Portugal é grande quando abre horizontes

09
Abr 10

 

As eleições que começam no Domingo no Sudão não podem deixar os responsáveis da comunidade internacional indiferentes. O Sudão é o maior país de África, faz fronteira com vários Estados importantes, incluindo a Etiópia, a Eritreia, o Uganda, o Congo de Kinshasa, e o Chade, é atravessado pela linha de fractura entre a África muçulmana e a banto, e tem um Presidente, Omar al-Bashir, que é procurado pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra e contra a humanidade.

 

As principais características destas eleições são as seguintes:

 

1. Uma farsa; todo o processo eleitoral tem sido conduzido sem que qualquer atenção tenha sido dada às regras básicas que devem presidir à preparação de eleições minimamente correctas.

 

2. Uma tragédia; a população sudanesa vai sair destas eleições mais dividida e com os conflitos cívicos agravados.

 

3. Um factor de instabilidade; as eleições vão criar mais focos de guerra na região, quer internamente quer na vizinhança.

 

4. Uma ironia; estas eleições foram impostas ao Sudão pela comunidade internacional, quando o acordo de paz entre o Norte e o Sul Sudão foi assinado, em 2005; ninguém, no Sudão, via a necessidade de organizar eleições em 2010, quando vai haver, em Janeiro de 2011, um referendo sobre a divisão do país em dois Estados distintos; mas, o Ocidente não quis ouvir e exigiu eleições presidenciais, gerais, etc, em 2010, antes do referendo; só que estas eleições vão tornar o referendo ainda mais difícil de concretizar.

 

5. Uma UE sem prestígio nem influência; Bruxelas não tem qualquer tipo de peso no processo sudanês, embora tenha um Representante Especial para o Sudão, que anda a navegar à deriva, por falta de directrizes claras dos senhores da União.

 

Penso que é importante que se fale nestas coisas.

publicado por victorangelo às 21:39

É sem dúvida fundamental que o faça quem tem a informação e sobretudo a oportunidade de contribuir de forma séria e desinteressada para o debate sobre a necessidade de rever posições e exigências ocidentais.
À frente de uma missão especial UESSR de quase 2 anos (para a Reforma do Sector de Segurança e Defesa na Guiné-Bissau), a única coisa que o seu responsável conseguiu dizer após o mais recente golpe de Estado por militares (após diversos outros desde 2008, mais ou menos encapotados, e o assassinato de um Presidente, um CEMGFA, 2 deputados, etc) é que "...os actos do dia 01 de Abril de 2010 foram criminosos", e "Infelizmente, após dois anos a trabalhar na Guiné-Bissau, para mim é a primeira vez que a instituição militar está envolvida num problema " (!!). Terá estado a trabalhar num país diferente com o mesmo nome?
E o representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau que considerou sem mais (apenas ontem, uma semana depois) a intervenção dos militares guineenses no dia 01 de Abril de 2010 de "anticonstitucional" e afirmou placidamente que soldados violaram as instalações da ONU em Bissau para de lá retirar o ex-Chefe da Marinha, lá refugiado desde Dezembro, terá estado no tal país de fantasia também?
Enquanto a comunidade internacional aceita sem crítica que os titulares dos órgãos de soberania (PM e PR) negoceiem sabe Deus o quê com os cabecilhas e afirmem que tudo está bem, que a prisão às mãos destes do CEMGFA e as bofetadas ao PM (além da ameaça de imediatamente o executar, que correu as TVs do mundo) foram mero incidente entre militares?!
Pelos vistos, não é só nos seus desertos que há muita areia: a que há na Guiné-Bissau chega e sobra para que continuem a querer enterrar-nos nela a cabeça.
Anónimo a 10 de Abril de 2010 às 14:18

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