Portugal é grande quando abre horizontes

19
Jun 14

A confusão que reina no topo da administração do Banco Espírito Santo (BES) revela, uma vez mais, que uma certa elite portuguesa acha que pode fazer o lhe der na real gana, incluindo com o dinheiro dos outros. Acha e acha bem, pois a verdade é que nada lhes acontece, quando se sabem as verdades. Não há investigação criminal, ninguém é arguido de nada, não se responsabiliza quem quer que seja.

 

Por isso dizia hoje, em Bruxelas, ao saber que o director para a Bélgica do banco suíço UBS fora detido esta manhã, acusado de branqueamento de capitais, ajuda à fuga fiscal de modo organizado e outras amabilidades que tinha como hábito fazer aos grandes clientes da casa, que o fulano foi burro. Depois de vários anos a ganhar comissões chorudas pela prática desses actos, deveria ter emigrado para o Sol de Portugal, para se aproveitar dos nosso ares e dos brandos costumes que protegem quem tem muito poder económico ou influência política.

 

E à hora a que escrevo, o nosso banqueiro belga viu a sua prisão preventiva confirmada. No mesmo momento em que os administradores do BES foram combinar umas coisas com o Governador do Banco de Portugal, para que tudo seja resolvido entre cavalheiros.

 

Temos um país que sabe que a bagunça é uma forma muito sublime da liberdade.

publicado por victorangelo às 21:05

14
Mai 14

Creio ser importante sublinhar que vista de fora, a banca comercial portuguesa é definida em duas linhas: primeiro, tem um peso financeiro insignificante, reflectindo assim a fraca dimensão do mercado bancário nacional; segundo, está tecnicamente às portas da falência.

 

Lembrei-me disto ao ver os resultados de hoje da Bolsa de Lisboa: os principais bancos perderam, ao longo do dia, cerca de 800 milhões de euros em termos de valor de mercado. O BCP perdeu 10,84%, o BES 8,2% e o BPI 5,89%.

 

Para poderem sobreviver, estes bancos precisam rapidamente de aumentar o seu capital. O que não será fácil. E será apenas um adiar do problema. A banca portuguesa precisa de uma reestruturação profunda. Viver de vapores e de ar quente não é solução. Temos que ter um sistema bancário privado que seja adequado ao tipo de economia que existe.  

publicado por victorangelo às 20:43

12
Nov 13

 A crise de liderança no Banco Espírito Santo (BES) e os resultados negativos que a maioria dos bancos portugueses tem estado a acumular em 2013 mostram a fragilidade do sector financeiro privado no nosso país. É de prever, num prazo não muito distante, uma reorganização a sério do sector. Temos bancos a mais para economia que existe. E esses bancos têm uma carteira comercial apinhada de créditos malparados, de projectos inviáveis e de empréstimos de longo prazo numa conjuntura que requer operações rápidas, fluidez e maleabilidade.

 

A fusão entre bancos é inevitável. A prazo, o panorama bancário nacional deverá estar concentrado em dois ou três bancos e pouco mais. Mesmo esses terão uma solidez relativa. Se os testes de stress do Banco Central Europeu forem feitos a sério – o que não aconteceu há dois anos – a pressão sobre a banca portuguesa será ainda maior.

 

Há medo de falar destas coisas. Mas esta é uma das questões de fundo que deveria estar no centro dos debates sobre o período pós-troika.  

publicado por victorangelo às 17:05

29
Jul 13

Os bancos portugueses estão numa situação periclitante. Os resultados negativos do primeiro semestre, que agora estão a vir a público, são apenas uma indicação do estado calamitoso em que a banca nacional se encontra. Cada novo anúncio de resultados revela, caso a caso, prejuízos de centenas de milhões.

A verdade é que não há actividade económica digna desse nome, sem contar com o crédito mal parado e as dívidas incobráveis.

 

Por outro lado, o negócio de comprar obrigações e títulos do tesouro portugueses aumenta a fragilidade estrutural da banca nacional, por se tratar de operações que são, tecnicamente, de alto risco. Mesmo que isso permita recolher uns juros interessantes, no curto prazo, a verdade é que os bancos internacionais acham que não revela boa gestão comprar dívida soberana de países como Portugal e olham para os bancos que o fazem como sendo imprudentes. Quer dizer, bancos com os quais não é conveniente fazer transacções de peso.

 

 

publicado por victorangelo às 21:48

16
Jul 13

Voltando à questão dos bancos, penso que é melhor privatizar completamente a Caixa Geral de Depósitos – que poderá valer, se valer, 3 000 milhões de euros – do que utilizá-la para financiar projectos sem nexo, como campos de golf em Espanha ou empreendimentos turísticos em Rio Maior que não vendem sequer três lotes, apesar da Caixa ter emprestado a gente influente 50 ou 60 milhões. Projectos que só dão prejuízo, mas que enriquecem os seus promotores, e que acabarão por ser pagos por todos nós.

 

É igualmente melhor encaixar o dinheiro da sua privatização que ter os partidos no governo a servir-se da CGD como parque partidário de pastagem.  

 

Não será?

publicado por victorangelo às 23:06

04
Out 11

Várias empresas públicas estão com a corda na garganta, no que diz respeito ao pagamento de salários. Em Setembro, ainda conseguiram crédito junto dos bancos. Mas um ou outro banco já começou a dizer que não há dinheiro disponível para mais. Que é preciso cortar nas despesas e reestruturar as empresas em causa. A Carris de Lisboa é um dos exemplos. 

 

Por outro lado, fica-se com a impressão que muitos, aqui na nossa terra, ainda não entenderam a gravidade da situação económica do país. Tenho estado a pensar, por isso, que talvez o meu próximo texto para a Visão devesse dar exemplos de outras crises, que vi, noutros cantos do mundo, e das consequências que arrastaram consigo. Talvez uma crónica desse tipo ajude a perceber o efeito vórtex que uma situação como a actual encerra.

publicado por victorangelo às 23:03

25
Jul 11

Deve haver por aí alguém que entende a razão que faz a Caixa Geral de Depósitos passar a ter tantos bosses e tão bem pagos. Eu sou dos que não entendem e que acham que isto é um mau indicador de outras coisas.

 

Sou também dos que pensam que seria bom fazer uma auditoria a sério -e com resultados públicos- à CGD. 

publicado por victorangelo às 23:56

03
Out 10

Voltando à minha questão de ontem, sobre a CGD, alguém sabe qual é o valor da "venda" da sede? E qual vai ser o montante da renda mensal que a Caixa vai pagar ao novo "senhorio", ou seja, ao Fundo de Pensões dos Funcionários da CGD?

publicado por victorangelo às 23:01

30
Mai 09

 

Copyright V. Ângelo

 

O senhor muito bem educado e muito simpático que recebeu quase 200 000 Euros do BPN, sem que tenha mexido muita palha, continua a receber todos os meses uns largos milhares de Euros, em Bruxelas, em pagamento de um "emprego" que na realidade não existe.

 

Desempenha umas funções fantasmas, que ninguém consegue ver, mas recebe um salário real. É mais uma avença, como a que recebia do Banco. Tudo muito limpo e com boas maneiras.

 

 

publicado por victorangelo às 16:17

17
Dez 08

 

O plano anticrise, divulgado pelo Governo no Sábado e discutido hoje na Assembleia da República, não e' muito nem pouco. E' um começo, e só a sua execução permitira' dizer se sim ou não. Contrariamente ao que foi dito pelas diferentes alas da Assembleia, o plano e' fundamental e deve entrar em vigor sem demoras. Veremos, em seguida, se o Governo o consegue implementar com eficiência e se haverá ajustamentos a fazer.

 

Não devera' ser apresentado como um plano de investimento, mas sim como uma intervenção, um conjunto de medidas, algumas de alcance mais longo, outras de curto prazo, uma resposta de urgência a uma situação de crise que se ira' aprofundar em 2009, incluindo um certo apoio ao emprego e a esquemas sociais temporários, que permitam a muitos portugueses navegar as 'aguas da crise sem se afundarem.

 

O aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos não será talvez a medida mais oportuna nesta fase de crise do sistema bancário. Ao proceder 'a realização dessa medida, o Governo vai intervir no equilíbrio do sistema bancário português e dar um sinal a muitos de cidadãos que talvez seja melhor sair do banco onde se e' cliente e passar a conta para a CGD. Ou seja, poder-se-á assim fragilizar ainda mais certos bancos privados, que depois gritarão na praça pública que precisam da intervenção do Estado.

 

Finalmente, ficou por esclarecer a origem exacta dos fundos que vão ser aplicados no plano e o seu impacto a médio prazo sobre a dívida pública.

publicado por victorangelo às 22:35

twitter
Outubro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
14
15
17
19

22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO