Portugal é grande quando abre horizontes

09
Jun 10

Certos senhores, aqui entre nós, pensam que não se deve falar todos os dias da crise. Que nos estamos a transformar num muro de lamentações, a cultivar a crítica e o pessimismo, a não pensar no lado positivo das coisas. Que não vemos o valor que cada décima estatistíca tem, em termos de crescimento da economia e de boa política.

 

Esses senhores não conhecem, de facto, a crise. Ocupam posições sólidas, vivem com desafogo, gostam do que é bom e bonito.

 

Compreendo que os incomode que se fale de quem sofre, do desemprego, das dificuldades dramáticas em que muitas famílias se encontram, dos pequenos empresários que já nem sabem por que razão mantêm as portas abertas, do pavor que representa uma taxa de juro em alta.

 

Em África e noutros países de grande miséria encontrei, igualmente, gente assim. Achavam mal quando se lhes falava da luta contra a pobreza, da falta de condições em que viviam a maioria das famílias. Do estado alarmante da saúde pública. Acusavam-nos de navegar e pescar nas águas do pessimismo. De termos uma postura estruturalmente negativa. De viver à custa de relatórios alarmistas. Nalguns casos, chegavam a acusar-nos de falta de respeito pelo país em causa. (São senhores que gostam de cavalgar no patriotismo arrebatado).

 

Mas a crise não precisa de vuvuzelas para se fazer ouvir.

 

 

publicado por victorangelo às 20:27

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