Portugal é grande quando abre horizontes

15
Fev 13

Continua a não haver debate público sobre as questões de segurança nacional. E continua a confundir-se defesa com segurança nacional, quando a defesa é apenas um elemento da questão. E continua a falar-se de reforma da defesa e dos militares, sem se saber bem quais são as ameaças a que os militares devem responder e qual é o seu papel na projecção externa de Portugal. Ou seja, andamos a cavalgar a montada sem saber exactamente para que serve o cavalo e para onde deve ir. 

 

Hoje, um senhor antigo militar escreve no Diário de Notícias que a defesa nacional é a primeira razão de ser do Estado. E cita o velho General de Gaulle, que em 1952 terá dito isso, sem pestanejar. Pode ser verdade que o tenha dito, mas creio que também é muito possível que de imediato lhe tenham respondido que não é bem assim. Se existisse uma razão primeira para o aparecimento do Estado, essa razão seria a da legitimação do poder de alguns sobre todos os outros. O Estado foi uma criação da elite para fazer aceitar o seu domínio sobre os outros. Para que isso fosse mais facilmente aceite, oferecia em troca segurança, paz interna e justiça, primeiro, e depois, protecção contra o exterior.

 

Hoje, as questões da segurança e da paz, da justiça e da equidade são, na verdade, os pilares mais importantes de um Estado. A defesa, repito, é apenas uma componente da segurança.

 

publicado por victorangelo às 20:45

Certamente notou que o cerne do artigo que escrevi é a não utilização de parte dos recursos que supostamente a chamada "Reforma da Defesa" vai libertar em proveito das nossas muitas lacunas - as quais aliás são certamente do seu conhecimento, pelo menos algumas - mas, parecendo que não está muito certo da frase do "velho general" (na altura tinha 62 anos, só foi presidente com 69 e morreu com 79), aproveito para juntar link (um dos muitos onde a citação se pode encontrar): http://www.eleves.ens.fr/pollens/seminaire/seances/defense/polit-def.html

Defesa será certamente uma componente da segurança nos entendimentos de hoje e muito bem, não discordo de maneira nenhuma, mas quando tudo o resto falha (justiça, equidade, paz social) é ela a última barreira antes da destruição da sociedade e a primeira, se subsistir (!), a permitir o regresso à normalidade, às ditas justiça, equidade, e paz social. Por isso a afirmação do general me pareceu adequada ao momento e não por discordar do que afirma.

Quanto ao resto, embora haja documentos - classificados - que digam o que as FFAA devem fazer e quais as suas capacidades (Conceito Estratégico Militar - 2004), supõe-se que por orientação do poder politico que o aprovou e inserido na sua visão das nossas necessidades, hoje, trata-se de um documento teórico, já sem ligação com as reais capacidades militares nacionais.

Melhores cumprimentos.
Miguel Silva Machado
Miguel Silva Machado a 19 de Fevereiro de 2013 às 00:00

Fico muito grato pela sua atenção e pelo comentário que faz ao meu escrito. E também pelos esclarecimentos adicionais que agora partilha.

Lendo com cuidado o que hoje escreve, vejo mais pontos de acordo que de desacordo, na maneira como encaramos estas coisas. A única dúvida que tenho é a do sector da defesa “ser a última barreira antes da destruição da sociedade e a primeira, se subsistir (!), a permitir o regresso à normalidade, às ditas justiça, equidade, e paz social.” Creio que entendo o que esta a dizer. No entanto, na Europa que vivemos, já não será assim. Já não há “espaço” nem aceitação de soluções militares como resposta a crises nacionais profundas. Acreditar nisso é um erro. Nem na Grécia isso pode acontecer. E a Grécia, não tenhamos dúvidas, está numa crise generalizada.

Cumprimentos respeitosos,

VA
victorangelo a 19 de Fevereiro de 2013 às 16:52

Pois não me custa admitir que posso ter, a dois tempos, a capacidade de análise afectada pela depressão que por aqui se vive e pela profissão. Mas partilho a opinião de muitos por cá que o bom povo português, de quando em quando farta-se e as coisas podem mesmo descambar. Não o desejo de modo nenhum, antes bem pelo contrário, espero que a economia cresça e a tensão baixe.
As passagens episódicas que faço por uma capital (ainda) europeia, onde visito uma filha ali a trabalhar (mais uma), talvez me ajudem a limpar o pessimismo, mas infelizmente dura pouco, de regresso,vejo, sinto e muito, o descalabro a continuar.
Espero sinceramente que a razão esteja do seu lado, mas se estiver enganado...
Melhores cumprimentos e creia que continuarei a ler as suas (frequentes) abordagens à temática da Defesa/Segurança!

Senhor Cor.

Muito obrigado pela atenção e por este remate, que muito me impressiona pela sua honestidade. E, igualmente, pela leitura dos meus escritos.

Creio que ambos partilhamos as mesmas ambições para a nossa terra. É isso que une as gentes. E o diálogo construtivo, como aqui se faz, é que permite avançar com as melhores soluções .

Se passar por Bruxelas , terei imenso prazer em oferecer-lhe uma (ou mais) das boas cervejas de aqui. Basta avisar-me para o meu mail :

victor.angelo@sapo.pt

Será uma oportunidade para continuar a discussão

Respeitosamente,

VA
victorangelo a 20 de Fevereiro de 2013 às 21:27

Fico reconhecido com as suas palavras e a disponibilidade. No ano de 2012 aí estive em 3 ocasiões...agora, infelizmente, não prevejo, o motivo principal da minha deslocação mudou de cidade.
Seja como for, boa estadia, despeço-me com elevada consideração e, pela minha parte, agradeço o seu interesse e opinião nestas temáticas.
Miguel Silva Machado

Se por acaso vier por aqui, não hesite, por favor. Terei muito gosto.
VA
victorangelo a 21 de Fevereiro de 2013 às 20:41



Quanto à citação do Gen . De Gaulle , a minha dúvida não é sobre se ele disse isso ou não – claro que disse – mas sim sobre a validade da ideia que ele exprime.
victorangelo a 19 de Fevereiro de 2013 às 17:03

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