já publicou, no DN do sábado passado, 21 de novembro, a sua posição sobre o assunto. Mas é apenas um ponto de vista. Enquanto ministro da área da Marinha, não podia escrever outra coisa para além de um apoio a um serviço que tutela. O texto, se fosse dissecado a sério, levantaria um certo número de questões.

O Ministro da Administração Interna, que tem a responsabilidade política relativa à GNR, nada disse, até agora. Parece que só o fará em janeiro de 2021. Não sei se será capaz de se manter silencioso durante tantas semanas.

Não me parece boa política manter a polémica por muito tempo.

Este é um assunto estratégico, pois tem de ver com o nexo que deve existir entre as forças militares e os serviços de segurança. Além disso, é delicado porque temos muitos anos de prática de certos hábitos operacionais que levaram as instituições a ocupar o espaço de acção, com mais ou menos sucesso, com mais ou menos habilidade mediática. É também delicado porque existe uma grande dispersão e fragmentação ao nível das forças de segurança. Muitos políticos têm fugido a uma discussão a sério do papel de uns e dos outros. Têm medo dos custos eleitorais de uma tomada de decisão clarificadora. Por isso, têm deixado andar.

Há uns anos, num seminário nacional sobre as polícias, emiti a opinião, apoiado em exemplos de outros países europeus, que era necessário racionalizar a organização da segurança nacional e equacionar a sério uma conjugação institucional de esforços. Ou seja, repensar o modelo existente, que é composto por vários tipos de forças de segurança.

Ia sendo comido vivo pelos que achavam e continuam a defender que a actual dispersão de funções, recursos e esforços é que está bem. Custa um fortuna, não é a maneira mais eficaz de proceder, mas está bem e não se deve falar de mudanças.

Foi aí que percebi que o campo está minado. Deveria caber aos dirigentes políticos proceder à desminagem. Não acredito que o façam nos tempos mais próximos.

Dias de pandemia

Actualmente, aqui em Portugal, as estatísticas relativas à pandemia são dramáticas. Revelam um alto nível de incidência e, sobretudo, um número muito elevado de óbitos. Penso que se deve insistir mais nas medidas de prevenção, no comportamento que cada um de nós deve assumir no quotidiano das nossas vidas. Vamos entrar num novo período de restrições. Mas essas limitações servirão de pouco se os comportamentos de risco continuarem. É fundamental apelar ao bom senso de cada um de nós, para o nosso bem, para o bem dos que nos são próximos e também para o bem colectivo.

Ser poupado no uso dos média

Conviria lembrar aos dirigentes do Estado – e aos políticos em geral – que a banalização e o uso muito requente das intervenções mediáticas acabam por minar a autoridade de quem o faz. Comunicar é importante, nos dias de hoje, é mesmo essencial saber fazê-lo bem, de forma clara e acessível. Mas vir à televisão ou aparecer nos jornais por dá cá aquela palha tem um impacto negativo sobre o simbolismo que deve estar associado ao exercício do poder.   

Depois da pandemia

Com o progresso acelerado em matéria de vacinas contra a covid-19, seria útil reflectir sobre o mundo que aí vem, no período pós-pandemia. Será, certamente, um mundo diferente, nas áreas económicas e humanas, bem como no relacionamento entre os diferentes estados. No caso destes últimos, a grande lição que deverá ser retirada das campanhas de vacinação é a da cooperação entre todos. Mas é possível que essa conclusão se limite apenas às matérias de saúde pública. Isto significaria que os verdadeiros líderes, com uma visão global, deveriam procurar levar a questão mais longe e promover a cooperação noutros domínios de interesse universal. Um deles seria certamente o do aquecimento global. Outro teria de ser no campo da cooperação económica, com o objectivo de combater a pobreza extrema. Os tempos recentes mostraram-nos que quando há vontade política é possível fazer milagres. Tem de haver vontade política na luta contra a pobreza. Esta é um dos factores mais importantes de instabilidade no interior dos estados e a nível internacional. As receitas necessárias, do ponto de vista económico, são conhecidas. Passam pelo comércio sem barreiras, pelo tratamento preferencial dos mais pobres, pela formação profissional dos jovens, por investimentos limpos e pela eliminação da corrupção.

Este debate sobre o futuro pós-pandémico é, na verdade, o debate que se impõe.

Um período muito difícil

As medidas de confinamento decretadas pelo governo para os próximos quinze dias são bastante restritivas. Esperam que tenham um impacto positivo na redução da taxa de propagação do vírus, já que o impacto negativo na economia é mais que evidente. Seria simplesmente desastroso se o enorme custo económico das medidas não fosse compensado por uma melhoria da situação sanitária, que é, de facto, muito má.

Lamento, por outro lado, que não se insista no uso obrigatório de máscara em todos os lugares públicos. Esta manhã, por exemplo, havia muita gente a passear ao longo do Tejo, na zona lisboeta de Belém, entre a Ponte 25 de Abril e o Monumento aos Combatentes do Ultramar, junto ao Forte do Bom Sucesso. Uma grande parte das pessoas não andava com máscara. Embora se tratasse de um passeio ao ar livre, a verdade é que havia zonas em que a proximidade entre as pessoas era um facto.

Lamento, também, que o discurso do Presidente da República da passada sexta-feira, que sublinhava bem a seriedade da ameaça, não tenha sido comentado na comunicação social de modo a amplificar a mensagem. É preciso insistir na gravidade da situação e no apelo ao civismo de todos.  

Eu, mais eu e ainda eu

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/21-nov-2020/narciso-ou-a-fragilidade-das-democracias-13053846.html?target=conteudo_fechado

Este é o link para o texto que publico esta semana na edição de hoje em papel do Diário de Notícias. 

Escrevo sobre o narcisismo de Donald Trump, sobre a democracia e sobre a falta de equilíbrio de poderes quando as Assembleias da República estão decoradas com os servis fiéis dos líderes partidários. 

 

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