Portugal é grande quando abre horizontes

01
Set 12

Depois de bater com o nariz na porta de vidro da entrada P-2 do Corte Inglês, tendo ficado atordoado e febril durante umas horas, que a porta finge que se abre, mas são apenas as laterais que o fazem, prometi que nos próximos dias deixaria de me encontrar com os amigos que se sentem deprimidos, que apenas falam da crise, do governo, dos pulhas dos partidos, da política e da comunicação social, e do pessimismo que os anima. É que isso me deixa taciturno e me faz esquecer as portas que nunca se abrem. 

 

Para meu azar, logo pela manhã, a primeira coisa que fiz foi descer ao rés-do-chão para comprar o jornal, e sou apanhado numa discussão sobre o estado da justiça. Uma mulher de aspecto simples queixava-se alto e bom som da falta de justiça, com um caso pendente contra o ex-marido que nunca mais se resolve. A empregada da papelaria vira-se então para mim e pergunta: o senhor está de acordo, não é verdade, que a justiça no nosso país é apenas uma fachada e só serve para os ricos? 

 

Saí de lá pronto a bater com o nariz noutra porta de vidro invisível. Ou, dito de outro modo, é mesmo difícil não andar a bater com a cabeça nas paredes de vidro.

publicado por victorangelo às 20:29

El Corte Inglês? Estamos muito burgueses... Não admira que tenha dado com o nariz na porta... :-)
Anónimo a 3 de Setembro de 2012 às 12:41

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