Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Donald Trump e os Talibãs

Hoje escrevi a minha crónica semanal para o Diário de Notícias, depois de uma pausa de duas semanas. A crónica será publicada na edição de amanhã. E tinha forçosamente de ter como tema o Afeganistão. Esse é o assunto por excelência, neste momento. Mas muito se tem escrito sobre o Afeganistão. Incluindo prosas emocionais e pouco realistas. E muita repetição de ideias feitas.

O desafio era enorme. Que escrever, a partir de que ângulo, de modo a acrescentar algo ao debate, sem maçar o leitor com mais do mesmo? O leitor verá como tentei dar a volta a esta questão. E como procurei não esquecer as pessoas, mesmo quando a escrita é sobre questões geopolíticas.

O papel nefasto de Donald Trump esteve sempre presente na minha mente, à medida que o texto avançava. Tinha a intenção de mostrar o que aconteceu à volta do acordo que Mike Pompeo assinou, a mando de Trump, a 29 de Fevereiro de 2020, e de como esse processo abriu o caminho para a tomada do poder pelos Talibãs.

Acabei por não o fazer. Mas é algo que terá que voltar à baila. Joe Biden assumiu as suas responsabilidades. Trump também deve ser confrontado com as suas.  

  

 

A arte do engano

Os meus escritos sobre a situação no Afeganistão têm suscitado muitas reacções. O tema interpela muita gente. Por duas razões, segundo vejo. Primeiro, pela derrota que os EUA parecem ter sofrido. A política externa americana é um assunto que deixa poucos dos meus leitores indiferentes. Em geral, as suas posições são muito críticas. Segundo, por causa dos Talibãs e do que significa viver-se numa sociedade dirigida por gente que lê o Corão com os olhos do século VII. Também há alguma surpresa perante a maneira como se têm comportado até agora em Cabul. Mas atenção, uma das artes da nova liderança talibã é a de saber manejar a arte da duplicidade. Se há algo que seja novo nesta versão actual desses radicais é isso, essa maneira de saber trabalhar politicamente com o engano.

Os europeus face ao novo Afeganistão

Emmanuel Macron, Josep Borrell e outros líderes europeus vêem na situação afegã duas dimensões essenciais: a necessidade de proceder à evacuação dos europeus e dos afegãos que estiveram ligados às actividades da UE no país; e o risco de novos fluxos migratórios em direcção à Europa. Borrell vai um pouco mais longe e fala de ajuda humanitária, sem que se perceba bem como será possível fornecer apoio humanitário sem passar pelo poder talibã e pela apropriação que estes farão de tal ajuda.

Esta é uma maneira curta de ver o que está a acontecer no Afeganistão. A realidade e as lições a tirar são muito mais complexas. Mais ainda, o xadrez estratégico naquela parte do mundo – e não só – mudou radicalmente desde domingo. Essa questão e as violações dos direitos humanos que o novo regime irá praticar são duas das maiores dimensões a ter em conta.

O desespero como resultado final

As imagens de hoje, que mostram centenas de afegãos agarrados a um avião militar norte-americano prestes a levantar voo, não serão jamais esquecidas. Resumem, no seu dramatismo, o que ficará para a História, quando se falar das duas décadas de intervenção ocidental no Afeganistão. Os sacrifícios de muitos militares, o sofrimento de milhares de famílias, os biliões gastos, a incompetência e a corrupção de muitos políticos não serão nunca minimizados. Não será possível varrer tudo isso para debaixo do tapete da memória. Mas, o desespero de quem se agarrou ao avião diz tudo, passado, presente e futuro.

 

Ashraf Ghani

Ashraf Ghani foi hoje forçado a abandonar a presidência do Afeganistão. A queda do seu regime tem um significado enorme, não apenas para a história do seu país como também para a maneira como as democracias ocidentais intervêm nos conflitos de outros povos, com outras culturas e em contextos geoestratégicos profundamente complexos. Vai ser preciso reflectir sobre tudo isso, nos próximos dias.

Entretanto, quero aqui lembrar que passei uns dias com Ashraf Ghani, em 2005, em Long Island, a uma hora de carro de Nova Iorque, num retiro organizado para altos quadros da ONU. Ghani havia deixado de ser ministro das finanças recentemente. Nessa qualidade, e por ser um antigo colega do Banco Mundial e das Nações Unidas, foi convidado a participar nas nossas discussões geopolíticas e a partilhar connosco a sua visão sobre o futuro do Afeganistão.

A imagem que me ficou na memória, ao longo de todos estes anos, lembra-me que se tratava de uma pessoa afável e, acima de tudo, de um sonhador que falava pelos cotovelos e com os pés pouco assentes na terra. Organizações como a ONU gostam de gente faladora, que atira ideias às rajadas, e nem sempre se apercebem que a conversa esconde uma grande ausência de realismo e de capacidade de ouvir os outros. Ghani era uma figura idolatrada, por tudo isso e porque o Afeganistão estava no topo da agenda.  

Não quero aqui fazer o balanço dos seus anos na presidência. Fica apenas o registo da sua saída em fuga.

E também uma palavra de precaução em relação aos políticos que falam sem parar e imaginam realidades que não são consistentes com o quotidiano das pessoas.

Biden e o seu lugar na história

A história que perdura nas memórias colectivas é feita de frases curtas. Quando se fala de personagens que marcaram o passado, há sempre uma referência breve que liga o nome a um facto determinante. Por exemplo, o Imperador Nero ficou conhecido como o incendiário de Roma. O Infante Dom Henrique, como o Navegador, embora nunca tenha embarcado num qualquer navio que se tenha feito aos mares. O nome de Estaline aparece ligado aos goulags da Sibéria. Mais perto de nós, Passos Coelho ficará para sempre associado à troika. E agora, Joe Biden arrisca-se a ser lembrado por causa da catástrofe política e humanitária que está a acontecer no Afeganistão. Biden irá rimar com abandono. Assim entrará na história, com esse rótulo infame. Sim, abandono dos progressistas afegãos, das mulheres e raparigas afegãs, com o abandono de um governo que, por muitos problemas que possa ter, sempre representa a parte melhor da nação afegã. Não é apenas uma questão de derrota das tropas ocidentais, das americanas e das aliadas no seio da NATO. É o deixar chegar ao poder gente que não pertence ao século XXI.

O Afeganistão que sofre

O que está a acontecer no Afeganistão é inaceitável e elucidativo.

Inaceitável porque não se pode deixar o país cair de novo nas mãos sanguinárias e primitivas dos Talibãs. Todos sabemos o que significa ter esses fanáticos no poder. A comunidade internacional não pode, de modo algum, aceitar os Talibãs como líderes do Afeganistão.

Elucidativo, por revelar as fragilidades da Aliança Atlântica, a subordinação absoluta aos interesses norte-americanos, o egoísmo político da grande potência e a pobreza estratégica dos dirigentes do mundo ocidental.

A teoria de que uma guerra só deve servir para abrir, tão cedo quanto possível, uma via de solução política foi uma vez mais esquecida. Com isso, sofrem os que combatem, os civis e todos aqueles que vêem os seus direitos serem pura e simplesmente espezinhados.

O Alentejo sabe o valor das pessoas

Tinha uma velha carteira em couro que precisava de ser cosida, pois tinha rebentado pelas costuras. Há anos. Na Bélgica primeiro, depois em Lisboa, sempre sem conseguir encontrar alguém que pudesse fazer o trabalho. Já não se encontram artesãos do couro, por muito que se procure.

Com excepção da província, do Alentejo profundo. Aqui em Ferreira do Alentejo, pedi a alguém, que sabe quem sou, se haveria um sapateiro ou artesão similar que me pudesse ajudar. Havia, sim senhor. O homem já não vive do conserto dos sapatos – agora todos calçam chinês e deitam fora, quando se estraga –, tem outras ocupações, mas estava disposto a fazer o trabalho, ao fim de um dia de labuta na plantação de vinha que o faz viver.

E assim foi. A carteira ficou reparada a preceito. E o homem não quis ser remunerado. Achou que era uma honra fazer esse trabalho para um antigo alto quadro da ONU.

Fiquei a pensar que por aqui vive-se num mundo diferente, em que a honra conta e vale muito. Certamente mais do que a minha velha carteira e do que muitos políticos pensam valer.

Energia solar

O ministro do Ambiente revelou hoje que Portugal produz menos energia de origem solar do que o cinzento Reino Unido. Mas não disse quem deve acarretar com a culpa. Nem explicou as razões de um tal atraso. Comprometeu-se, no entanto, com uma aceleração do programa de produção de energia solar. Falta ver os pormenores, para que se possa entender a seriedade de um compromisso assim.

 

A crise do ambiente e do clima

O relatório das Nações Unidas – Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) – que acaba de ser publicado mostra claramente que estamos numa situação de grande crise climática. A comunicação social deveria organizar um debate regular sobre as principais conclusões do relatório. É verdade que lhe deu a relevância que merece. Mas a partir de agora e até à COP26 em Novembro, que decorrerá em Glasgow, é fundamental que as atenções continuem focalizadas nas questões do clima, do ambiente e do que é preciso fazer para evitar uma catástrofe de enormes consequências.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D