Portugal é grande quando abre horizontes

24
Nov 12

Conhecer a história é importante para compreender o presente e perspectivar o futuro. Mas a história faz parte do passado. Aconteceu noutros tempos, noutras circunstâncias. Não se irá repetir nem é um objectivo a atingir. Seria um erro pensar que o futuro deve ser construído à volta do que historicamente fomos.

 

Sou contra os saudosistas e os nostálgicos das grandezas de outrora.

 

O verdadeiro desafio, agora, é pensar no futuro tendo em conta as novas realidades, os contextos que se prevêem para amanhã. Há que estar atento às mudanças que estão a ocorrer, um pouco por toda a parte. No mundo de hoje, a única constante é a mudança acelerada das realidades sociais e económicas.

 

Neste contexto, pensar em Portugal com os modelos de quarenta anos atrás é, simplesmente, uma aberração. E um erro, com um preço elevado. 

publicado por victorangelo às 17:52

Vem o seu texto lembrar-mos que “Nenhuma cousa se pode prometer à natureza humana mais conforme ao seu maior apetite, nem mais superior a toda a sua capacidade, que a notícia dos tempos e sucessos futuros; e isto é o que oferece a Portugal, à Europa e ao Mundo esta nova e nunca vista história. As outras histórias contam as cousas passadas, esta promete dizer as que estão por vir; as outras trazem à memória aqueles sucessos públicos que viu o Mundo; esta intenta manifestar ao Mundo aqueles segredos ocultos e escuríssimos que não chega a penetrar o entendimento” Padre António Viera – A História do Futuro.
E esta é na realidade a nossa (a de Portugal) sujeição à história e ao futuro, num encontro universal dos tempos, onde não se encontra nem o principio nem o fim.
Por outras palavras, e afirmando a liberdade do homem no seu livre arbítrio, o futuro está traçado a partir do passado, com o qual se confunde.
Os tempos recentes mostram que as espirais dos movimentos dos tempos e dos povos se aproximam perigosamente promovendo o perigo em que vivemos.
Dos avanços do oriente milenário longinco, da barbárie alemã próxima, à implosão espanhola vizinha, movimentos se aproximam que irão por fim a estes 67 anos de aparente paz na Europa.
Por isso, devemos olhar para a história e estudando-a evitar que as situações de elevada perda civilizacional se repitam.
Na Europa do sul, Mediterrânica e Atlântica, a situação repete-se, quando se deixa entrar nos nossos muros esses inimigos, que nos surgem como protectores de um mal que eles próprios personificam.
Também hoje a “a bárbara ferocidade surge mansa”, como relatava Agostinho, na De civitate Dei, I, 7, quando se referia ao Saque de Roma de Agosto de 410.
Por isso, temos que impor que a Europa civilizacional, a Europa Mediterrânica e Atlântica, seja de novo o continente que dirige a civilização humana. Esta é a afirmação dramática que os homens que têm o dever de pensa, devem fazer a si próprios e aos outros.
A Europa tem novamente que dominar a política espiritual e económica do mundo.
E, como dantes, dominar politicamente através das suas instituições políticas. espiritualmente através de tudo quanto a Europa produziu com o seu espírito no decurso dos séculos. Economicamente porque é o único continente sólido na sua presença no mundo.
E, em todos estes aspectos surge de especial importância, relevância e dinamismo a nosso País, Portugal, e o nosso Povo, os Portugueses.
Portugal é grande em todo o mundo. É uma evidência com que todos concordamos e que eles, os não civilizacionais, invejam e cobiçam.
Temos que retomar o leme da civilização universal, que é o mesmo que dizer o leme da civilização latina, e tal só é possível com base nos alicerces do passado.
Por isso, o futuro será construído à volta do que historicamente somos, o passado e o futuro confundem-se num só.
Não é uma posição de saudosismo ou nostalgia das grandezas de outrora. É afirmar que essa grandeza continua no futuro tendo em conta as novas realidades, que enfim são uma variante das do passado.
E as mudanças que estão a ocorrer, um pouco por toda a parte, são de quantidade e não de qualidade. No mundo de hoje, a única novidade é a escala da mudança, que surge acelerada das realidades sociais e económicas. Nos povos, os elementos no palco, são os mesmos e surgem com as mesmas ambições, invejam e raivas.
Neste contexto, não é pensar em Portugal com os modelos de quarenta anos que foram em si maus porque os autores nesses modelos pensaram como parece quer pensar.
É pensar Portugal com um modelo de um hoje de 850 anos, que tem a sua génese num modelo presente latino de três milénios.
O futuro é nosso.
LFBT a 25 de Novembro de 2012 às 05:15

Caro Amigo L

No seu texto, há muito pano para mangas...

A visão que propõe não parece ter em conta que no mundo de hoje, este onde agora vivemos, não o do tempo do Império Romano, existem outros centros de poder para além da Europa, que não podem ser ignorados nem aceitam a ideia de que a Europa tem que continuar a ter uma posição hegemónica.

Perante as novas realidades, a noção de países amigos e de inimigos tem que ser inteiramente revista. Esta é apenas uma das dimensões que os desafios de hoje e do futuro nos apresentam.

Mas estou de acordo que o futuro vem na linha do passado. O problema é que a história do nosso passado mostra que nós temos estado a perder peso e influência há séculos.

Apesar das diferenças de vistas, gostei imenso de o ler e de poder beneficiar da sua visão muito única e culta das coisas do nosso mundo.

Muito obrigado.

VA
victorangelo a 25 de Novembro de 2012 às 20:37

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