Portugal é grande quando abre horizontes

21
Nov 14

Na Bélgica, a média dos salários líquidos por trabalhador situa-se em 2068 euros por mês. Este valor equivale a um salário bruto de 3 261 euros. Apenas 10% dos trabalhadores aufere uma remuneração líquida inferior a 1430 euros por mês.

Em geral, as remunerações são consideradas baixas, insuficientes face ao custo de vida e aos hábitos de consumo, mas existe uma certa resignação, por se pensar que as hipóteses de empregos melhor remunerados são escassas. A estabilidade do emprego é, nas circunstâncias actuais, altamente apreciada.

Quem ganha dinheiro são, entre outros, os médicos especialistas, os canalizadores e os jardineiros por conta própria. Ainda hoje, o observei. O canalizador que veio a minha casa fazer uma pequena reparação de 15 minutos pediu-me 115 euros, em dinheiro e sem recibo. E eu ainda tive que dizer muito obrigado, porque o homem respondeu à minha chamada de ontem para hoje. Ora, por vezes é a cruz e o calvário para se conseguir este tipo de serviços. Por exemplo, há meses que procuro um jardineiro que saiba da poda. Sem sucesso. E quando alguém responde, dois casos até agora, as cotações que me apresentam são de tal modo absurdas que acabo por chegar à conclusão que o meu jardim tem como vocação transformar-se numa reserva ecológica natural.

publicado por victorangelo às 21:28

15
Out 14

Tenho defendido nos meus escritos e nas minhas intervenções públicas que qualquer tentativa de aliança com extremistas ideológicos é um erro político grave. Esta posição assenta na experiência que tenho de muitas décadas de trabalho em várias partes do mundo.

Ontem assisti a mais um exemplo. O novo primeiro-ministro da Bélgica esteve no parlamento do país, para tentar obter a confiança política da assembleia. Foi um caos. Charles Michel, o novo PM, um jovem centrista da direita moderada e francófona, havia constituído uma coligação que integra, entre outros, extremistas de extrema-direita de língua flamenga. A imprensa, na véspera do debate parlamentar sobre o programa do novo governo, revelou que dois membros dessa organização extremista – um ministro e um secretário de Estado – haviam expressado “simpatia e compreensão” pelos belgas que haviam colaborado com o nazismo. Michel tentou passar por isso como um cão por vinha vindimada. A sua preocupação era a de salvar a coligação governamental a todo o custo.

Foi um pandemónio.

Mas mais que o caos, o caso revelou que quem faz alianças com extremistas fica numa situação de grande precaridade política, altamente fragilizado e, acima de tudo, prisioneiro desses talibãs de ideias inaceitáveis. Assim acontece, por muito boas, puras, moderadas e patrióticas que sejam as intenções de quem defende esse tipo de acordos.

Os extremistas entram neste tipo de alianças para ganhar terreno, para promover a sua visão fundamentalista e linear da vida em sociedade e da política.

A única receita que funciona em relação aos extremistas de todos os bordos é o combate político sem tréguas.

publicado por victorangelo às 17:11

14
Jun 14

 

 

Copyright V. Ângelo

 

No passeio da praia, em Oostende, no litoral belga.

 

Entre ler os jornais portugueses – tenho vários dias de atraso – e fazer qualquer coisa de positivo, resolvi ir à praia. Aproveitar o Sol, que estava um dia lindo. Esquecer as historietas da actualidade portuguesa, que podem ser lidas vários dias depois, são sempre as mesmas tragédias, com os pensadores públicos e os intelectuais de toda a espécie a repetirem, todos os dias, o que outros já disseram.

 

Ainda por cima, esta fotografia mostra-nos dois pombinhos – viram bem? – e não outros passarões de má fama.

 

 

 

publicado por victorangelo às 15:54

11
Jun 14

A pensão de reforma na Bélgica tem um limite máximo, por casal: não pode ultrapassar os 2723 euros. Também tem limite mínimo: 1263 euros. Ou seja, amplitude entre uma e outra, no que respeita à pensão legal, não é desproporcionada.

 

A diferença está nos complementos de pensão. Quem tiver aderido, ao longo da vida activa, a um esquema complementar privado de descontos, receberá, uma vez aposentado, um valor adicional.

 

Estes montantes, praticados numa economia bem mais rica que a portuguesa, estão, no entanto, neste momento, a levantar a questão da sua sustentabilidade. Há um consenso cada vez maior que as pensões, tal como são pagas hoje, não são sustentáveis, em virtude do crescimento contínuo da esperança de vida das pessoas com mais de 65 anos.

 

Para já, o primeiro passo vai no sentido de encorajar os cidadãos a adiar voluntariamente a idade de entrada na reforma.

publicado por victorangelo às 20:07

29
Nov 13

 Participei num colóquio organizado pelo Instituto Real Superior de Defesa (IRSD), uma instituição de investigação e formação superior, que pertence ao Ministério da Defesa belga. A meio de uma das sessões dei comigo a comparar esse Instituto com o que temos em Portugal, ou seja, com duas organizações portuguesas que têm missões similares. Quero dizer, o Instituto de Defesa Nacional (IDN) e o Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM).

 

No primeiro caso, temos um general de duas estrelas como director e vários coronéis, em lugares de topo. No IESM, temos um general de três estrelas e três generais de duas estrelas. E uma mão-cheia de oficiais de patente superior.

 

Na Bélgica, o IRSD é dirigido por um coronel, coadjuvado por dois tenentes-coronéis.

 

Pensei depois na Academia Militar. Em Portugal, temos três, uma para cada ramo das Forças Armadas. Cada uma delas tem uma estrutura organizacional pesada.

 

Na Bélgica, os futuros oficiais de todos os ramos são formados numa academia única.

 

Perante isto, achei que era melhor voltar a concentrar-me no tema do colóquio, que abordava as novas concepções de soberania nacional.

publicado por victorangelo às 17:05

29
Mar 13

Passei uma boa parte do dia em Lovaina.

 

A cidade, situada a cerca de 30 quilómetros a Leste de Bruxelas, tem crescido muito na última década, em termos populacionais. Lovaina é hoje, para além da universidade e dos centros de investigação que a ela estão ligados, uma aglomeração com uma economia diversificada. Tem, por exemplo, uma das melhores redes de pesquisa biomédica. É, igualmente, uma atracção turística importante, que tem sabido explorar o património cultural e fazer das actividades ligadas à cultura uma fonte de emprego e de rendimentos. Por outro lado, uma percentagem significativa dos seus habitantes trabalha em Bruxelas ou nos arredores da capital. Não é apenas uma questão de proximidade. Lovaina tem sabido apostar na promoção do bilinguismo – flamengo e francês –, o que é um trunfo vital para se conseguir alguns dos melhores empregos na região. Sem contar, claro, com a fluência de muitos em inglês e de vários em alemão.

 

Lovaina tem também uma das mais densas redes de radares de controlo de velocidade e de passagem por sinais vermelhos. A disciplina cívica é, aliás, uma das marcas da cidade. É uma aposta política.

 

Olhar para Portugal a partir de uma cidade com sucesso é inspirador. Lembra-nos o que faz – e como se faz – a riqueza de uma população: através do investimento nas indústrias do conhecimento, na investigação científica ligada às indústrias de ponta, nos serviços de qualidade, no turismo que sabe valorizar o passado e criar manifestações culturais viradas para os gostos do presente, nas línguas estrangeiras e numa cidadania responsável.  

 

O fulano que diz que a solução dos nossos problemas se resume “a deixar de escavar o buraco em que nos encontramos” ganharia em passar uns dias em Lovaina, como estudioso de política. Entenderia, então, uma filosofia política do desenvolvimento que dá frutos. Haverá outras, claro. Mas esta já nos ajuda a pensar em muitas coisas que nos poderiam dar jeito. 

publicado por victorangelo às 20:42

06
Mar 13

Estive na assembleia geral anual da Associação das Nações Unidas da Bélgica (APNU). Trata-se de uma das duas associações de apoio às actividades da ONU e de divulgação junto da sociedade civil dos grandes temas que preocupam o sistema das Nações Unidas. Ambas são organizações de cidadãos, jovens e de todas as idades. A APNU congrega a parte francófona do país. A outra, conhecida pelas iniciais VVN, reúne os associados de língua flamenga. A cooperação entre ambas é bastante boa, embora se trata de organizações independentes e com dinâmicas muito diferentes.

 

A APNU tem um orçamento anual de pouco mais de 8000 Euros. Com esta quantia irrisória, consegue organizar várias palestras públicas por ano, dar a conhecer a ONU, de modo sistemático, nas principais escolas de Bruxelas, ter duas células de apoio, uma na Universidade Livre de Bruxelas e outra na Universidade Católica de Lovaina, e manter um sítio internet actualizado. Leva a cabo, além disso, sessões regulares de cinema, com filmes comerciais que são depois debatidos por especialistas na matéria em causa. E ainda ajuda jovens estudantes a encontrar apadrinhamentos financeiros que lhes permitam ir visitar as sedes das agências da ONU. 

 

O segredo de tudo isto é o trabalho voluntário dos seus associados. Gente empenhada em fazer coisas, sem qualquer tipo de remuneração ou proveito pecuniário.

 

Na assembleia de hoje, havia necessidade de preencher dois dos dez lugares no Conselho de Administração da APNU – lugares que acarretam trabalho e dedicação, sem compensação monetária – e surgiram quatro candidatos voluntários. Tudo gente com emprego, com coisas para fazer, mas que não se importa de fazer um esforço suplementar, por achar que a causa vale a pena.

 

Assim funciona uma sociedade civil forte. 

publicado por victorangelo às 20:46

22
Fev 13

O sítio informático da Visão disponibilizou agora o meu texto mais recente publicado na edição impressa da revista. Pode ser lido em:

 

http://visao.sapo.pt/a-palidez-politica-da-europa=f714188

 

Cito um extracto do meu escrito:

 Com Berlusconi uma vez mais a definir a agenda, a Itália está embrenhada numa nova corrida para a confusão. Reina a demagogia. Até Monti já faz promessas eleitorais irrealistas, ao revés da orientação que seguiu enquanto chefe de governo. Uma parte significativa do eleitorado irá votar, sem grande fé no prometido, mas com base no “nunca se sabe”. 


Espero que tenham a paciência de ler e comentar.

publicado por victorangelo às 14:11

10
Set 12

Quero registar que os seguintes países da UE emitem actualmente dívida pública com uma taxa de juro negativa, ou seja, os mercados acabam por pagar para lhes emprestar dinheiro:

 

- Alemanha

 

- Bélgica

 

- Dinamarca

 

- França 

 

- Holanda

 

Ou seja, vivemos na verdade numa União Europeia a velocidades variáveis. É possível manter uma União se não existirem mecanismos compensatórios entre os Estados?

publicado por victorangelo às 22:25

05
Set 12

Voltando ao tema da crise, soube-se hoje que a população belga tinha, nos finais de Julho último, 229 mil milhões de euros guardados em depósitos de poupança. Em um ano, o valor das poupanças das famílias registado nos bancos - não se sabe quanto está escondido debaixo dos colchões, nem quanto está em contas fora do país - aumentou de 10 mil milhões de euros. 

 

O valor dos depósitos de poupança é muito elevado e continua a crescer, por causa da crise. Sim, por causa da crise. As famílias estão com medo do futuro e poupam mais. E, por outro lado, não estão a investir as suas poupanças em acções e obrigações, por falta de confiança na economia global e, especialmente, na europeia. 

 

Entretanto, também durante o mês de Julho, a população espanhola retirou dos bancos cerca de 75 mil milhões de euros. A principal razão tem que ver com a pouca confiança na solidez do sistema bancário nacional.

publicado por victorangelo às 22:04

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