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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Que país tão estranho

Chegar ao grande fim de semana de início de férias anuais para uma grande maioria dos portugueses e andar a discutir o 25 de Abril de 1974 e o papel de Otelo e outros só pode acontecer num país que anda em guerra consigo próprio. Ou então, mostra que a opinião que tem acesso ao espaço público é constituída por gente que deve ser de idade avançada e que já andava nestas coisas na altura, ou despertou para a política então. Uma espécie de "são sempre os mesmos".  

Também causa surpresa ver alguns dos mais novos embarcar nas mesmas guerrinhas.

Já é tempo de olhar para a história desses tempos com alguma serenidade. E de pensar sobretudo no futuro. Nessa área, isso sim, há muito para debater.

Urgências políticas

https://www.dn.pt/opiniao/clima-e-pandemia-visoes-curtas-na-hora-das-urgencias-13988080.html

Este é o link para o meu texto desta semana (hoje) no Diário de Notícias. O artigo sublinha duas questões que devem estar no topo da agenda internacional: a equidade no acesso às vacinas contra o Covid-19, de modo a que as populações dos países mais pobres possam ser também elas imunizadas; e a luta contra as alterações climáticas, para que a próxima COP26, que terá lugar em Glasgow na primeira metade de novembro, possa ter resultados concretos. 

Cito, como de costume, um extracto desta minha crónica. 

"Agosto é má altura para falar destes temas. Mas a rentrée em setembro terá que colocar a preparação da COP26 no topo da agenda, a par da questão gravíssima da desigualdade no acesso às vacinas contra a Covid-19, por parte dos países pobres. O desafio será o de transformar o slogan vazio, embora continuamente repetido, sobre a reconstrução de uma economia mais verde pós-pandemia, numa série de planos concretos. E tornar as vacinas acessíveis a ricos e pobres. Tratar-se-á de lembrar aos grandes e aos pequeninos chefes enleados em hesitações e oportunismos que nestas duas matérias o futuro já começou, e toca a todos."

Cidadania e responsabilidade

O Presidente dos EUA está visivelmente preocupado com o facto de uma parte importante dos americanos ainda não estar vacinada contra a Covid-19, apesar de todos os esforços que têm sido feitos nos últimos seis meses. Mais ou menos 50% dos cidadãos, por razões várias, está por vacinar. Uns porque associam a campanha à presidência democrata e são visceralmente do partido oposto, outros por não acreditarem na eficácia da vacina e um certo número porque não querem perder o salário de umas horas de trabalho, por estarem na fila à espera da sua vez.

O discurso de Joe Biden foi muito bem articulado. Mas nestas coisas, só aceitam a argumentação os que já estão convencidos. Por isso, Biden teve de propor incentivos financeiros e adoptar medidas, ao nível federal, que tornam a vacina uma necessidade. É lamentável que assim seja. A eficácia da vacina está mais do que provada. Cada cidadão deveria considerar a sua imunização como um acto cívico indispensável para o seu bem e o de todos.

Sou dos que defendem a obrigatoriedade da vacina. O vírus é algo de muito sério. Tem um impacto humano, social e económico muito profundo. Quanto mais rapidamente for combatida a sua propagação, melhor será.

O vírus e a cooperação internacional

Um amigo próximo está positivo há dez dias. É um homem forte, com muitas décadas de mato africano coladas à pele, um combatente em todos os sentidos. Mas vive numa plantação, algures na África Austral, e a vacina ainda está a caminho da região. Lentamente. E o meu amigo dizia-me hoje que isto da Covid não é brincadeira nenhuma. Ele, que é um sobrevivente de muitas lutas, sabe do que fala.

A sua condição actual veio uma vez mais pôr em evidência a extrema desigualdade que existe no acesso às vacinas. Num país como o seu, e em todos os outros que têm o mesmo nível de desenvolvimento – um nível baixo – a percentagem de gente vacinada é ínfima. Não há vacinas, não existe infra-estrutura nem meios.

Sem um esforço internacional, esses países continuarão a manter o vírus vivo. Depois, mais tarde ou mais cedo, ele saltará daí para o resto do mundo. Os países que contam, em termos de recursos e de capacidade, precisam de agir e de cooperar. É urgente e no interesse de todos.

 

Tudo se sabe, nestas terras

Passei hoje por uma pequena localidade de Alentejo, onde tenho duas pessoas conhecidas. De manhã, dei uma volta a pé pela vila. A determinada altura, numa das praças, estava um homem a grelhar uma série de frangos, em resposta a encomendas que havia recebido. Parei para ver as suas artes. Olhou para mim e disse-me que sabia quem eu era e porque estava por ali. E sabia mesmo. Nestas pequenas terras não há segredos. Basta conhecer alguém e depois, o resto espalha-se. Com simplicidade, sem más intenções.

Respondi que sim e que era de Évora. Ser de Évora continua a ser uma mais-valia. E esta, não paga imposto

Devagarinho, no Baixo Alentejo interior

Ontem estive em Alvito, no distrito de Beja. É um concelho perdido na imensidão dos campos do Baixo Alentejo, pouco povoado – nas presidenciais de 2020, tinha pouco mais de 1.900 eleitores inscritos, tendo votado menos de 900. E como muitas localidades do interior do Alentejo, é uma terra que parou no tempo. Várias das casas grandes estão fechadas ou mesmo abandonadas e as actividades económicas não-agrícolas não existem. No domínio da agricultura, a água do Alqueva tem feito a diferença. Quem passa, vê muitas plantações novas, sobretudo de oliveiras, mas não só. Mas não se enxerga vivalma. E as estradas que levam ou fogem de Alvito estão em mau estado. Essa é, aliás, uma constante pelo distrito fora. A nacional que vem da A2 para Beja tem alturas que mais parece uma aliada das casas que vendem pneus para automóveis e das oficinas aperta-parafusos. A tão falada N2, que vem do Norte para o Sul de Portugal tem troços na zona de Ferreira do Alentejo que clamam por uma nova cobertura de alcatrão.

O lado positivo é ser-se obrigado a conduzir devagar. Devagar como a vida nestas terras.

Otelo, simplesmente Otelo

Deixo aqui a minha homenagem à memória de Otelo Saraiva de Carvalho.

Conheci-o de mais perto em 1975, quando fui membro da primeira Comissão Nacional de Eleições. Muitas das recordações perderam-se com o passar dos anos. Mas sempre ficou bem presente a sua chegada de helicóptero à Gulbenkian, na noite eleitoral da Assembleia Constituinte. Nós, os membros da CNE, tínhamos aí o nosso posto de comando. E Otelo veio ter connosco, para se inteirar sobre a maneira como estava a decorrer o apuramento dos resultados.

Nessa altura, era visto como um herói. A sua visita impressionou-nos.

Depois, com o andar dos anos, outros tempos vieram. E a história saberá contar o percurso que percorreu, os altos e baixos. A história nunca é objectiva. Otelo será contado de diversas maneiras. Mas ninguém poderá negar o papel que desempenhou no 25 de Abril de 1974.

O par que manda em todos nós

Para mim, a ambição dos dois senhores é clara. Trata-se de ficar no poder o tempo do mandato, num dos casos, e no outro, tanto tempo quanto possível, sem fazer ondas nem ter que enfrentar grandes tempestades. Não são líderes transformadores, nem têm essa intenção. É verdade, como diz o articulista, que poderiam aproveitar o poder que têm para proceder às transformações que o país precisa, de modo a não ficar cada vez mais longe da média europeia. Mas isso exigiria espírito patriótico de missão, uma visão progressista do futuro, uma compreensão das mudanças que são necessárias, uma coragem política que nem um nem o outro possuem ou não querem assumir.

Pese aos meus amigos, mas a realidade é simples de entender. Gere-se o quotidiano, com o menor risco possível. E nada mais.

Uma situação destas convém aos interesses estabelecidos. Não são postos em causa, não têm de enfrentar desafios desestruturantes e ficam tranquilos, por saber que não será dado espaço a quem esteja a pensar fora dos padrões correntes. O marasmo tranquilo agrada a quem tem grandes interesses para defender.

Vendem-se assim as ilusões habituais: que somos os melhores, os mais seguros, os que comem as melhores sardinhas, que o paraíso fica aqui em casa. Também nos fazem acreditar que anda meio mundo a tentar mudar-se para cá. Quando lhes digo que um conhecido meu preferiu gastar muitos milhões de euros na compra de uma propriedade na Suíça, à beira civilizada do Lago Léman, do que pagar 2 ou 3 milhões por uma vivenda mais ou menos equivalente, mas no caos que é o Carvoeiro, não acreditam. Não entendem que quem tem muito dinheiro e não precisa de um Visto Gold vai para outras paragens, amenas e bem organizadas.

Vale a pena falar destas coisas?

Acho que sim.

As ameaças que a Europa enfrenta

https://www.dn.pt/opiniao/a-uniao-europeia-no-caminho-do-colapso-13963761.html

Este é o link para a minha crónica de hoje, publicada no Diário de Notícias. O título é uma chamada de atenção para a necessidade de firmeza quando se trata de defender e fazer aplicar os valores em que assenta a União Europeia. O texto concentra-se numa análise de duas grandes ameaças internas para a estabilidade e a credibilidade da União - o húngaro Orbán e o polaco Kaczynski - e da enorme ameaça externa que Erdogan representa. 

Cito uma extracto do meu texto, como é habitual.

"A luta contra a corrupção e pelo bom funcionamento da justiça, sobretudo a sua independência, são dois aspetos fundamentais do projeto europeu."

 

Um optimismo resignado

Neste momento, há algum movimento turístico na minha zona de Belém. Nada que se compare a anos passados, mas nota-se a presença de turistas, algo que não acontecia há um ano. A grande maioria são pessoas jovens. Casais com crianças e adolescentes são raros. Pessoas do tipo reformado, praticamente zero.

Os comerciantes locais, sobretudo os restaurantes, olham para tudo isto com um optimismo resignado. Pouco é melhor do que nada. Será disto que se fala, quando se usa a palavra moderna, que anda na boca dos políticos mais modernos, resiliência?

Entretanto, um amigo meu esteve hoje em Silves. Disse-me que a cidade está deserta. Vários restaurantes estão fechados. Não aparecem clientes que justifiquem a abertura.

Tudo isto pesa muito na economia nacional. Ainda não se percebe qual será o verdadeiro impacto, mas que haverá um impacto negativo é certo. Pensar que os dinheiros que virão de Bruxelas irão tapar estes buracos parece-me um bocado ilusório. Muitos desses dinheiros vão para grandes projectos do sector público ou para-público e nada têm de ver com a sobrevivência das pequenas empresas e dos comércios que são uma parte significativa do tecido económico privado.

Mas há que acreditar em dias melhores, diria o meu amigo Martins, da rua de Belém.

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