Portugal é grande quando abre horizontes

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Ago 13

O drama dos fogos é, ao fim e ao cabo, o drama de populações rurais, de pequenos camponeses pobres. São eles que sofrem e perdem os seus parcos haveres. São as grandes vítimas. O fogo perpetua a miséria e o abandono.

 

Os senhores da política e do poder são agora gente urbana, que pouca ou nenhuma sensibilidade e afinidade têm, no que respeita a essas populações do campo minifundiário. Por isso não se lembraram dos incêndios quando era preciso tomar medidas de precaução. Preferem remediar, que prevenir não lhes vem à cabeça de meninos da cidade.

 

E remedeiam mal. Com o flagelo dos incêndios a ser uma constante de todos os Verões, não há corpos de bombeiros profissionalizados e treinados especificamente para este tipo de catástrofes. Continua a construir-se a luta contra os fogos na base dos voluntários, que são os grandes heróis, gente da classe pobre urbana a ajudar os pobres do campo. E não há meios suficientes, por muita que se diga o contrário.

 

Há também aqui um problema de gestão das florestas e dos matos, de ordenamento do território. Mas ninguém ouve falar da responsabilidade política dos ministros da agricultura e do ordenamento do território e do ambiente. Eles andam escondidos ou entretidos com outras coisas, enquanto a pequena economia rural arde. Só se pensa na administração interna. É, uma vez mais, a resposta a tomar a primazia em relação à prevenção. Ou seja, mais um exemplo de opções políticas ao avesso.

 

Isto é um inferno de governação e de políticos. 

publicado por victorangelo às 18:06

Muito bem vista a dissociação entre os governantes urbanos e o mundo rural.
Relativamente aos incêndios resta acrescentar que muitos dos "elegíveis" para os cargos de coordenação do ataque às chamas são gente inexperiente, que nunca esteve no terreno, e que insistem em colocar homens em locais onde é humanamente impossível atacar fogos e onde a única possibilidade é deixar arder. Por muito que lhes custe a entender.
VascoB. a 29 de Agosto de 2013 às 22:00

Um texto lúcido e assertivo. O problema fulcral é a falta de gestão da floresta. Há tempos ouvi um especialista da área dizer que é um dos sectores mais rentáveis da nossa economia. Também o ouvi afirmar que apresentou num gabinete governamental um estudo com a situação actual e com propostas de exploração racionais. Ouvi-o, ainda, dizer que o seu projecto caíu em saco roto. Dá a entender que os políticos desse sector, não sabem, não querem saber e têm raiva a quem sabe. De facto, apetece perguntar: onde é que eles estão?

cumprimentos
Naçao Valente a 29 de Agosto de 2013 às 22:51

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