Portugal é grande quando abre horizontes

23
Mar 10

 

Jantei com o Eduardo e a Jirina, a meio quilómetro de casa, um casal extraordinário, luso-checo. Como sobremesa, ofereceram-me um livro de poemas do Eduardo, ilustrado pela Jirina, um presente de grande beleza, muito delicado, como todas as obras de amor.

 

Deu para esquecer o longo discurso que fizera, esta tarde, aos polícias e aos gendarmes do Chade, na parada da Academia de Polícia, um rio de palavras vindas da emoção de ter trabalhado muito estreitamente com estes homens e mulheres muito corajosos. O que não me impediu de lhes pedir que conduzam os veículos da polícia mais devagar. É que são peritos em causar acidentes. Só hoje, entre o nosso campo e a Academia, meia dúzia de quilómetros, conseguiram espatifar dois dos novos todo-o-terreno que lhes havíamos dado. No Leste, ao lado de cada comissariado existe um pequeno cemitério de viaturas acidentadas, que os meus gendarmes, aqui nesta terra, têm o pé pesado e a cabeça leve.

 

Deu também para pôr de lado as longas discussões diplomáticas do dia, em que se discutiu o futuro da missão de manutenção de paz. Devo acrescentar que a linguagem do governo evoluiu bastante. Talvez seja um sinal positivo. Isto de linguagem de governos é sempre difícil de interpretar. Mas certas palavras, quando deliberadamente escolhidas, são setas, com mensagens que vão direito ao alvo. Há Sol, depois de tantos dias de tempestade de areia. Esta é a verdade.

 

Hoje foi um dia tão cheio e variado que até acabei por discutir vestuário, apresentações, saias e calças, escolhas, decisões, a melhor maneira de se apresentar quando o momento é de grande significado. É que a roupa, o estilo, a cor e a escolha desta ou daquela peça têm muito simbolismo. E, nós, os velhos diplomatas, vivemos à volta de símbolos. Passamos horas a bater com a cabeça nas paredes, para tentar perceber o valor de um casaco, a leitura a dar à cor de um vestido, a relevância de uma saia, o significado de um fato.

 

Felizmente que alguns dos nossos deputados, em S. Bento, vão para o Parlamento como se fossem às favas.

publicado por victorangelo às 21:30

Depois de tanto sofrimento, se é que faço uma leitura correcta do seu texto, direi que está mais sereno. O senhor desculpe, mas "vão para o parlamento como se fossem às favas"... :)
Sara a 23 de Março de 2010 às 22:50

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