Portugal é grande quando abre horizontes

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Abr 13

Quando o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) me despachou, por quatro anos, para a República Centro-africana, em 1985, uma das dificuldades que encontrei, durante vários meses, foi a de conseguir reconhecer as caras, lembrar os nomes e as funções oficiais das muitas personalidades locais que ia encontrando, nas diversas reuniões e cerimónias públicas. Os apelidos eram-me, nessa altura, profundamente estranhos e a arte de identificar as feições da África Central não fazia ainda parte das minhas habilidades.

 

Assim, cada vez que encontrava alguém bem vestido, de fato e gravata, mas sem me poder lembrar do seu apelido nem do cargo, dizia sempre, pelo seguro, “Monsieur le ministre”.  O fulano ficava encantado e a partir daí podia ter-se uma discussão amena.

 

Também é verdade que com remodelações governamentais a toda a hora, com gente que servira, como ministro, na Corte do Imperador Bokassa e outros nos sucessivos governos, sem contar com os titulares em exercício, que o governo era numeroso, não era difícil de acertar. Para mais, se o cavalheiro ainda não fora ministro, o facto de andar de fato e gravata deixava entender que em breve acabaria por ser nomeado.


Em Portugal, com as mudanças na composição do governo a acelerarem-se, vai ser possível, na minha próxima visita ao país, e para jogar sem grande risco, começar a dizer, cada vez que apertar uma mão desconhecida a que corresponda uma gravata de seda, “ Muito prazer, Senhor Secretário de Estado…”

publicado por victorangelo às 21:04

Muito bem comparado.
Cumprimentos
Naçao Valente a 23 de Abril de 2013 às 21:16

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