A personalidade do ano 2019
Esta é a altura do calendário em que a famosa revista Time anuncia a “Pessoa do Ano”. Uma escolha deste tipo é quase sempre polémica. Nestas coisas, agradar a gregos e a troianos seria simplesmente impossível. Uma escolha é uma decisão, que recai sobre um e exclui muitos outros. Mas o veredicto anual da Time é notícia grande e tem muito significado. A pessoa escolhida é sempre alguém que teve ao longo do ano um grande impacto, quer positivo quer negativo, ou ainda, um impacto que não deixou ninguém indiferente. Há, quase sempre, muito espaço para controvérsia.Este ano a Time optou por Greta Thunberg. Em termos de influência, Greta mostrou claramente que a tem. Ela, mais do ninguém, marcou a agenda ambiental ao longo dos últimos 12 meses. E fê-lo com clareza e persistência, numa altura da vida – aos 16 anos de idade – em que as preocupações são, em regra geral, de outro tipo, como é aliás normal em pessoas tão jovens.
Greta transformou a sua tenra idade numa alavanca. Também, num sinal que nos faz pensar que as novas gerações vão produzir líderes muito determinados.
Numa outra perspectiva, que me parece igualmente importante, Greta Thunberg permitiu a todos os curtinhos da mioleira, reacionários e outras bestas ideologicamente puras, de direita e de esquerda, que por aí andam, sair da toca. Tem sido um revelar quotidiano, quer na comunicação social quer nas redes da internet, de todos os broncos que temos entre nós, incluindo nas nossas listas de “amigos virtuais”. Gente que olha para a jovem com olhos de demolir. Gente que se acha esperta demais para poder aceitar o fenómeno de massas que Greta representa. Pessoas que fazem do sarcasmo a sua maneira de estar na vida.
Não sei se a Time teve este aspecto em linha de conta, se pensou no que Greta provocou junto desses boçais. Eu tenho. Também por isso, acho a escolha feliz.