Portugal é grande quando abre horizontes

24
Nov 12

Conhecer a história é importante para compreender o presente e perspectivar o futuro. Mas a história faz parte do passado. Aconteceu noutros tempos, noutras circunstâncias. Não se irá repetir nem é um objectivo a atingir. Seria um erro pensar que o futuro deve ser construído à volta do que historicamente fomos.

 

Sou contra os saudosistas e os nostálgicos das grandezas de outrora.

 

O verdadeiro desafio, agora, é pensar no futuro tendo em conta as novas realidades, os contextos que se prevêem para amanhã. Há que estar atento às mudanças que estão a ocorrer, um pouco por toda a parte. No mundo de hoje, a única constante é a mudança acelerada das realidades sociais e económicas.

 

Neste contexto, pensar em Portugal com os modelos de quarenta anos atrás é, simplesmente, uma aberração. E um erro, com um preço elevado. 

publicado por victorangelo às 17:52

Quais foram as grandezas de outrora? O Império? Uma dúzia de famílias aristocráticas que construiram uns palácios, será essa a nossa grandeza passada?
Em 1900 a Suécia tinha UM por cento de analfabetos e não me consta que tivessem um império colonial. Segundo Filomena Mónica, em 1930 em Portugal essa taxa era de OITENTA por cento. Já não lembro quem foi que disse que, no final das contas, Portugal foi o único país Europeu que não retirou vantagens da aventura colonial. Também ouvi um historiador na TV dizer que 50 anos após o descobrimento do caminho das Índias o lucro deste comércio se destinava ao pagamento de juros sobre empréstimos para importação de bens de luxo. Nunca ouvira isto antes pelo que não sei se será verdade mas não me admirava se fosse. Cá pra mim é qualquer coisa na água ou herança de romanos, judeus e árabes e seus delírios, o gosto pelo que brilha e é pomposo, o hábito do pensamento mágico: 2 + 2 são 22.
P a 24 de Novembro de 2012 às 19:21

Bem observado, embora com uma certa tristeza, que mal se esconde por detrás da ironia...

Obrigado.

VA
victorangelo a 25 de Novembro de 2012 às 20:07

As nostalgias não nos levam a lado nenhum, em especial se forem relativas a feitos dos quais teimamos em manter uma visão deturpada e cor-de-rosa quase a lembrar os regimes totalitários.
Mais importante é ir conhecendo devidamente a história de modo a não voltar a cair nos mesmos erros. Repare-se no caso do mercantilismo de há séculos atrás cujos erros seriam lições importantes nos mercados de comercio mundial de hoje.

VascoB. a 25 de Novembro de 2012 às 00:06

Apoio e assino por baixo.

Obrigado.

VA
victorangelo a 25 de Novembro de 2012 às 20:08

Vem o seu texto lembrar-mos que “Nenhuma cousa se pode prometer à natureza humana mais conforme ao seu maior apetite, nem mais superior a toda a sua capacidade, que a notícia dos tempos e sucessos futuros; e isto é o que oferece a Portugal, à Europa e ao Mundo esta nova e nunca vista história. As outras histórias contam as cousas passadas, esta promete dizer as que estão por vir; as outras trazem à memória aqueles sucessos públicos que viu o Mundo; esta intenta manifestar ao Mundo aqueles segredos ocultos e escuríssimos que não chega a penetrar o entendimento” Padre António Viera – A História do Futuro.
E esta é na realidade a nossa (a de Portugal) sujeição à história e ao futuro, num encontro universal dos tempos, onde não se encontra nem o principio nem o fim.
Por outras palavras, e afirmando a liberdade do homem no seu livre arbítrio, o futuro está traçado a partir do passado, com o qual se confunde.
Os tempos recentes mostram que as espirais dos movimentos dos tempos e dos povos se aproximam perigosamente promovendo o perigo em que vivemos.
Dos avanços do oriente milenário longinco, da barbárie alemã próxima, à implosão espanhola vizinha, movimentos se aproximam que irão por fim a estes 67 anos de aparente paz na Europa.
Por isso, devemos olhar para a história e estudando-a evitar que as situações de elevada perda civilizacional se repitam.
Na Europa do sul, Mediterrânica e Atlântica, a situação repete-se, quando se deixa entrar nos nossos muros esses inimigos, que nos surgem como protectores de um mal que eles próprios personificam.
Também hoje a “a bárbara ferocidade surge mansa”, como relatava Agostinho, na De civitate Dei, I, 7, quando se referia ao Saque de Roma de Agosto de 410.
Por isso, temos que impor que a Europa civilizacional, a Europa Mediterrânica e Atlântica, seja de novo o continente que dirige a civilização humana. Esta é a afirmação dramática que os homens que têm o dever de pensa, devem fazer a si próprios e aos outros.
A Europa tem novamente que dominar a política espiritual e económica do mundo.
E, como dantes, dominar politicamente através das suas instituições políticas. espiritualmente através de tudo quanto a Europa produziu com o seu espírito no decurso dos séculos. Economicamente porque é o único continente sólido na sua presença no mundo.
E, em todos estes aspectos surge de especial importância, relevância e dinamismo a nosso País, Portugal, e o nosso Povo, os Portugueses.
Portugal é grande em todo o mundo. É uma evidência com que todos concordamos e que eles, os não civilizacionais, invejam e cobiçam.
Temos que retomar o leme da civilização universal, que é o mesmo que dizer o leme da civilização latina, e tal só é possível com base nos alicerces do passado.
Por isso, o futuro será construído à volta do que historicamente somos, o passado e o futuro confundem-se num só.
Não é uma posição de saudosismo ou nostalgia das grandezas de outrora. É afirmar que essa grandeza continua no futuro tendo em conta as novas realidades, que enfim são uma variante das do passado.
E as mudanças que estão a ocorrer, um pouco por toda a parte, são de quantidade e não de qualidade. No mundo de hoje, a única novidade é a escala da mudança, que surge acelerada das realidades sociais e económicas. Nos povos, os elementos no palco, são os mesmos e surgem com as mesmas ambições, invejam e raivas.
Neste contexto, não é pensar em Portugal com os modelos de quarenta anos que foram em si maus porque os autores nesses modelos pensaram como parece quer pensar.
É pensar Portugal com um modelo de um hoje de 850 anos, que tem a sua génese num modelo presente latino de três milénios.
O futuro é nosso.
LFBT a 25 de Novembro de 2012 às 05:15

Caro Amigo L

No seu texto, há muito pano para mangas...

A visão que propõe não parece ter em conta que no mundo de hoje, este onde agora vivemos, não o do tempo do Império Romano, existem outros centros de poder para além da Europa, que não podem ser ignorados nem aceitam a ideia de que a Europa tem que continuar a ter uma posição hegemónica.

Perante as novas realidades, a noção de países amigos e de inimigos tem que ser inteiramente revista. Esta é apenas uma das dimensões que os desafios de hoje e do futuro nos apresentam.

Mas estou de acordo que o futuro vem na linha do passado. O problema é que a história do nosso passado mostra que nós temos estado a perder peso e influência há séculos.

Apesar das diferenças de vistas, gostei imenso de o ler e de poder beneficiar da sua visão muito única e culta das coisas do nosso mundo.

Muito obrigado.

VA
victorangelo a 25 de Novembro de 2012 às 20:37

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