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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

O meu texto da semana na Visão

Na revista que esta nas bancas:

 

Rumos extremos

 

Esta é uma crónica com vistas largas. Escrevo-a em Stavanger. Estou alojado na torre mais alta desta cidade da costa ocidental da Noruega. Vejo o fiorde, as montanhas, o lago, e tenho, à minha frente, uma cidade que se mostra próspera e serena. A imigração, que salta à vista em Oslo e incomoda muita gente, é aqui discreta, presente apenas num ou outro pequeno comércio e pouco mais. Os empregos existentes na região, à volta do petróleo, exigem uma mão-de-obra muito qualificada, o que está para lá do que um imigrante recente, vindo da Somália ou do Iraque, pode oferecer. 

 

Lembro-me do assassino louco de Oslo. Ter-se-ia provavelmente sentido mais tranquilo, se tivesse vivido nesta terra, que tem um carácter profundamente norueguês. O resto do mundo parece estar muito longe, noutro planeta, como se fosse apenas um mercado que convém manter aberto mas à distância.

 

Na verdade, os extremistas políticos têm uma posição ambígua em relação à globalização. É considerada boa quando possibilita colocar as suas mercadorias nos quatro cantos do mundo. Ou quando lhes permite voar, livremente, para destinos exóticos. É péssima quando são os outros a conquistar os nossos mercados ou a emigrar para o nosso canteiro. Assim pensam os movimentos radicais, pela Europa fora. Os europeus habituaram-se a dar cartas, na arena internacional. Não conseguem imaginar um xadrez diferente, em que o jogo das relações económicas entre estados seja mais equilibrado. Nem querem entender o impacto da China, da Índia e de outros países emergentes na nova distribuição do poder económico ao nível mundial.

 

Com a aceleração da globalização temos assistido à expansão das ideias extremistas, em vários países europeus. É mais fácil propor o fecho de fronteiras e a criação de barreiras, que de pouco ou nada servirão, do que preparar os nossos jovens para competir num mundo mais complexo. Como também poderá ser mais expedito acusar os outros, como causa de todos os males, sobretudo do crescimento do desemprego e da estagnação, do que procurar novas alternativas, que tenham em conta que o Bangladesh e os demais não vão pedir licença para entrar no mercado mundial.

 

Os líderes políticos progressistas, por seu turno, não têm sabido responder ao discurso ultranacionalista. Continuam a alimentar a ilusão de que apesar da globalização, tudo poderá continuar na mesma, que será possível, com uma política de “esquerda”, manter regalias e sistemas sociais que só foram possíveis num mundo menos igual. Ou seja, em vez de sublinharem a necessidade de mudança, insistem numa continuidade que não tem futuro. Criam ilusões e os tiros saem-lhes pela culatra.

 

A continuarmos na mesma via, sem confrontar os factos, sem preparar os cidadãos para uma economia baseada no conhecimento, vamos encontrar-nos, a médio prazo, numa Europa fechada sobre si própria, dividida e refugiada em preconceitos nacionalistas. Numa Europa em crise profunda, com milhões de desempregados sem qualificação profissional adequada. A título de exemplo, a empresa de consultoria McKinsey acaba de publicar um estudo que mostra que em França, no ano 2020, poderemos ter 2,3 milhões de pessoas desempregadas e, em simultâneo, 2,2 milhões de empregos tecnologicamente avançados disponíveis, sem candidatos franceses para os preencher. Factos como este serão terreno fértil para os movimentos como o de Marine Le Pen ou de Geert Wilders, na Holanda.

 

Olho novamente para o fiorde e os seus múltiplos meandros. Concluo que navegar nestas águas deve ser bem complicado.

 


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