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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Aqui há pardal!

Dizem-me que, num país em crise profunda, os deputados se entretiveram a votar uma recomendação sobre a grelha de programas da TV pública. Parece que aconselharam o governo a incluir no canal televisivo oficial uma série semanal sobre batatas e cebolas, couves-galegas e animais de capoeira, e por aí fora, tudo numa perspectiva indefinida e abstracta de uma TV Rural. 

 

A razão deve ser, imagina-se, porque muitos dos habitantes desse país distante estão a voltar a viver ao nível de uma economia de subsistência. Sem contar, claro, que este tipo de resoluções mantém os deputados entretidos, sem que ninguém se lembre de os mandar às favas. 

Estamos mesmo fora de jogo

Na Visão de hoje, António Mega Ferreira, que é considerado um grande pensador contemporâneo, ilustra a barbaridade do simplismo intelectual português de hoje. À pergunta sobre a Europa, "onde certas elites falam nos "preguiçosos do Sul" face "aos competentes do Norte", questão sugerida pelo jornalista, o brilhante responde assim, com este tipo de absurdidades:

 

"A raiz histórica está mais atrás, no luteranismo. O ódio do Norte ao Sul vem da inveja. Eles não suportam o nosso sol, a boa comida, certa moderação nos costumes, na maneira de viver e de trabalhar. Os povos do Norte foram sempre organizados, como queria Lutero - um bandido do pior. "

 

E vai por aí fora.

 

Com um nível de reflexão deste género e desta "profundidade", um país como o nosso não precisa de inimigos exteriores. Basta-lhe as "elites" nacionais que por aí andam a definir a linha de pensar. 

 

É de ficar muito preocupado. 

Portugal, um país sem mulheres ilustres

 

Esta fotografia foi retirada hoje, por mim, do sítio oficial da Presidência da República portuguesa.

 

Parece que este grupo de homens que está à volta do Presidente e do MNE são o apregoado Conselho da Diáspora Portuguesa. Ninguém, que eu conheça, entende como foram seleccionados. Como foi estabelecido este Conselho. Mas, mais ainda, ninguém percebe por que razão não há nenhuma mulher neste Conselho? Será que a gente ilustre que faz grande o nome de Portugal no estrangeiro só inclui machos?

 

Ou teremos aqui mais um exemplo do nosso machismo oficial?

Burrices com piada

Falei há pouco com a directora do Público sobre o pretenso "coordenador de um observatório" do PNUD. Disse-lhe que esta historieta era, desde o princípio, desde que apareceu no Expresso há oito dias, que foi quando soube dela pela primeira vez, absurda e inacreditável. E lamentei não ter tido tempo para tratar dela antes, por ter estado muito ocupado com outros afazeres, fora e longe do país. Mas se me tivessem perguntado logo na altura o que pensava sobre o assunto, ter-se-ia evitado o embaraço em que alguns órgãos da comunicação social se encontram actualmente.

 

Quem poderia ter acreditado que a ONU --ou o PNUD, mais especificamente -- decidira criar uma unidade especial para seguir a situação de Portugal e da Europa do Sul? Essa região está inteiramente fora das preocupações centrais do sistema onusiano. Ainda não somos uma ameaça para a paz e a segurança internacionais...Por muito burros que alguns jornalistas possam ser, claro...

 

 

De meter dó

Ontem fui jantar às docas de Alcântara. Os restaurantes estavam vazios. Todos. E não havia ninguém a passear no cais. Os arrumadores estavam desesperados. Só a noite estava amena. 

 

Antes, havia lido e seguido o congresso do PCP. Toda aquela conversa com chavões que nada significam, uma linguagem que não mobiliza ninguém para além dos convertidos, o discurso sobre um governo "alternativo" sem o PS e BE, um choramingar sobre a queda dos regimes da Europa do Leste, que eram contra a natureza humana, e que levaram um lindo enterro, e pensei, isto é gente boa mas fora do seu tempo, presa a um passado que já não existe, a sonhar com o fracasso do que já foi à falência, que pena.

 

Para um Primeiro de Dezembro, que é um dia dos saudosistas e dos absurdos de outrora, foi uma viagem ao mundo das ilusões, genuínas, mas sem sentido.

 

E disse, Viva o Futuro!

O país dos nabos

O chefe da delegação do CDS-PP à Convenção Republicana que irá ter lugar no início da próxima semana em Tampa e que terá como objectivo confirmar Mitt Romney como candidato às presidenciais de Novembro disse, antes de partir de Lisboa, que espera uma maior aproximação da Europa, se Romney ganhar a presidência.

 

Se assim o espera, o homem, um tal Luís Queiró, só mostra que não entende nada do que se está a passar nos Estados Unidos nem nunca ouviu falar da viragem estratégica americana em direcção ao Pacífico. Como também não percebe que uma vitória de um fulano como Romney só contribuirá para extremar as posições internacionais dos Estados Unidos e tornar o mundo mais inseguro.

 

E é gente desta que lidera o desgraçado do país que somos. Estamos servidos. 

Cabeçudos

É extraordinário o barulho que se tem feito à volta da supressão da tolerância de ponto do Carnaval. O que é ainda mais surpreendente é que até as velhas raposas do partido do governo atacam a matéria. 

 

Razão? Talvez por sermos um país de cabeçudos políticos. Custa-lhes, por isso, perder a sua festa padroeira. 

A sabedoria

 

 

Copyright V. Ângelo

 

A sabedoria quer-se a olhar para ambos os lados. De um modo, com uma visão mais jovem e mais optimista, do outro, com o peso dos anos a lembrar a experiência de muitas situações vividas. 

 

Não sei se isto tem que ver com a nomeação de tecnocratas de alto gabarito para presidir aos governos da Grécia e da Itália. A verdade é que,  na minha maneira de ver, estas nomeações são importantes e trazem conhecimento e honestidade, predicados que ostensivamente têm faltado aos políticos. 

 

Mais. Quando leio o que um velho "puro" político nacional escreveu na Visão desta semana, sobre a crise europeia - um apanhado de tolices - fico ainda a gostar mais de ver verdadeiros tecnocratas no poder. Pelo menos sabem do que falam. 

Que confusão!

A confusão de ideias, em Portugal, e a confusão de ideias, na Europa, vão a par e passo. Cada caso tem as suas razões, mas confusão é confusão. Só complica. Só serve para atrasar a resolução dos problemas.

 

Em Portugal, certos intelectuais e certa comunicação social acham uma delícia os disparates que um velho senhor da política profere com alguma regularidade. Cada vez que o velho raposo abre a boca, sai uma de caixão à cova. E a malta gosta.

 

Querem um melhor indicador da nossa pobreza intelectual?

 

Só se forem buscar os textos de um pensador social, um baralhado de pensamentos, que escreve a partir das margens do Mondego. Esse também diz coisas que fazem aflição

 

Na Europa, a confusão à volta da preparação da cimeira de domingo vai ficar nas memórias de quem ainda se lembra das coisas.

 

Ontem, em Frankfurt, ainda houve uma tentativa de acordo, que não deu faísca. Hoje, à noite, fala-se uma cimeira seguida, uns três dias depois, por uma nova cimeira. Entretanto, a economia da UE vai desacelerando. Não é apenas a questão da solvência dos bancos, ou do risco para as pequenas poupanças, ou as incertezas dos mercados financeiros. É a economia e o emprego a sofrerem em virtude da confusão e da incerteza.

 

No meio de tudo isto, teve lugar ontem em Bruxelas um debate sobre o movimento dos "Indignados". Viu-se que não estão apenas indignados. Estão, igualmente, confusos.

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