Portugal é grande quando abre horizontes

21
Abr 10

No quadro dos Dias do Desenvolvimento, participei hoje na discussão sobre Media, Cidadania e Desenvolvimento. O IPAD, o organismo público que se ocupa da cooperação, é o grande patrocinador destas jornadas. Várias entidades, sobretudo ONGs, aproveitam a oportunidade para expor o que fazem. A antiga FIL é o local de acolhimento da iniciativa.

 

A discussão sobre os media teve como motor a ACEP, a Associação para a Cooperação entre os Povos, uma ONG com um passado credível.

 

Na minha interevenção mencionei que a fronteira entre o jornalismo profissional e o dos cidadãos está a precisar de ser repensada. Hoje existem, no mundo, segundo uma estimativa com um certo fundamento, 115 milhões de blogs. Um número impressionante. O país que proporcionalmente mais bloga é a Coreia do Sul. Se apenas 1% dos blogs do globo se ocupasse de questões políticas próximas das relações internacionais e do desenvolvimento, estaríamos a falar de mais de um milhão de blogs. Muitos desses bloggers estão mais perto e mais por dentro dos acontecimentos que os jornalistas. São, por isso, uma fonte inesgotável e indispensável de informação. Nem tudo o que dirão fará sentido, mas haverá muito que pode ser aproveitado.

 

Neste contexto, que papel deve assumir o jornalista profissional?

 

 

publicado por victorangelo às 23:20

Caros Vitor Angelo e Lírio do Campo,
Se considero de grande actualidade a reflexão lançada, permito-me "deitar alguma água na fervura" do Lírio do Campo: é certo que a isenção e objectividade editoriais são muitas vezes colocados em questão pelos interesses empresariais, seja através de "orientações" dadas a jornalistas mais inexperientes, seja por omissão, "tabú", tratamento parcial ou mais ou menos tendencioso.
Também é certo que a deontologia profissional - nos jornalistas como noutras classes - é valor com pouca cotação de mercado.
Choca-me contudo que o jornalista que tal se intitula esqueça um mandamento fundamental do seu trabalho - a confirmação por todos os meios ao seu dispor da veracidade daquilo que publica, através de um trabalho sistemático de cruzamento de todas as fontes passado sempre pelo crivo da sua crítica objectiva. O afã de chegar mais depressa ao prime time e a facilidade de acesso a múltiplas fontes de que hoje dispõe não podem justificar a overdose informativa acrítica - que bem martelada se torna verdade incontestada.
Mais uma vez vou buscar um exemplo - muito - recente à Guiné-Bissau: enquanto um blogger local (o Aly Silva, da Ditadura do Consenso: http://ditaduradoconsenso.blogspot.com/
que não se assume como jornalista para não perder a sua capacidade de se indignar), reportava quase em directo o que se passava no dia 1 de Abril e seguintes abrindo pistas importantes para o que estava em questão, jornalistas correspondentes residentes deixaram-se manipular/manipularam indecentemente a informação que lhes foi sendo oferecida. Na ânsia dos segundos de fama que um "directo da guerra" lhes poderia granjear, literalmente falando para o mundo sem qualquer contenção crítica caucionaram pela insistência e repetição uma versão dos factos (nomeadamente um suposto "apoio popular") muito além da realidade. Que não duvido teve influência decisiva no modo como reacções internacionais imediatas foram pronunciadas, ao mais alto nível.
Todos aqueles que já andaram pelas redacções de jornais conhecem anedotas de "correspondentes de guerra" (alguns directos da guerra civil em Angola para a RDP foram feitos de minha casa em Luanda, o correspondente com o telemóvel numa mão e um copo de whisky na outra quando os editores insistiam em "encher chouriços" e nada se passava...), para não falar já nas vergonhosas montagens de "salvamentos" explorando circunstâncias dramáticas. Mas quando em Março de 2009 o repórter brandia na RTP a catana ensanguentada com que tinha sido esquartejado o Presidente Nino Vieira, conspurcando as provas físicas no local do crime a que o Ministério Público não tinha ainda tido acesso, ou um ano depois fazia um angulo fechado para visualmente multiplicar os escassos populares arregimentados por sms para se manifestarem em frente à Primatura, e ninguém de bom senso o chama à razão, alguma coisa não está a bater certo - e não são apenas os interesses das empresas de comunicação e os seus negócios de milhões.
Anónimo a 23 de Abril de 2010 às 17:35


Este comentário é muito elucidador, muito válido, tem a vantagem de falar de experiências concretas. Fico certamente muito agradecido. Enriquece a discussão, abre as portas para outras reflexões. Muito obrigado. VA

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